Gente Que InovaRss - Aqui voce ve ideias de valorhttp://www.gentequeinova.com.br<![CDATA[Inovar na sustentabilidade]]>Quem examina a história do desenvolvimento com um olhar de longo prazo sabe que o aumento da produtividade, da renda e mesmo da esperança de vida é um fato muito recente.Muito do que se identifica como progresso está intimamente ligado à moderna sociedade industrial. O aumento sistemático da produtividade está no âmago dessa trajetória.

Hoje, contudo, somos muito mais céticos sobre as conquistas desta civilização material e estamos revendo muitos de nossos valores. Deixamos de tratar como sinônimos o progresso material e a melhoria da vida.Esse ceticismo é parte essencial da crise da sociedade humana nesse século. Estamos cada dia mais conscientes dos limites do consumo perdulário e da exploração de recursos naturais finitos.

Mas será que ainda há espaço para a esperança iluminista que alimentava o sonho de progresso e pleno desenvolvimento das capacidades da humanidade? Creio que há, e muito.

Contudo, um mundo sustentável depende, incondicionalmente, da capacidade humana de inovar na sociedade, nos governos, na academia e na indústria. E mais. As inovações de que necessitamos não são de qualquer natureza. Elas têm que ser concebidas dentro de princípios de sustentabilidade. Precisamos, portanto, de um novo paradigma, uma nova linguagem e um novo entendimento das coisas. Inovação é a manifestação prática da sustentabilidade. Sustentabilidade é a outra face do desenvolvimento.

Peter Drucker já dizia que todos os problemas do planeta devem ser vistos como oportunidades de negócio. Agora, mais do que nunca, essa é uma verdade incontestável. Por isso devemos desenvolver a habilidade de gerar inovações para criar valor de forma sustentável. É possível lucrar fazendo bem ao planeta.

Esses novos desafios exigem respostas criativas e ambientes propícios para que se possa mobilizar o que de melhor a humanidade possui. Sua condição humana, o conhecimento, suas capacitações.

Especialmente as empresas e as universidades têm muito o que fazer no campo da inovação. Mas para além da pesquisa, da difusão do conhecimento, há uma responsabilidade maior de ambas, que é incorporar em suas estratégias o tema da sustentabilidade.

É a determinação e o entendimento acerca da necessidade de assegurar formas sustentáveis de desenvolvimento das novas gerações que pode nos trazer esperança num futuro melhor.


Rodrigo da Rocha Loures é Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e Presidente do Conselho de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzM%3DFri, 06 Mar 2009 16:51:42 -0300
<![CDATA[Inovação no Brasil hoje]]>No Brasil, Ciência e Tecnologia ainda se confundem, sendo colocadas no mesmo pacote de políticas públicas sob a sigla C&T. Para alguns especialistas em inovação, trata-se de um equívoco. A razão é simples: enquanto a universidade atende às demandas do conhecimento, do saber, a empresa atende às demandas do mercado. Assim, nem toda descoberta científica se transforma em tecnologia, nem toda inovação tecnológica é resultado do conhecimento científico.

Outra contradição brasileira: ao mesmo tempo que em nossas universidades mentes brilham em algumas áreas, temos indústrias que ainda estão assimilando tecnologias ultrapassadas. Isso, porque ainda acreditamos que a Ciência se transforma, naturalmente, em Tecnologia, bastando integrar universidade e empresa.
Apesar disso, o conceito da inovação incremental baseada na indústria vem se disseminando e já faz parte, por exemplo, da cultura do BNDES, cujo apoio à inovação é prioridade estratégica.

A Finep – Financiadora de Estudos e Projetos, empresa vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia –, que já se firmou como instituição que apoia projetos inovadores de empresas, iniciou o ano de 2009 com um novo programa de incentivo à inovação nas empresas brasileiras. Trata-se do Inova Brasil, que substitui o Pró-Inovação, voltado para empresas de todos os portes.

A inovação incremental é feita em chão de fábrica, a partir do trabalho que já existe, poupando tempo e recursos escassos. Surge para resolver problemas práticos, como baratear ou acelerar um processo industrial, produzir com mais eficiência ou rentabilidade, ou adaptar um produto a novas necessidades e desejos do consumidor. Em resumo, competir melhor.

Um exemplo é a Embraer. Quando a empresa projetou o bem-sucedido avião ERJ-145, obteve uma economia de peso de 70 quilos por causa do redesenho de um rebite de alumínio. Isso representa um passageiro a mais ou consumo de combustível a menos, o que na aviação é crucial.

Faz parte da índole do ser humano a liberdade de criar vendo e fazendo, e quebrando a cabeça para realizar melhor aquilo que outros fizeram antes. Esse é o mais genuíno e talvez um dos mais potentes motores da produtividade e do desenvolvimento de um país. Nesse sentido, um bom exemplo é o Japão, famoso por ter reerguido sua economia após a Segunda Guerra Mundial com ênfase na imitação de produtos europeus e norte-americanos, ao desenvolver uma imbatível política de inovação baseada na miniaturização de aparelhos.

A Suíça é outro exemplo. País respeitado pela sofisticação tecnológica de sua indústria e hoje o maior beneficiário per capita de direitos de propriedade industrial, adiou, durante décadas, a adoção de um sistema de patentes, para copiar tecnologias alemãs e inglesas.

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzQ%3DFri, 06 Mar 2009 17:39:13 -0300
<![CDATA[E por falar em inovação...]]>Uma boa ideia é o ponto de partida para qualquer inovação. Apenas isso. No mundo corporativo, entretanto, ter apenas uma boa ideia não basta; requer, acima de tudo, resultados. É assim que pensam os especialistas no assunto.

Mas que tipo de resultados? O primeiro que vem à cabeça é o desenvolvimento de novos produtos, principalmente ligados a progressos tecnológicos. No entanto, também é possível inovar em processos, no relacionamento com clientes, na agregação de serviços, em sistema de crédito ou cobrança, no relacionamento com a comunidade, etc.

Nesse sentido, já em 1987, Peter Ferdinand Drucker dizia que “a inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o processo pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente”.
Nascido em 1909, em Viena, na Áustria, e falecido em 2005, nos Estados Unidos, Drucker foi filósofo e economista, sendo considerado, por muitos, o pai da gestão moderna. Reconhecido por seus estudos sobre os efeitos da globalização na economia, em geral, e nas organizações, em particular, Drucker dizia que gestão moderna é a ciência que trata das pessoas nas organizações.

Com o passar dos anos, novos termos foram criados no mundo da inovação. Um deles é ecoinovação, usado no campo do desenvolvimento de produtos e processos que contribuem para o desenvolvimento sustentável e reduzem custos ambientais. A ecoinovação também está ligada ao conceito de ecoeficiência e ecodesign, em cujo campo o ambiente ajuda a orientar a direção das decisões de design. Mas a ecoinovação também tem uma vertente social, com a criação novas atividades econômicas, sobretudo na prática da reciclagem e do tratamento de resíduos.
 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzU%3DFri, 06 Mar 2009 18:03:44 -0300
<![CDATA[Inovação em tempo de turbulências]]>A crise financeira que se iniciou nos países ricos se transformou em uma grave crise econômica que se espalha rapidamente pelos mercados de todo o planeta. Apesar de todos os esforços, tudo indica que não há soluções no curto prazo e que o mundo que emergirá será diferente do que é hoje, pelo menos em termos de negócios e trabalho.

Para pior ou para melhor? Só o tempo dirá. Muitas empresas e empregos desaparecerão, mas novas oportunidades surgirão, novos negócios e empregos serão criados.Vivemos um momento crucial, um ponto de ruptura que força empresas e indivíduos a fazerem uma escolha entre a inércia e a inovação. Os tempos de mudanças assustam mas, para aqueles que optam pela sobrevivência, a atitude passiva de esperar para ver o que acontece não é uma opção. Para estes é a hora de indagar: Como podemos usar a crise para inspirar a inovação?

