Sergio E. Moreira Lima

Rio: o desafio da inovação

O futuro de um país depende da educação de seu povo,de sua capacidade de inovar e manter-se competitivo. As nações que mais inovam são aquelas que investiram no desenvolvimento da pesquisa em ciência e tecnologia,na transposição desses avanços à produtividade e à eficiência de suas economias.
Trata-se de uma decisão política que começa no compromisso com a excelência das instituições acadêmicas como meio para promover a capacitação e o bem-estar do conjunto da sociedade.
Em posição criticamente baixa nos índices globais de inovação e competitividade,o Brasil vem ampliando o esforço nacional para reverter esse quadro.
Pela qualidade de suas instituições de pesquisa,o Rio de Janeiro poderá desempenhar importante papel como polo de alta tecnologia e ajudar o Brasil a fortalecer sua posição de cérebro do sistema produtivo nacional e da sua inserção no mercado global. Em alguma medida,essa evolução poderia ser reconhecida no êxito da política nacional de biocombustíveis,da produção de petróleo em alto-mar,na fabricação de aviões de médio porte,no processamento de dados nas operações bancárias,no sistema de voto eletrônico,entre outros. Mas cabe estendê-la a setores que terão efeito multiplicador e modernizador na economia.
Além de segundo maior PIB do país,posição que se fortalecerá com a expansão dos investimentos em energia,construção naval e transportes,o Rio de Janeiro concentra instituições e recursos humanos que permitiriam o estabelecimento de um eixo Rio-Petrópolis de pesquisa e desenvolvimento de alta tecnologia. O objetivo desse projeto seria a implantação de uma política para inovar processos produtivos e promover capacitação científica e tecnológica em benefício de indústrias e prestadores de serviços. Seriam criados novos nichos de conhecimento para atender às demandas tecnológicas regionais em setores de informação,eletrônica,semicondutores,química fina,biotecnologia,nanotecnologia,fármacos,bioenergia e outros considerados prioritários.
O projeto contribuiria para a geração de novo paradigma de desenvolvimento regional baseado em áreas de ponta.
Como resultado da inovação tecnológica,essa evolução agregaria valor à produção e fortaleceria segmentos industriais e de serviços,tornando-os mais competitivos. Ao mesmo tempo,a difusão do conhecimento favoreceria a diversificação das atividades,evitando concentração excessiva da economia em uns poucos setores. No longo prazo,a economia regional teria assegurada sua sustentabilidade graças à inovação,independentemente da existência desse ou daquele recurso natural.
Instituições como Funpat,Impa,Inpi,INT,Coppe,Fiocruz e Inmetro constituem a base para o êxito do projeto. A estas se somam entidades representativas das classes produtoras,como a Firjan,com interesse em apoiar ou arregimentar apoio empresarial à iniciativa.
O BNDES e a Finep poderiam ajudar no financiamento. Grupo de trabalho sob a liderança municipal e estadual seria constituído para discutir e apresentar,em período razoável,uma política integrada para o lançamento do eixo tecnológico Rio-Petrópolis,com a definição de metas,prazos e fontes de financiamento. As prioridades seriam definidas a partir das carências tecnológicas regionais e nacionais e o impacto do projeto sobre insumos importados e com peso na balança comercial e em serviços que geram desequilíbrio nas contas correntes.
Por basear-se na educação,o projeto terá impacto social e ambiental,dada sua contribuição para o desenvolvimento de tecnologias limpas,repercutindo de forma positiva no exterior.
Atrairá o interesse de empresas nacionais e estrangeiras. O Rio de Janeiro será pioneiro num projeto que dará a medida do compromisso do Brasil de se tornar potência tecnológica.
O Rio de Janeiro possui as instituições e as cabeças necessárias. Constitui uma das maiores concentrações de PHDs do país. Falta,no entanto,articulação desses fatores por meio de políticas públicas,de âmbito municipal e estadual,que viabilizem a ideia do eixo de alta tecnologia na região.
Em apenas uma década,Coreia do Sul e Israel lograram estabelecer projetos semelhantes. O mesmo se verifica nos países nórdicos,como a Noruega,que também se posicionam entre os de mais alto índice de inovação e competitividade no mundo.
 

Sergio E. Moreira Lima é embaixador do Brasil na Noruega.

Fonte: Opinião, de O Globo, 23/01/2010