Prever os acontecimentos dos próximos anos é um exercício estratégico necessário se desejamos avançar mais rapidamente para atingir o status de nação desenvolvida. E não é preciso ter bola de cristal para ver que o País está diante da maior oportunidade da sua história para se transformar em um protagonista importante da economia mundial.
O Brasil está maduro para trilhar o caminho das grandes potências. Iniciou recentemente uma trajetória de desenvolvimento mais sustentável e duradouro, sobretudo pelo fortalecimento de seu mercado interno. Conseguiu com grande esforço a estabilidade econômica, com inflação controlada, moeda forte, produção crescente e um parque industrial invejável.
Mas ainda há muito que fazer para não desperdiçar a oportunidade para avançar. Temos diante de nós uma extensa lista de prioridades. E uma delas é ajudar as pequenas e médias empresas a se estruturarem em arranjos produtivos locais, em clusters e distritos industriais, a fim de que elas progridam com competitividade.
Nos países desenvolvidos esta é a nova maneira para competir na economia global e para acompanhar as rápidas mudanças no sistema de produção, que busca absorver a constante evolução tecnológica.
De fato. Venho de uma viagem à Espanha, França e Alemanha, onde pude ver a configuração de alguns arranjos produtivos – clusters – que hoje são considerados motores da Europa.
Esses arranjos e clusters nada mais são do que uma fórmula bem-sucedida adotada em vários países para organizar o processo de produção e a cooperação entre empresas, com mais conhecimento, tecnologia e inovação. O cluster é uma concentração de empresas com características semelhantes e que atuam numa mesma região ou localidade.
Os clusters contam com o apoio de políticas públicas de governo, que mobilizam as universidades e centros de desenvolvimento tecnológicos para que as empresas tenham capacidade coletiva para se especializarem e se tornarem mais competitivas.
Organizadas em clusters as pequenas empresas podem crescer porque atuam de forma coletiva, superando, assim, um grande problema que não é o seu tamanho, mas sim a sua solidão, o seu isolamento.
Está comprovado que atuando de forma individual as pequenas empresas são mais vulneráveis, pois se encontram numa posição fragilizada para enfrentar a concorrência. Afinal, não contam com mecanismos e recursos necessários para se tornarem mais competitivas de forma perene.
E é fato também que hoje as empresas precisam ser cada vez mais competitivas. E para isso dependem de estratégias sofisticadas, de muita tecnologia e inovação. Por isso, é fundamental apoiar as cadeias produtivas especializadas, fortalecendo-as em clusters, para que compartilhem vantagens que são desfrutadas por empresas apenas de maneira individual.
O segredo dessa estratégia é aceitar que dentro do cluster embora as empresas compitam entre si elas se complementam e se reforçam mutuamente, pois elevam a competitividade para padrões que as deixam menos vulneráveis.
Ao atuarem de forma isolada as pequenas empresas não conseguem muitas das vezes pagar pelos serviços, informações e tecnologias necessárias para se especializarem e crescerem.
O Sebrae e o governo têm papel fundamental a desempenhar para a disseminação dos clusters no Brasil. O Sebrae precisa retomar com toda força a política de incentivo à implantação de clusters em todo o País, especializando-se na metodologia de gestão desses arranjos. E o governo deve adotar políticas públicas direcionadas a esses pólos de desenvolvimento, mobilizando as universidades e centros de tecnologia de sorte a assegurar aos clusters o acesso a recursos que os fortaleçam, da produção até o mercado final.
Esta é a minha maneira de ver o progresso para as pequenas empresas, uma visão estratégica necessária para que se possa alcançar um futuro mais promissor para a economia brasileira.
Roberto Simões é presidente do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae( em exercício agosto 2010) e da Federação de Agricultura de Minas Gerais (Faemg).
Fonte: Sebrae
Foto: Gláucia Rodrigues
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