É o momento das organizações fazerem o pleno uso da criatividade e engenhosidade de seu pessoal e focar seus esforços e recursos no desenvolvimento de ideias inovadoras para manter seus bons clientes, conquistar novos mercados e ser mais eficientes. Estas iniciativas inovadoras podem incluir: usar a queda temporária nas atividades para inovar os processos de trabalho e fazer mais com menos. São iniciativas importantes, mas nem sempre temos tempo para cuidar de melhorias nos métodos de trabalho quando os negócios estão a pleno vapor.


Ideias criativas para ajudar os clientes a economizar tempo e dinheiro ou ser mais eficientes. Eles também terão seus problemas e valorizarão todo tipo de ajuda.
Simplificação dos produtos e eliminação de funções supérfluas criadas em tempos de bonança. Os clientes estarão com pouco dinheiro e questionarão a relação custo-benefício de produtos e serviços sofisticados e funções não essenciais.

Ideias para conquistar novos mercados e clientes de competidores enfraquecidos pela crise. Haverá lacunas a serem preenchidas pelas organizações mais criativas e ágeis.
Tornar os relacionamentos dos clientes com a organização em oportunidades para agregar valor e criar lealdade. Em muitas situações, estas iniciativas não requerem investimentos, mas uma mudança de atitudes, de cortesia, respeito e empatia.
Ações afirmativas com relação à proteção do meio ambiente.

Há fortes indícios de que estamos finalmente entrando numa época de genuína preocupação dos governantes com o futuro de nosso planeta. Há ótimas oportunidades para as organizações agregarem valor aos seus negócios através de uma atuação responsável. São ações que não podem esperar, pois o único modo de ser mais competitivo hoje é inovar agora e não amanhã. Isto requer uma profunda reflexão sobre suposições, normas e diretrizes vigentes para remover práticas obsoletas e se tornar diferente dos competidores aos olhos dos clientes.

Jairo Siqueira, engenheiro e consultor empresarial.
 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzA%3DThu, 26 Feb 2009 16:41:42 -0300
<![CDATA[Um canal reservado a ideias de valor]]>A informação jornalística, em geral, é produto de primeira necessidade, sem o qual o homem moderno não consegue gerir sua vida produtiva, programar seu lazer, orientar-se no mundo e formular suas opiniões. É, ao mesmo tempo, uma forma de conhecimento e um serviço público essencial a que todos têm direito. Por isso, só se constrói uma sociedade cidadã com informação. Afinal, só é possível conhecer o que nos é comunicado.

Ultimamente, a mídia vem assumindo tamanha importância na formação de hábitos, costumes e comportamentos, a ponto de falarmos, hoje, na chamada sociedade midiática. Mas, a quantidade de informações e a velocidade com que são transmitidas, muitas vezes, impedem que sejam inteiramente apreendidas.

Não há dúvida de que a população brasileira, de forma geral, é bem informada a respeito de diversos assuntos. Mas, parte desse público ainda é escassamente informado sobre assuntos específicos, dentre eles, inovação, embora seja consenso em todos os setores da economia que inovar é a melhor estratégia para elevar a capacidade competitiva de uma empresa e para a geração de riquezas de um país.Nas publicações existentes, por serem especializadas, e mesmo no campo específico da mídia digital, à exceção de algumas iniciativas, as informações divulgadas não se direcionam para jovens estudantes, recém-formados e empreendedores que querem encontrar e partilhar ideias de valor.

Por acreditarmos na força da mídia como instrumento de conscientização, criamos Gente que inova, uma fonte alternativa criativa na internet para difundir e conectar ideias inovadoras e para revelar não só o que os inovadores fazem, mas também para − quem sabe − despertar vocações e gerar oportunidades empreendedoras.
Seja bem-vindo ao Gente que inova, um canal de quem faz e acontece

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=NjY%3DWed, 11 Mar 2009 17:42:55 -0300
<![CDATA[Os critérios de patenteabilidade e o projeto de lei n. 2511/07]]>O Projeto de Lei n. 2.511, de 2007, apenso ao Projeto de Lei n. 3.995, de 2008, propõe o acréscimo dos incisos X e XI ao artigo 10, da Lei n. 9.279, que regulam direitos e obrigações relativos à Propriedade Industrial. Os incisos acrescem a proibição da concessão de patentes para novos usos de produtos presentes no mercado – protegidos por patentes ou em domínio público – e para substâncias químicas que possuam diferentes formas cristalinas – produtos de composição química idêntica sob a proteção de patente ou em domínio público. Justificam-se as alterações em virtude de suposta falha na legislação vigente que permite a concessão de patentes para os casos acima mencionados, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI, o que causa prejuízo ao acesso a medicamentos.
A Lei da Propriedade Industrial tutela uma das espécies do Direito da Propriedade Intelectual, o qual possui fundamento na construção da ordem internacional, que foi absorvida pela ordem nacional, com destaque pela Constituição Federal. Dessa forma, a proteção que se oferece à Propriedade Industrial encontra-se harmonizada com a orientação e a legislação comparada dos países, dentre eles os vinculados aos acordos da Organização Mundial do Comércio.
No Brasil, a Constituição Federal protege a propriedade como direito fundamental, imediato e progressivo. Trata-se de uma proteção dupla, ou seja, a ser executada quando o interessado busca a tutela do Poder Judiciário e de modo preventivo, no sentido de que o Estado deve preservar e motivar a proteção dos direitos vinculados à propriedade. Esta sistemática, aplicada à propriedade industrial, coloca a propriedade como direito individual e, ao mesmo tempo, coletivo, eis que absolutamente necessária ao desenvolvimento econômico e social de modo sustentável.
Neste aspecto, é importante observar a complexa relação que há entre a esfera pública e a privada. Isto ocorre porque à esfera pública cabe a realização da finalidade pública, a exemplo do acesso a medicamentos como parte integrante do Direito à Saúde. Por sua vez, constata-se que é a iniciativa privada que mais desenvolve pesquisas e produtos fármacos; constata-se uma interdependência entre o público e o privado. Esta complexa relação se resolve, conforme determinação da Constituição Federal, ao estabelecer a limitação da propriedade à função social. Desta forma, a propriedade, em que pese sua relevância, é um direito vinculado ao conceito de ordem e necessidade pública para o provimento de outros direitos de igual importância.
Reconhece-se, então, que, quando a concessão de patente afronta a ordem ou necessidade pública, como no caso do acesso a medicamentos, a patente (propriedade) deve restabelecer-se para o atendimento da função social. É o caso da proibição de concessão de patentes e a decretação de licença compulsória. A opção por uma ou outra forma de equilíbrio deve se dar pela consideração não apenas da acessibilidade direta, mas, com maior precisão, do desenvolvimento sustentável, eis que este proporciona a acessibilidade e pela forma mais primorosa que é a da sustentabilidade/duradouro. Esta sistemática dá-se através do incentivo à iniciativa privada ao desenvolvimento de pesquisas e produtos, sabedores de que terão o resultado de seus trabalhos respeitados pela titularidade exclusiva, que lhes é fornecida pela concessão da patente.
Percebe-se, desta feita, que, afora as responsabilidades inerentes do Estado para com o conjunto das finalidades públicas estabelecidas pela Constituição Federal, tem-se a complementação necessária com as atividades da iniciativa privada. No caso fármaco, tem-se que a participação na acessibilidade de medicamentos é maior por parte da iniciativa privada, deste monte, deve ser ela respeitada não apenas por conta do título de propriedade, mas também porque contribui, sobremaneira, com a realização das funções estatais em matéria de Direito à Saúde.
É de se concluir, então, que a patente é um direito declaratório vinculado ao Direito da Propriedade, e como tal deve ser protegida. Segundo, esta proteção confere acessibilidade a medicamentos, uma vez que por meio da proteção incentiva-se a pesquisa, o desenvolvimento e a comercialização em território nacional. Terceiro, o argumento de que a proibição da concessão de patentes sobre segundos usos médicos e polifórmicos não reduziu a atuação da indústria de fármacos em outros países, ignora o fato de que o Brasil é mercado consumidor dessas indústrias diante de seu diferencial que é a concessão de patentes sobre tais situações, desde que atendidos os requisitos legais.

