Há 20 anos, uma pessoa que quisesse abrir uma empresa para produzir peças para a indústria automotiva, ia ao bairro do Brás, (em São Paulo), comprava um torno ou uma fresadora de segunda mão, instalava o equipamento no quintal e iniciava uma carreira de empresário. Não é preciso muito esforço para imaginar a qualidade desse processo.
Desde a abertura dos mercados brasileiros, no início dos anos 1990, os padrões de produção, bem como os conhecimentos sobre gestão dos empreendedores, se aprimoraram e passaram a considerar o tipo de negócio, o lugar mais adequado para abri-lo, os equipamentos a comprar e a estrutura necessária.
Essa comparação simples é tão verdadeira quanto afirmar que abrir um negócio ficou mais caro. Na realidade, falamos de outro padrão de qualidade, não simplesmente do produto em si, mas da gestão como um todo.
Chamamos de gestão do processo produtivo, a coordenação de atividades integradas que buscam os resultados do negócio como um todo. Não se pode chamar de modismos ferramentas como just in time, kanban, downsizing e six sigma. Existem aspectos importantíssimos que deveriam ser considerados, antes de se considerar os instrumentos disponíveis: a maturidade da empresa ou seu modelo de gestão; a cultura organizacional; e se a metodologia está alinhada com as necessidades.
São muitos os mitos criados nos últimos 20 anos para justificar alguns resultados frustrantes das ferramentas/métodos/metodologias de gestão. Essa é uma resposta simplória para justificar o insucesso. Faz-se necessária uma análise criteriosa, alinhada às estratégias da empresa, antes de se tomar a decisão de implementar qualquer coisa.
Ao ter como base a visão holística, sabemos que todas as partes devem ser consideradas e estudadas para uma boa saúde organizacional e que o processo produtivo não é um fim em si mesmo. É um meio e deve estar alinhado às estratégias da organização.
O filósofo Burrhus F. Skinner, em 1969, chamou a atenção, em seu artigo Manufacturing – missing link in corporate strategy, para o importante papel de operações (manufatura à época) para a estratégia das organizações. Passado todo esse tempo, parece que as empresas não fizeram a lição de casa, uma vez que muito se desenvolveu em termos de estratégias, porém sem a efetiva integração com os processos industriais.
No mundo contemporâneo, a internet traz facilidades aos processos de produção de forma que é possível, em tempo real, iniciar a entrega de um produto, desde a compra de matéria-prima, passando pela produção, até a introdução de questões, como atendimento ao cliente, assistência técnica e manutenção. Um exemplo de sucesso é o caso da Dell, que a partir do pedido do cliente via internet, deflagra um conjunto de processos e atividades, que culmina na entrega do equipamento customizado em dia e horário combinados, assim como a materialização da satisfação do cliente, por meio de pesquisa realizada algumas semanas após a entrega.
A sustentabilidade também toma força e passa a ser tema de busca permanente das organizações, bem como a inovação. Cabe destacar que a inovação, já há alguns anos, não se restringe somente à área de Pesquisa & Desenvolvimento. O conceito, atualmente, é o da organização inovadora, que deve olhar a seu redor e criar possibilidades de diálogo social e competitivo, seja por meio de ações sustentáveis, seja por querer estar à frente da concorrência.
Hoje, a gestão dos processos produtivos não pode deixar de se preocupar com as questões relacionadas ao meio ambiente. E, como forma de identificar e avaliar a eficácia das organizações, há modelos para referência – modelos sustentáveis de gestão organizacional ou modelos sustentáveis para uma gestão inovadora – que permitirão a comparação da situação desejada com as informações coletadas. Dessa forma, melhorias incrementais ou de rupturas podem também ser consideradas nos processos ou nas atividades organizacionais.
* Antonio Tadeu Pagliuso é consultor em Gestão Organizacional, sócio-diretor da Holus Gestão Empresarial e Educacional.
26/08/2010 - Hora de Inovar
30/07/2010 - Lições para o Brasil
14/06/2010 - O empreendedor brasileiro, a inovação e o mercado
01/06/2010 - Educar e inovar na sustentabiliade
07/05/2010 - Cidades inteligentes - Inovação tecnológica no meio urbano
24/02/2010 - As conquistas da Protec em oito anos
18/02/2010 - O novo que surge do velho
24/01/2010 - Rio: o desafio da inovação
06/01/2010 - Crescimento insustentável
04/01/2010 - LANCE: gestão inovadora para acesso a medicamentos mais baratos
17/12/2009 - O olhar inovador
09/10/2009 - Hora de plantar e colher inovações
13/07/2009 - Crise, patentes e inovação
29/06/2009 - Os critérios de patenteabilidade e o projeto de lei n. 2511/07
19/06/2009 - A internet é inovadora?
11/03/2009 - Um canal reservado a ideias de valor
06/03/2009 - E por falar em inovação...
06/03/2009 - Inovação no Brasil hoje
06/03/2009 - Inovar na sustentabilidade
26/02/2009 - Inovação em tempo de turbulências