Mais da metade do crescimento da produtividade das principais economias mundiais se explica hoje pela maior eficiência de suas instituições e pelas inovações introduzidas todos os anos pelas empresas. Nesses países, é o setor privado que lidera o esforço de inovação e também a pesquisa e desenvolvimento em novas tecnologias. Isso é estimulado ao máximo pelos governos, com políticas que vão do suporte a pequenas inovações incrementais, incluem o uso de poder de compra dos Estados e se valem de uma intensa cooperação com entidades de pesquisas.
O Brasil precisa e vai trilhar esse mesmo caminho. Precisamos de aumentos sistemáticos da produtividade para sustentar ganhos reais dos salários e melhorar a distribuição de renda. Precisamos alavancar a capacidade de competir das empresas e gerar melhores empregos. Para isso, vamos ter de dar prioridade à agenda da inovação.
Nossa competitividade sofre com o acúmulo de velhos obstáculos. Temos carga tributária extremamente elevada, nossa infraestrutura é muito deficiente, há baixíssima escolaridade, excessiva burocracia e uma institucionalidade ainda precária. Avançamos em alguns desses aspectos, mas, no geral, numa velocidade que deixa muito a desejar.
Essa é a agenda do passado, que ainda temos de enfrentar e solucionar e que coexiste com os desafios da criação de competências que nos conduzam ao futuro. Devemos reforçar as capacitações técnicas de nossas empresas, melhorar a qualidade do ensino e a escolaridade técnica e superior, dar mais ênfase à formação de engenheiros e cientistas, ampliar o número de instituições de prestação de serviço e de suporte ao desenvolvimento tecnológico das empresas e multiplicar as instituições de excelência.
Mas, em especial, precisamos entender o papel central que cabe às empresas na agenda da inovação. São essas empresas as responsáveis pelo lançamento de produtos que, cotidianamente, buscam melhorias em seus processos, que vão à busca de novos modelos de negócios para atender melhor os consumidores ou criar mercados. Esse protagonismo implica responsabilidades, mas exige, de outro lado, instrumentos desenhados de acordo com as necessidades e imperativos dos negócios.
Trata-se de uma realidade complexa, porque a inovação tem dimensões distintas para cada tipo de empresa: de pequenas melhorias incrementais até sofisticadas redes de gestão de conhecimento; de novos modelos de negócios até esforços sistemáticos de desenvolvimento tecnológico. O que dita a estratégia é o próprio mercado. O que condiciona o sucesso é o empenho da empresa e o ambiente que a cerca, as instituições de apoio e as políticas que lhe dão suporte. Temos inúmeros casos de sucesso e temos tido avanços nas políticas públicas.
Precisamos agora dar um salto. Foi isso que a Confederação Nacional da Indústria propôs no Congresso de Inovação, realizado em agosto de 2010. Queremos ser protagonistas de uma efetiva Iniciativa Nacional pela Inovação (INI), que congregue empresas e governo em torno de metas acordadas de inovação para cada setor da indústria; que amplie de forma significativa a capacidade de gestão da inovação nas empresas e que multiplique a mobilização iniciada com esse encontro.
Hoje, cerca de 6 mil empresas brasileiras fazem pesquisa e cerca de 30 mil declaram inovar em produtos e processos. A nossa meta é duplicar o número de empresas inovadoras nos próximos quatro anos.
A plataforma da CNI e do Fórum Nacional da Indústria, lançada no Congresso de Inovovação com o apoio de lideranças industriais, tornará factível essa meta. Mobilizaremos nossos melhores recursos para cumpri-la. Vamos disseminar a cultura da inovação, impregná-la na indústria, mostrar que o futuro depende de nossa capacidade de inovar. Essa nova plataforma se materializará na criação de núcleos de inovações nas federações de indústria; na generalização das ações de suporte à inovação já em curso nas associações setoriais; na maior ênfase nos serviços técnicos e tecnológicos do Senai na parceria com o Sebrae para a difusão de metodologias perante as pequenas empresas; na articulação dos diversos setores para estabelecer de comum acordo metas de inovação com o setor público. E, com o apoio dos empresários, criaremos uma governança capaz de estimular e cobrar resultados. Vamos dar um salto na produtividade, para que seja sustentáculo das aspirações de todos os brasileiros por uma nação mais justa.
Armando Monteiro Neto é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
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