DOS CRITÉRIOS DE PATENTEABILIDADE
Independentemente de nomenclaturas como “segundo uso médico e formas polifórmicas”, são critérios de patenteabilidade a novidade, a criação humana e a utilidade industrial. Por novidade tem-se a atividade inventiva demonstrada com a inexistência do objeto no estado da natureza ou de alguma forma já divulgado. A criação humana é a demonstração de que a interferência do homem desenvolveu algo que era inexistente, diferenciando-se, desta forma, da descoberta. E utilidade industrial é a possibilidade de comercialização em razão do interesse de mercado. Alcançados todos estes requisitos, têm-se o permissivo legal para a concessão da patente.
Os países com a adoção do TRIPS possuem flexibilidade para legislarem a temática nos termos do interesse nacional, mesmo porque o TRIPS se apresenta apenas como patamar mínimo para a proteção dos direitos da propriedade intelectual. Todavia, o TRIPS veda exclusões legais de qualquer área da tecnologia do campo de proteção, com exceção do que ele próprio possibilita ser afastado do benefício, como normativa taxativa e não enumerativa: contrários à ordem pública ou a moralidade, método de diagnóstico, de tratamento e de cirurgia, animais que não sejam microorganismos, plantas que não sejam microorganismos (em que pese a proteção sobre as variedades) e processos essencialmente biológicos para produção de animais e de plantas, exceto processos não biológicos ou microbiológicos.
O enfoque para a exclusão, no presente caso do Projeto, é, então, os conceitos de ordem pública e moralidade. Estes conceitos dizem respeito ao que se tutela na ordem jurídica nacional, principalmente por meio da Constituição Federal. Neste momento necessário relembrar que a concessão de patente, a função social e o Direito à Saúde são protegidos pela Constituição, merecendo todos o mesmo nível de respeitabilidade. O porém é que a função social, dentro do conceito de ordem e moralidade pública, limita a concessão de patentes, mas não de um modo abusivo e sim conforme tutela constitucional.

DO SEGUNDO USO MÉDICO
Tem-se como relevante o apego aos critérios de patenteabilidade e não a prática denominada “segundo uso médico”. Para maior esclarecimento, este corresponde à proteção para uma nova aplicação médica de uma patente farmacêutica, a qual já é protegida pelos direitos da propriedade intelectual. Desta sistemática surge a controvérsia firmada, principalmente, entre o Instituto Nacional da Propriedade Industrial e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, acerca da constitucionalidade da patenteabilidade do segundo uso médico.
A controvérsia ocorre porque na prática o segundo uso médico permite que alterações em medicamentos registrados estendam a proteção aos mesmos, ou seja, em virtude de uma descoberta quanto à aplicação do medicamento ele adquire prolongamento do prazo para exploração exclusiva pelo seu titular. O prolongamento do prazo de exclusividade ao titular do medicamento referencial é um benefício, todavia, para os que necessitam da informação para aumento da concorrência ou para a fabricação de medicamento genérico o prolongamento corresponde a um distanciamento desses objetivos. São estes os argumentos preponderantes.
O INPI é o organismo responsável pela patenteabilidade de medicamentos, sem a qual não podem ser comercializados em território nacional. Este organismo concede a patenteabilidade de segundo uso médico. A justificativa do INPI é a de que toda e qualquer invenção, que atenda aos requisitos legais, dentre eles, o da aplicação comercial e da inovação, merecem a proteção. Não importa se a invenção seja sobre uma fórmula já registrada, mas sim que a invenção tenha nova aplicação. A visão jurídica do INPI é a de que a proteção salvaguarda o inovador e, desta forma, incentiva a atividade inventiva; indiretamente presta-se como motivação para a criação de medicamentos e mais indiretamente para a criação de soluções a doenças e para o desenvolvimento econômico e sustentável nacional.
É importante mencionar que desde a Lei da Propriedade Industrial de 1945 o Brasil adota o sistema chamado genérico de classificação, ou seja, tudo que não está expressamente mencionado na Lei como não patenteável é passível de proteção. Assim foi com a Lei n.º 7.903 de 27 de agosto de 1945, com a Lei n.º 5.772, de 21 de dezembro de 1971 (Código da Propriedade Industrial) e é assim com a Lei 9.279, de 14 de maio de 1996 (Lei da Propriedade Industrial LPI). No antigo Código de Propriedade Industrial de 1945, em seu art. 183, há uma menção à “aplicação nova”, na parte que se refere à Ação Penal e Diligências Preliminares. Isto significa que existia àquela época o conceito de patenteabilidade de aplicação ou uso novo, diante da existência de capítulo referente à Ação Penal destes usos.
Corresponde o segundo uso médico aos melhoramentos feitos sob a primeira concessão da patente farmacêutica. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal, já em 8 de julho de 1914, decidia que “(...) o que constitui característico do privilégio não é, por exemplo, o conjunto de materiais, drogas ou ingredientes empregados no preparo de certo produto, mas o meio ou processo especial de prepará-lo ou aplicá-lo a determinado fim, com resultado industrial”.
No Direito Comparado, há sob o mesmo assunto decisão do Enlagerd Board of Appeal do Escritório Europeu de patentes farmacêuticas n.º G05/83 que considerou válidas as reivindicações sobre o segundo uso médico sobre patentes farmacêuticas. A segurança jurídica dos titulares, dos investidores e da própria sociedade não deve ser afrontada com a promoção da redução de interesses da iniciativa privada, eis que esta tendência prejudica a acessibilidade, o que, diretamente, atinge o desenvolvimento sustentável.

DOS POLIMÓRFICOS
Preliminarmente, frise-se o mencionado quanto à importância dos critérios de patenteabilidade e quanto ao conteúdo da abordagem do que seja interesse público. Para adentrar-se ao esclarecimento dos polimorfos, é necessário que se compreenda, preliminarmente, o contexto do desenvolvimento de um fármaco. Inicialmente, tem-se que a ação sobre o consumidor depende da concentração plasmática ou de níveis adequados da substância nos tecidos, terapeuticamente efetivos, sem efeitos colaterais do tipo tóxicos, por um lapso temporal. Para tal, é necessário que o responsável pelo desenvolvimento do fármaco tenha conhecimento absoluto de sua racional formulação.
O desenvolvimento dessa formulação envolve o conhecimento das propriedades físicas e químicas da ou das moléculas a comporem a constituição do fármaco (pré-formulação). Observe-se, por exemplo, que a forma de exteriorização do produto pode afetar as características da molécula em matéria de solubilidade, estabilidade, higroscopicidade, dentre outras.
Na fase da pré-formulação o produto inovador utiliza-se de pequenas quantidades de amostras, composto novo ou desconhecido, inexistência de dados sobre a substância e esta poderá ou não passar para a etapa seguinte do desenvolvimento. Diferentemente ocorre com o produto genérico ou similar, eis que a amostra é em quantidade, a substância é conhecida ou já utilizada, os dados estão na literatura e é uma tarefa relacionada com o desenvolvimento de uma nova formulação, a qual deve produzir os mesmos efeitos, com a mesma dosagem e dentro de um critério temporal identificado. Estes experimentos fazem-se necessários para garantir a estabilidade, segurança e eficácia do produto, obtendo-se uma biodisponibilidade adequada do produto relacionada à finalidade médica.
A forma mais usual de exteriorização do medicamento é em meio sólido – ou por meio de amorfos (átomos e moléculas distribuídos aleatoriamente) ou cristalinos (átomos e moléculas que formam estruturas tridimensionais). Os sólidos amorfos são obtidos por precipitação ou liofilização; possuem nível de energia mais elevado, em virtude da solubilidade e da velocidade de dissolução; e, produzem formas mais estáveis.
Estas estruturas podem ser formadas naturalmente ou por incidência da atividade humana (purificação), neste caso pode-se tratar-se de uma invenção, diferentemente da primeira que é uma descoberta, já que ocorre apenas uma acomodação de várias moléculas de uma substância em uma estrutura tridimensional específica durante a formação dos sólidos. Esta possibilidade de participação humana dá-se pelo desenvolvimento de certas condições climáticas referentes ao meio de cultura.
Necessário é demonstrar que a forma polimórfica de uma determinada substância química difere da que existe no estado da técnica por meio de relatório descritivo completo das novas formas polimórficas, de acordo com as tecnologias inerentes a sua perfeita caracterização. Parece simples, mas é o suficiente, eis que não há conhecimento geral que torne possível a previsão das propriedades de um polimorfo; não há como prever, pelos conhecimentos comuns, quais são os novos efeitos técnicos obtidos, pois isto somente será conhecido quando as formas polimórficas forem identificadas, caracterizadas e testadas para os efeitos desejados. Uma forma polimórfica nova e provida de atividade inventiva, em princípio, não garante atividade inventiva à composição que a contenha, necessária à interferência do desenvolvimento humano.
Para melhor exemplificar o referido processo de obtenção do polimorfo, é necessário que se indique a concentração das diferentes soluções utilizadas que sejam críticas para o processo; os solventes; a taxa de resfriamento; o tempo; a temperatura dos diferentes estágios do processo; e, torque ou adição de sementes da forma cristalina desejada. Percebe-se que a expressão “forma polimórfica” também não pode ser o foco das discussões, mas sim se o produto final alcança os critérios para a concessão da patente.

