Acho que todos nós já ouvimos, mais de uma vez, a história de uma entrevista feita com um artista, na qual o entrevistador teria perguntado algo mais ou menos assim: – Como foi que o senhor fez esse cavalo, essa escultura, essa obra? O artista teria respondido: – Eu não fiz. Apenas tirei do mármore, da pedra, da madeira o que não era cavalo, pessoa, objeto.
Não importa se a entrevista existiu, quem era o entrevistado ou o entrevistador, na minha percepção, a história traz uma dica importante sobre a inovação.
O artista viu a obra no bloco bruto de madeira, pedra, mármore. Ele então não fez a obra, ele viu a obra que a natureza já havia feito.
Há um artista plástico no estado do Espírito Santo que recolhe galhos de árvore e pedaços de madeira no mato e, apenas os dispondo de certo jeito, faz com que vejamos figuras de animais e objetos.
Ele vê essas figuras ou a possibilidade delas, quando os galhos e os pedaços de madeira ainda estão no mato, misturados à folhagem.
Inovar então é ver. É enxergar possibilidades novas a partir de arranjos, disposições e combinações inusitadas.
É possível aprender a ter esse olhar. É possível treinar essa forma de pensar. É possível aprender sobre os modelos mentais e utilizar esse conhecimento para produzir inovação.
Uma forma fácil de nos aproximar desse aprendizado é reparar nos poetas. Eles usam analogia, linguagem metafórica para fazer referências a suas histórias e a histórias de amor, ligando fatos que não estavam logicamente relacionados.
Tenho duas amigas e parceiras de trabalho – Bia Machado e Olga Modesto –. Elas criaram um método chamado caleidoscópio e ensinam grupos a conhecer e a trabalhar com os modelos mentais, exercitando as habilidades que eles conferem e aprendendo a lidar com possibilidades inovadoras.
Lembro de um trecho de uma canção popular na qual o autor deseja ter “o sentimento do Caboclinho Querido(*) que vê um mundo de sonhos onde eu só vejo um vestido.”
Mário Castelar é publicitário, consultor em comunicação e marketing e autor do livro “Marketing da Nova Geração – como competir num mundo globalizado e interconectado” e do blog www.pontoparagrapho.com.br.
(*) Caboclinho querido: apelido do cantor e compositor Silvio Caldas.
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