CONCLUSÃO
Opina-se pela permanência da concessão de patentes sobre o segundo uso médico e sobre as formas polimórficas quando estas alcançarem os requisitos para a referida concessão. Desta forma, está o Brasil a acompanhar a construção internacional e nacional dos direitos da Propriedade Intelectual. Bem como apresentar-se como mercado consumidor aos interessados na proteção de produtos decorrentes de segundo uso médico ou formas polimórficas. A acessibilidade de medicamentos não é impedida por nenhum daqueles produtos, mas sim pela ausência de políticas públicas, de parcerias entre Estado e empresas e pela execução das flexibilidades internacionais, tais como o licenciamento compulsório e o medicamento genérico.
 

 

Patrícia Luciana de Carvalho é assessora jurídica da Agência USP de Inovação da Universidade de São Paulo e professora de Direito Internacional e de Propriedade Intelectual.

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MTM1Mon, 29 Jun 2009 17:26:29 -0300
<![CDATA[A internet é inovadora?]]>Todos os dias, recebo dezenas de newsletters sobre a internet (comportamento, tecnologia, mercado financeiro...). Percebi que o número de sites na Web é extremamente grande – e novos são criados a cada dia. Sites de vídeos, mecanismos de busca, mapas, redes sociais... Iniciativas feitas por usuários simples ou por empresas (grandes e pequenas).
A variedade de serviços prestados é altíssima. O site Glassdoor, por exemplo, reúne avaliações de empregadores e salários pagos, tudo informado pelo próprio usuário (que fica protegido pelo anonimato). Já o Hotpads faz uma lista de residências para vender ou alugar – o site organiza tudo em mapas ou listas (o serviço só está disponível nos EUA).
Posso citar uma lista colossal de sites, como Strands, de recomendação; Twiddict, que publica posts no Twitter; Totspot, uma rede social para crianças; Branddoozie, que cria marcas e logos; ou Tipjoy, onde se dá gorjetas a determinado domínio. Usei apenas sites de língua inglesa, já que a produção nacional nem se compara às iniciativas dos estrangeiros. No entanto, isso não quer dizer que ela não exista: temos o Sonico, uma rede social latina; Wikicrimes, mapeamento de crimes no Brasil; Vcvai, guia de sugestões.
O local de origem não é importante; importante é perceber o caráter democrático da Web. Com as novas tecnologias de informação e comunicação, tornou-se fácil pôr em prática ideias antes complexas de produzir. Todos podem criar.
Mas até que ponto são realmente criações? Inovações? Será que precisamos desses serviços? O que define o sucesso de um sobre o outro?
Sites que disponibilizam vídeos existem aos milhares: Veoh, Hulu, NewTeeVee, My WeShow, Current TV, e por aí vai... E muitas vezes os vídeos disponíveis em um site são links para outro (My WeShow usa vídeos do Youtube). Redes sociais são criadas constantemente: Hi5, Orkut, MySpace, Facebook, LinkedIn, Plaxo. O número de blogs cadastrados no Technorati ultrapassa os 100 milhões!
Quem usa tudo isso?
A causa (e consequência?) dessa inundação de projetos de inovação é a segmentação do conteúdo – serviços cada vez mais específicos são criados com o objetivo de atingir um público diferente. O Facebook, como rede social, faz bem o seu trabalho, entretanto atingir um nicho mais específico é vantajoso (não posso afirmar que seja estratégico economicamente, porque muitas iniciativas ainda não encontraram um modelo com retorno financeiro decente – o Youtube é um exemplo). Para atingir um público mais segmentado, temos o LinkedIn, uma rede social voltada para o campo profissional.
(Cabe aqui uma observação sobre a criação de novas redes sociais. O uso das comunidades dentro dos sites de relacionamento é um demonstrativo do sucesso da segmentação. Há comunidades com mais de 40.000 membros no Orkut, por exemplo. Percebendo esse comportamento, o que antes seria uma comunidade passa a ser um site exclusivo, como o Footbo, sobre futebol, ou o Greenopolis, sobre amigos do meio ambiente.)
É estratégico especificar mais a fim de atingir as pessoas certas para o seu negócio (sim, a internet é um imenso negócio ou um negócio em potencial). O macete é atacar os 80% dos usuários marginalizados pela lei de Pareto (que, aplicada, afirma que 80% do lucro vêm de 20% dos produtos), ou as minorias da Cauda Longa.
Infelizmente, os desenvolvedores de site decidiram aderir à individualização adaptando algo já existente. Para que inventarmos a roda se podemos apenas moldá-la ao terreno?
É mais fácil criar um modelo sobre outro que já funcionou. Não quero dizer que na internet não há nada original; no entanto, boa parte do que surge hoje em dia é mera cópia cheia de glamour.
O que é o Twitter senão um blog com limite de caracteres? Eles chamam de microblogging. A proposta inicial é saber o que se está fazendo (obviamente, as pessoas encontraram uma utilidade melhor para essa “ideia”), mas isso já conseguimos fazer através de redes sociais, MSN, blogs... Por que criar um Twitter? Não será surpresa se alguém, no futuro, criar um nanoblogging, com limite de uma palavra (de preferência um gerúndio) e slogan: “O que você está fazendo agora, nesse exato minuto, nem um segundo depois?”
Outro exemplo clássico são os sites de busca. O Viewzi busca os resultados no Youtube, Veoh, Blinkx, Yahoo, Google, Flickr, Wikipedia, MSN, Ask, Ebay, Amazon... O diferencial é a forma como o resultado será exibido. Neste caso, o usuário opta por texto simples, vídeo, foto 3D, foto 2D, web screenshot etc.
O Viewzi, como inúmeros outros aplicativos da Web, não é inovação. Não merece ser chamado de ideia original, pois sua funcionalidade depende de outros mecanismos – além de ser mais um na sua área. A ânsia por uma fatia da internet faz com que, todos os dias, surjam novos blogs, redes sociais, microblogs, mashups e uma infinidade de serviços idênticos (para não dizer completamente inúteis).
As pessoas apostam nos seus aplicativos como um próximo Google ou My Space e torcem que caiam nas graças de uma megacorporação que criará uma forte campanha de marketing e todo o contexto especulativo sobre seu real valor. O risco de banalização dos aplicativos só cresce com isso – afinal, criar um “UsTube”, por exemplo, serve para quê? Suprir a necessidade do usuário ou do desenvolvedor que quer um espaço?
Não diminuo a importância da iniciativa, ataco somente o excesso com objetivos mercadológicos. A inovação não está em produzir, e sim em formular algo inédito com real funcionalidade.
Por enquanto, a Web 2.0 renova mais do que inova.
 

Gustavo Audi é especialista em mídias digitais e servidor da Fundação Oswaldo Cruz

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MTM0Fri, 19 Jun 2009 12:48:23 -0300
<![CDATA[Crise, patentes e inovação]]>A crise da economia global envolveu o Brasil mais do que se esperava. Via o crédito e as exportações, principalmente com a queda das cotações de commodities e do movimento do comércio internacional, está se estendendo a toda a economia. A indústria teve forte retração no último trimestre do ano passado e, embora mostre alguma recuperação relativa no primeiro trimestre deste ano, é certo que teremos uma nova queda da participação do setor manufatureiro no PIB. Dos 27 setores industriais, apenas dois escaparam dessa contração e registraram expansão: o de celulose e papel (0,4%) e o de aeronaves (6,7%), este último considerando compras efetuadas antes da crise. Não por acaso, setores em que o Brasil detém o domínio da tecnologia.
Mas a crise ainda é maior nas economias desenvolvidas e nos países emergentes mais dinâmicos como a China, que amarga uma queda das exportações pelo quinto mês consecutivo. A retração ocorrida nos países mais ativos no comércio mundial abre-nos uma oportunidade de ganhar espaços internos e externos para nossas manufaturas, desde que a nossa indústria desenvolva e agregue inovações atendendo a demandas de consumidores.
Essa agregação pode ser avaliada pelos indicadores de desenvolvimento tecnológico nos anos recentes. Um deles é o comércio exterior. Enquanto os manufaturados correspondem a apenas 35% de nossas exportações, na China essa parcela é de 90% e na Índia é de 70%. Ou seja, exportamos principalmente commodities, cujos preços não dependem do desempenho do agronegócio nem das empresas de mineração brasileiras.
Mas o mais grave é que as importações que pesam na nossa balança comercial são de produtos com alto conteúdo tecnológico, como os eletroeletrônicos, cujo déficit, em 2008, chegou a US$ 22 bilhões, crescendo 35%. O dos produtos químicos subiu para US$ 23 bilhões, em 2008, com alta de 76%. O de máquinas e equipamentos elevou-se 127% para US$ 11 bilhões. Ou seja, nos três principais setores, acumulamos um déficit de US$ 56 bilhões, com crescimento total de 70% em apenas um ano.
E como foi o comportamento das patentes,  principal indicador de inovação tecnológica? Como essas só valem no país da outorga, considera-se o maior mercado, ou seja, os EUA. Em 2008, foram concedidas apenas 101 patentes para o Brasil pelo USPTO (sigla em inglês do escritório de patentes norte-americano), contra 1.546 para a China, 636 para a Índia e 152 para a Malásia.
Na soma do quatriênio 2005-2008, que compensa os efeitos das oscilações anuais, verifica-se que tivemos 389 patentes concedidas, contra 511 para a Malásia, 2.046 para a Índia e 4.321 para a China. A comparação com o quatriênio anterior (2001-2004) mostra que a Índia cresceu 81%, a China 93% e a Malásia 128%, enquanto o Brasil caiu 12%, mantendo a tendência de queda de 13% no triênio terminado em 2007 e de 10% no triênio terminado em 2006. Não aumentando as patentes, licenciamos as dos outros, o que gerou um déficit de mais de US$ 5 bilhões no balanço de pagamentos.
Os déficits e o não crescimento de patentes significam declínio da tecnologia própria, mesmo após uma década de vigência das leis de fomento. Não se atribua à falta de recursos, pois os recolhimentos carimbados para ciência e tecnologia cresceram, pelo menos, três vezes na década, retirando hoje do setor produtivo cerca de R$ 3 bilhões através da Cide sobre pagamentos de tecnologias e royalties sobre concessões.
As leis destinaram esses recursos a fundos setoriais há cerca de uma década e, nos últimos quatro anos, também a editais de subvenção econômica para “desenvolvimento de produtos e processos inovadores em empresas nacionais” (artigo 19 da Lei de Inovação). Entretanto, apenas 15% dos recursos são repassados às indústrias e de modo altamente discricionário e ineficiente para o desenvolvimento tecnológico do País.
Para aproveitar a oportunidade da crise e reverter essa tendência, precisamos inovar em todo o tecido industrial, e para tanto há que aplicar com eficácia, e de maneira universal, os recursos disponíveis, com procedimentos corajosos e ousados de efetivo compartilhamento Estado-empresa produtora do risco tecnológico, para mobilizar toda a indústria brasileira em direção ao desenvolvimento de inovações que lhe dêem a competitividade necessária.

Roberto Nicolsky é físico e diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec)

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MTQ2Mon, 13 Jul 2009 10:37:42 -0300
<![CDATA[Hora de plantar e colher inovações]]>A última vez que o mundo foi desenhado, fato que ocorreu durante a revolução industrial, mudamos praticamente tudo, a maneira como trabalhamos, moramos, comemos, o nosso lazer, transporte, como educamos nossos filhos, etc. Tudo isso foi feito, mas esquecemos de um pequeno detalhe: o meio ambiente. Agora, com a evolução da tecnologia e do modelo de produção, estamos redesenhando tudo novamente. Desta vez, mais atentos ao meio ambiente, pois estamos aprendendo que os recursos são finitos e precisam ser cuidados.
Estamos vivenciando a maior revolução pela qual a humanidade já passou. A mudança de um mundo em que a riqueza é baseada no fazer coisas, para um mundo em que a geração de riquezas está baseada no pensar, servir e aprender. O escritor Alvin Toffler já abordava o assunto na década de 70.
Inúmeros sinais dessa mudança já estão presentes na nossa sociedade. Até pouco tempo atrás, quando consumidores usavam um produto ou serviço que não funcionava bem, achavam que o problema estavam neles, que não eram inteligentes o suficiente para operar um aparelho ou entender um serviço. Hoje, os consumidores não pensam mais assim. Agora, acham que a culpa é do produto ou serviço, que o problema está na empresa. Parece uma simples transferência de culpa, mas o impacto dessa mudança é fundamental. A sociedade tem mais acesso a informações e está cada vez mais conectada. Nossa tecnologia é cada vez mais mutável e produz novidades em uma velocidade nunca antes vista.
A única certeza é de que a regra do jogo mudou. As velhas fórmulas não funcionam neste novo contexto. O sistema está se auto-alimentando e exigindo monitoramento e respostas quase que instantâneas. Organizações e pessoas estão sem saber como agir.
Em meio a essa extrema competição, quem não for capaz de se reinventar, de mudar tão rápido quanto o contexto, de encontrar novas fontes de lucro antes de as existentes acabarem, ficará obsoleto. Empresas realmente não têm escolha, precisam inovar. Inovação é o que cria diferenciação, que é a mesma coisa que se distancia da concorrência. Inovar está ligado à criação de algo novo que se torna amplamente adotado. A linha que demarca o que é inovador ou não é, sem dúvida, a aceitação dos consumidores.
Apenas falar sobre inovação não faz com que inovação aconteça. Inovação é o fruto de um processo que requer todo um complexo ecossistema. Uma boa analogia é o plantar. Inovar requer sementes, que seriam as mentes das pessoas onde todas as conexões acontecem. Requer uma liderança atenta em criar condições certas, o solo fértil, a cultura certa, para que as inovações brotem. Assim, como em agricultura não conseguimos garantir que iremos ter safra, em inovação não existem garantias, há dias de sol e dias de chuva. Não existem fórmulas. Em meio a tudo isso, é preciso pensar a oferta e a demanda de inovação. Qualquer agricultor sabe que precisa plantar a próxima safra.
Cada vez mais é preciso que os processos de inovação funcionem a todo vapor. Quem tiver uma boa ideia hoje e não a implementar logo, corre o risco de ser passado para trás pela concorrência, que agora é global. Porém, muitas organizações enfrentam problemas, não porque os competidores foram melhores, mas porque elas erradamente acreditam em mitos. Coisas do tipo, inovação é apenas para quem trabalha com alta tecnologia ou inovação é apenas para empresas de grande porte. E assim, não plantam e, por isso, não colhem.
Inovar é pensar e criar o futuro. Requer mudanças, provocar mudanças e gostar de mudanças. A novidade é saber navegar nessa complexidade sem se perder. Há várias opções para as organizações que desejam se preparar para inovar sistematicamente. Algumas empresas brasileiras estão fazendo exatamente isso, montando laboratórios de inovação, investindo em novas metodologias e ouvindo opiniões externas. Mesmo em tempos difíceis, alguns sabem que precisam investir nas questões “para quem fazer”, “o que fazer” e “por que fazer” e não apenas com a questão “como fazer”. Frente a esse cenário, uma única coisa é certa, apenas as organizações que estão plantando e preparando o terreno hoje, vão colher inovações amanhã.

Charles Bezerra é diretor-executivo do Gad'Innovation com PhD em design pelo Illinois Institute of Technology 

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MTcwFri, 09 Oct 2009 10:57:29 -0300
<![CDATA[O olhar inovador]]>Acho que todos nós já ouvimos, mais de uma vez, a história de uma entrevista feita com um artista, na qual o entrevistador teria perguntado algo mais ou menos assim: – Como foi que o senhor fez esse cavalo, essa escultura, essa obra? O artista teria respondido: – Eu não fiz. Apenas tirei do mármore, da pedra, da madeira o que não era cavalo, pessoa, objeto.
Não importa se a entrevista existiu, quem era o entrevistado ou o entrevistador, na minha percepção, a história traz uma dica importante sobre a inovação.
O artista viu a obra no bloco bruto de madeira, pedra, mármore. Ele então não fez a obra, ele viu a obra que a natureza já havia feito.
Há um artista plástico no estado do Espírito Santo que recolhe galhos de árvore e pedaços de madeira no mato e, apenas os dispondo de certo jeito, faz com que vejamos figuras de animais e objetos.
Ele vê essas figuras ou a possibilidade delas, quando os galhos e os pedaços de madeira ainda estão no mato, misturados à folhagem.
Inovar então é ver. É enxergar possibilidades novas a partir de arranjos, disposições e combinações inusitadas.
É possível aprender a ter esse olhar. É possível treinar essa forma de pensar. É possível aprender sobre os modelos mentais e utilizar esse conhecimento para produzir inovação.
Uma forma fácil de nos aproximar desse aprendizado é reparar nos poetas. Eles usam analogia, linguagem metafórica para fazer referências a suas histórias e a histórias de amor, ligando fatos que não estavam logicamente relacionados.
Tenho duas amigas e parceiras de trabalho – Bia Machado e Olga Modesto –. Elas criaram um método chamado caleidoscópio e ensinam grupos a conhecer e a trabalhar com os modelos mentais, exercitando as habilidades que eles conferem e aprendendo a lidar com possibilidades inovadoras.
Lembro de um trecho de uma canção popular na qual o autor deseja ter “o sentimento do Caboclinho Querido(*) que vê um mundo de sonhos onde eu só vejo um vestido.”
 

Mário Castelar é publicitário, consultor em comunicação e marketing e autor do livro “Marketing da Nova Geração – como competir num mundo globalizado e interconectado” e do blog www.pontoparagrapho.com.br.


(*) Caboclinho querido: apelido do cantor e compositor Silvio Caldas.

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjA3Thu, 17 Dec 2009 17:44:50 -0200
<![CDATA[LANCE: gestão inovadora para acesso a medicamentos mais baratos]]>Lançado em novembro deste ano, o Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LANCE), vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atua em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), o Ministério da Saúde, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Este laboratório público funciona também como centro de pesquisa e conta com o apoio de vinte e seis pesquisadores, os quais voltam suas atividades para a produção em grande escala de células-tronco embrionárias, as quais serão, em parte, fornecidas gratuitamente a laboratórios previamente credenciados, bem como para aplicação terapêutica, a exemplo contra a doença de Parkinson.
Na prática as universidades produzem e multiplicam as células-tronco embrionárias; enquanto que as demais entidades financiam e estabelecem diretrizes a serem alcançadas pelo empreendimento. Tudo em conformidade com a Lei de Biossegurança n.º 11.105, de 24 de março de 2005, que autoriza o uso de células-tronco de embriões humanos para pesquisas e que em 29 de maio de 2008 foi declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido de que esta prática não viola a vida e nem a dignidade humana, desde que os embriões, quando viáveis, não sejam destruídos para a retirada das células-tronco. Sobre este aspecto, depreende-se da decisão da Suprema Corte que o material de onde se extrai as células-tronco não tem vida, não se enquadra na condição de nascituro, já que são inviáveis à constituição de vida humana e destinam-se ao descarte. Portanto, melhor que sejam aproveitadas em pesquisa.
Mas porque tamanho interesse pelas células-tronco? Em conformidade com os ensinamentos da médica geneticista e pró-reitora da USP, doutora Mayana Zatz, os materiais correspondem a células com capacidade de gerar cópias de si mesma e com potencial de diferenciação em vários tecidos. Dentre as espécies a mais importante é a célula-tronco pluripotente, que se diferencia em quase todos os 216 tecidos humanos, excetuando-se apenas a placenta e os anexos embrionários. A dúvida é: como conseguem essas células no embrião humano se determinarem como de um específico tecido (sangue, osso, fígado e nos demais)?. Em laboratório, a exemplo do LANCE, consegue-se colocar substâncias diferenciadoras em “cultura” de células-tronco in vitro, as quais proporcionam o resultado esperado, ou seja, a formação de um determinado tecido. Por sua vez, quanto à natureza importam as células-tronco embrionárias, já que estas possuem a maior capacidade de diferenciação, que não são adultas e possuem o maior número de células pluripotentes. Destacam-se, assim, as células-troncos embrionárias, pela capacidade de reprodução e de diferenciação.
Essas células podem ser obtidas através do corpo humano, da clonagem terapêutica e de embriões descartados. A de menor importância é a que advem do corpo humano, já que é obtida a célula-tronco do tipo adulta, a qual, por não ser embrionária, possui limitação no processo de multiplicação e diferenciação. Não se ignora a importância, já que a multiplicação e a diferenciação são os elementos primordiais para a celeridade e eficiência da pesquisa e da aplicação em terapias. A decorrente da clonagem terapêutica é fruto de manipulação genética voltada à produção de embriões. Nessa manipulação, se obtém primeiro células do tipo totipotentes, e apenas na segunda fase da manipulação é que se obtém as do tipo pluripotentes, aquelas que possuem alta capacidade de diferenciação nos 214 dos 216 tecidos humanos. Ou seja, necessário que primeiro produza-se os embriões, para somente depois aproveitar-se da capacidade destes de se multiplicarem e diferenciarem. Situação que por certo absorve maior tempo e investimento. Por sua vez, a obtenção através dos embriões descartados –, que são aqueles inviáveis à constituição da vida humana – , corresponde à economia de tempo e de dinheiro, eis que alcança diretamente das células embrionárias o material propício à multiplicação e diferenciação.
Através das células-tronco embrionárias, que são células primárias ou originárias, o objetivo do LANCE é promover o desenvolvimento de tecidos/órgãos, para que esses se prestem à terapia de doenças, no sentido de regenerarem o tecido adoecido. Tudo isto aproveitando da capacidade dessas células de se multiplicarem e de se diferenciarem, além do fato de estarem disponíveis, descartáveis.
A médica Alexandra Vieira, pesquisadora do Instituto do Coração, em São Paulo, indica como vantagens dessa aplicação no caso de doenças do coração, a reposição do tecido isquêmico com células cardiácas saudáveis; osteoporose, repopular o osso com células novas e fortes; Parkinson, reposição das células cerebrais produtoras de dopamina; diabetes, infundir o pâncreas com novas células produtoras de insulina; cegueira, reposição das células da retina; medula espinhal, reposição das células neurais; esclerose, geração de novo tecido neural ao longo da medula; distrofia muscular, reposição do tecido muscular; e, osteoartritre, desenvolver nova cartilagem.
Essa empreitada que une entidades federais e estadual, de modo imediato determina o know-how nacional em pesquisa de células-tronco, colocando o Brasil entre os poucos no mundo com específica capacidade e entre aqueles que permitem o aproveitamento dessas células para pesquisa e terapia, a formação de pessoal altamente especializado, o acesso não apenas do LANCE, mas de outros laboratórios, de modo gratuito, a estas células e a disseminação do conhecimento, propiciando, desta forma, o desenvolvimento e a acessibilidade de modo difuso. Indiretamente o LANCE coloca o Brasil diante de um “mundo novo”, eis que inicialmente volta-se com maior destaque ao tratamento da doença de Parkinson, mas diante do natural desenvolvimento tem-se a possibilidade terapêutica para outras enfermidades. Traduzindo-se em meio pelo qual o Brasil promoverá o acesso à vida, à saúde e à dignidade. Por outro lado, promoverá também o desenvolvimento econômico, de modo sustentável, em um setor de alta tecnologia e extremamente valorizado pela biotecnologia. Para tal, é necessário que o conhecimento produzido seja protegido de modo exclusivo pelo LANCE e pelos parceiros em pesquisa e desenvolvimento.
Os direitos de propriedade intelectual serão devidamente protegidos, afastando a usurpação do conhecimento gerado por terceiros de má-fé, principalmente no âmbito de um empreendimento que funciona como uma “rede” no fornecimento de células. Representa também uma forma de joint venture, que reúne entidades que complementam suas competências para a consecução de um fim comum, obtendo ganho de tempo, de pessoal especializado e de investimento. Nessa proposta de atuação, sugere-se que no médio prazo essa parceria alcance a iniciativa privada, para que de uma forma acelere a produção de novas técnicas e medicamentos menos onerosos para a sociedade.

Patrícia Luciane de Carvalho é consultora jurídica em Propriedade Intelectual e autora de Patentes Farmacêuticas e Acesso a Medicamentos.
 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjExMon, 04 Jan 2010 16:32:56 -0200
<![CDATA[Crescimento insustentável]]>Felizmente o Brasil já superou os principais reflexos da recente crise econômica mundial. Mas mesmo assim a economia brasileira, que entre 2006 e 2008 cresceu a uma taxa média de cerca de 5% ao ano, em 2009 não repetirá esse desempenho e deverá até encolher um pouco, conforme as estatísticas irão mostrar. A questão a se discutir, portanto, é se o modo de crescer que o governo vem praticando é sustentável.
O crescimento brasileiro tem sido puxado, principalmente, pelos produtos agropecuários, extrativos e primários. São as chamadas commodities, de muito pouco valor por unidade física. Crescemos também produzindo para o mercado interno mediante a expansão do crédito, o que levou famílias a consumir mais, mas também a aumentar muito o seu endividamento. O inconveniente desse tipo de crescimento é que ele se sustenta no crescimento, bem mais acelerado, de outros países como a China. Os preços de commodities são definidos pela demanda do mercado mundial, e se nos últimos anos têm estado elevados é porque a China compra muito. São fatores que fogem ao nosso controle e qualquer mudança pode paralisar o nosso crescimento, como aconteceu este ano.
Esses fatores, em conjunto com a apreciação do real frente ao dólar, geram uma forte pressão de substituição da produção interna por produtos importados, principalmente aqueles de maior intensidade tecnológica e maior valor agregado. Ou seja, exportamos cinco toneladas de soja ou quatro de minério de ferro pelo preço de um laptop, cuja produção gerou muito mais empregos e renda. A indústria brasileira de transformação, que agrega tecnologia e deixa o produto pronto para o consumidor final, está crescendo bem menos do que o PIB. A nossa economia é cada vez mais produtora de commodities agropecuárias e minerais, de produtos básicos e de serviços simples, como o comércio.
A indústria instalada no país, seja eletrônica, farmacêutica, de máquinas e equipamentos etc, importa mais e mais componentes com os quais finaliza ou monta os produtos, sem que o governo aja na defesa da renda e dos empregos industriais. Já tivemos a quinta indústria de bens de capital do mundo e hoje temos apenas a décima quarta, com muito menos conteúdo tecnológico próprio. Isto é a desindustrialização! Entre 2006 e 2008, o déficit do comércio exterior em produtos de maior valor agregado e alta intensidade tecnológica quadruplicou, alcançando 51 bilhões de dólares, enquanto exportávamos cada vez mais commodities.
A conseqüência desse arremedo de política industrial é que o crescimento da indústria de transformação tem sido inferior ao do PIB. Só em 2008, enquanto a produção interna bruta total cresceu 5,08%, a indústria de transformação registrou um acréscimo de apenas 0,85%, perdendo quatro pontos percentuais de participação no PIB, o que significa menor oferta de empregos de qualidade nos centro urbanos e menor massa salarial na economia.
Mas é possível crescer mais do vimos crescendo? Claro que sim, pois esse é o desempenho de países como China e Índia, que têm crescimento entre 9% e 11% por ano puxado pelas suas manufaturas. Durante a crise que acarretou a redução do nosso PIB no primeiro semestre deste ano, a China cresceu 8,9% e a Índia 6,5% ao ano.
Como seria possível termos um desempenho semelhante? Colocando o nosso foco no desenvolvimento rápido da indústria de transformação mediante investimentos na acelerada agregação de inovações tecnológicas com preservação ambiental e sem reduzir as atividades agropecuárias e de mineração. Ou seja, ao invés de apenas esburacarmos cada vez mais a nossa terra e desmatarmos as nossas florestas para fazer pastos ou plantar soja, devemos usar a nossa criatividade para desenvolver e agregar as inovações que o mercado mundial quer em nossos produtos, de uma maneira compatível com a sustentabilidade – as chamadas tecnologias verdes – tornando-nos altamente competitivos e disputando esse mercado até com produtores asiáticos, que ainda não têm uma ação ambiental consistente.
Este é o caminho para o país crescer de modo sustentável: investir pesadamente no desenvolvimento de tecnologia nacional e na incorporação de inovações em nossos produtos para que eles atendam o mercado global, gerando empregos qualificados e renda bem distribuída, sem prejudicar o meio ambiente. Fala-se que podemos crescer mais de 5% em 2010. É possível, se o rápido crescimento da China deixar, pois, como visto, esse modelo é para nós um crescimento insustentável.

*Roberto Nicolsky é físico e diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec)

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjEzWed, 06 Jan 2010 15:05:51 -0200
<![CDATA[Tendências da gestão dos processos produtivos]]>Há 20 anos, uma pessoa que quisesse abrir uma empresa para produzir peças para a indústria automotiva, ia ao bairro do Brás, (em São Paulo), comprava um torno ou uma fresadora de segunda mão, instalava o equipamento no quintal e iniciava uma carreira de empresário. Não é preciso muito esforço para imaginar a qualidade desse processo.

 

Desde a abertura dos mercados brasileiros, no início dos anos 1990, os padrões de produção, bem como os conhecimentos sobre gestão dos empreendedores, se aprimoraram e passaram a considerar o tipo de negócio, o lugar mais adequado para abri-lo, os equipamentos a comprar e a estrutura necessária.

Essa comparação simples é tão verdadeira quanto afirmar que abrir um negócio ficou mais caro. Na realidade, falamos de outro padrão de qualidade, não simplesmente do produto em si, mas da gestão como um todo.

Chamamos de gestão do processo produtivo, a coordenação de atividades integradas que buscam os resultados do negócio como um todo. Não se pode chamar de modismos ferramentas como just in time, kanban, downsizing e six sigma. Existem aspectos importantíssimos que deveriam ser considerados, antes de se considerar os instrumentos disponíveis: a maturidade da empresa ou seu modelo de gestão; a cultura organizacional; e se a metodologia está alinhada com as necessidades.

São muitos os mitos criados nos últimos 20 anos para justificar alguns resultados frustrantes das ferramentas/métodos/metodologias de gestão. Essa é uma resposta simplória para justificar o insucesso. Faz-se necessária uma análise criteriosa, alinhada às estratégias da empresa, antes de se tomar a decisão de implementar qualquer coisa.

Ao ter como base a visão holística, sabemos que todas as partes devem ser consideradas e estudadas para uma boa saúde organizacional e que o processo produtivo não é um fim em si mesmo. É um meio e deve estar alinhado às estratégias da organização.

O filósofo Burrhus F. Skinner, em 1969, chamou a atenção, em seu artigo Manufacturing – missing link in corporate strategy, para o importante papel de operações (manufatura à época) para a estratégia das organizações. Passado todo esse tempo, parece que as empresas não fizeram a lição de casa, uma vez que muito se desenvolveu em termos de estratégias, porém sem a efetiva integração com os processos industriais.

No mundo contemporâneo, a internet traz facilidades aos processos de produção de forma que é possível, em tempo real, iniciar a entrega de um produto, desde a compra de matéria-prima, passando pela produção, até a introdução de questões, como atendimento ao cliente, assistência técnica e manutenção. Um exemplo de sucesso é o caso da Dell, que a partir do pedido do cliente via internet, deflagra um conjunto de processos e atividades, que culmina na entrega do equipamento customizado em dia e horário combinados, assim como a materialização da satisfação do cliente, por meio de pesquisa realizada algumas semanas após a entrega.

A sustentabilidade também toma força e passa a ser tema de busca permanente das organizações, bem como a inovação. Cabe destacar que a inovação, já há alguns anos, não se restringe somente à área de Pesquisa & Desenvolvimento. O conceito, atualmente, é o da organização inovadora, que deve olhar a seu redor e criar possibilidades de diálogo social e competitivo, seja por meio de ações sustentáveis, seja por querer estar à frente da concorrência.

Hoje, a gestão dos processos produtivos não pode deixar de se preocupar com as questões relacionadas ao meio ambiente. E, como forma de identificar e avaliar a eficácia das organizações, há modelos para referência – modelos sustentáveis de gestão organizacional ou modelos sustentáveis para uma gestão inovadora – que permitirão a comparação da situação desejada com as informações coletadas. Dessa forma, melhorias incrementais ou de rupturas podem também ser consideradas nos processos ou nas atividades organizacionais.


* Antonio Tadeu Pagliuso é consultor em Gestão Organizacional, sócio-diretor da Holus Gestão Empresarial e Educacional.

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjE0Fri, 08 Jan 2010 13:49:07 -0200
<![CDATA[Rio: o desafio da inovação]]>O futuro de um país depende da educação de seu povo,de sua capacidade de inovar e manter-se competitivo. As nações que mais inovam são aquelas que investiram no desenvolvimento da pesquisa em ciência e tecnologia,na transposição desses avanços à produtividade e à eficiência de suas economias.
Trata-se de uma decisão política que começa no compromisso com a excelência das instituições acadêmicas como meio para promover a capacitação e o bem-estar do conjunto da sociedade.
Em posição criticamente baixa nos índices globais de inovação e competitividade,o Brasil vem ampliando o esforço nacional para reverter esse quadro.
Pela qualidade de suas instituições de pesquisa,o Rio de Janeiro poderá desempenhar importante papel como polo de alta tecnologia e ajudar o Brasil a fortalecer sua posição de cérebro do sistema produtivo nacional e da sua inserção no mercado global. Em alguma medida,essa evolução poderia ser reconhecida no êxito da política nacional de biocombustíveis,da produção de petróleo em alto-mar,na fabricação de aviões de médio porte,no processamento de dados nas operações bancárias,no sistema de voto eletrônico,entre outros. Mas cabe estendê-la a setores que terão efeito multiplicador e modernizador na economia.
Além de segundo maior PIB do país,posição que se fortalecerá com a expansão dos investimentos em energia,construção naval e transportes,o Rio de Janeiro concentra instituições e recursos humanos que permitiriam o estabelecimento de um eixo Rio-Petrópolis de pesquisa e desenvolvimento de alta tecnologia. O objetivo desse projeto seria a implantação de uma política para inovar processos produtivos e promover capacitação científica e tecnológica em benefício de indústrias e prestadores de serviços. Seriam criados novos nichos de conhecimento para atender às demandas tecnológicas regionais em setores de informação,eletrônica,semicondutores,química fina,biotecnologia,nanotecnologia,fármacos,bioenergia e outros considerados prioritários.
O projeto contribuiria para a geração de novo paradigma de desenvolvimento regional baseado em áreas de ponta.
Como resultado da inovação tecnológica,essa evolução agregaria valor à produção e fortaleceria segmentos industriais e de serviços,tornando-os mais competitivos. Ao mesmo tempo,a difusão do conhecimento favoreceria a diversificação das atividades,evitando concentração excessiva da economia em uns poucos setores. No longo prazo,a economia regional teria assegurada sua sustentabilidade graças à inovação,independentemente da existência desse ou daquele recurso natural.
Instituições como Funpat,Impa,Inpi,INT,Coppe,Fiocruz e Inmetro constituem a base para o êxito do projeto. A estas se somam entidades representativas das classes produtoras,como a Firjan,com interesse em apoiar ou arregimentar apoio empresarial à iniciativa.
O BNDES e a Finep poderiam ajudar no financiamento. Grupo de trabalho sob a liderança municipal e estadual seria constituído para discutir e apresentar,em período razoável,uma política integrada para o lançamento do eixo tecnológico Rio-Petrópolis,com a definição de metas,prazos e fontes de financiamento. As prioridades seriam definidas a partir das carências tecnológicas regionais e nacionais e o impacto do projeto sobre insumos importados e com peso na balança comercial e em serviços que geram desequilíbrio nas contas correntes.
Por basear-se na educação,o projeto terá impacto social e ambiental,dada sua contribuição para o desenvolvimento de tecnologias limpas,repercutindo de forma positiva no exterior.
Atrairá o interesse de empresas nacionais e estrangeiras. O Rio de Janeiro será pioneiro num projeto que dará a medida do compromisso do Brasil de se tornar potência tecnológica.
O Rio de Janeiro possui as instituições e as cabeças necessárias. Constitui uma das maiores concentrações de PHDs do país. Falta,no entanto,articulação desses fatores por meio de políticas públicas,de âmbito municipal e estadual,que viabilizem a ideia do eixo de alta tecnologia na região.
Em apenas uma década,Coreia do Sul e Israel lograram estabelecer projetos semelhantes. O mesmo se verifica nos países nórdicos,como a Noruega,que também se posicionam entre os de mais alto índice de inovação e competitividade no mundo.
 

Sergio E. Moreira Lima é embaixador do Brasil na Noruega.

Fonte: Opinião, de O Globo, 23/01/2010
 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjIySun, 24 Jan 2010 14:37:43 -0200
<![CDATA[O novo que surge do velho]]>Descobrir regras para fazer rearranjos de coisas já existentes é a tarefa que a disciplina da inovação sistemática se propõe

Inovação depende de acesso a uma base de conhecimento acumulado. Uma ideia abre caminho para outra, para outra e outra. Esse processo gera mudança em grande escala na ciência, na economia e na cultura e é o tema de um livro que está repercutindo nos meios empresariais: The Nature of Technology – What It Is and How It Evolves, de Brian Arthur, especialista em inovação. Implicação disso (não tratada explicitamente no livro): se o novo vem sempre do conhecido, poderíamos “fabricar” inovação se houvesse um método para recombinar as ideias existentes na base de conhecimento. Isso está acontecendo. Descobrir regras para fazer rearranjos criativos de forma consciente e deliberada é a tarefa que a nascente disciplina da inovação sistemática se propõe realizar. Olha só: há 10 mil anos, o PIB do mundo era zero. Então, uma tecnologia – a agricultura – habilitou o processo de geração de riqueza. A agricultura veio de elementos que já existiam na paisagem dos humanos da época (terra, plantas, animais) e possibilitou uma explosão de novos arranjos. O PIB passou de zero ao que é hoje graças ao rearranjo de coisas existentes. O microchip é feito de sílica – areia da praia. O microchip é areia rearranjada. A matéria-prima desses “rearranjos” não são novos materiais, nem pessoas especiais, nem novos processos fabris. São processos mentais: ideias canalizadas na direção certa.

Como recriar um circo com menos custos e mais valor para o público? O Cirque du Soleil chegou a uma fórmula inovadora.

Entendendo as operações mentais que produziram soluções inovadoras no passado, podemos criar inovação. Exemplo: o best-seller A Estratégia do Oceano Azul diz o seguinte: quer inovar? Pegue os atributos das ofertas existentes e “tire, ponha, aumente, diminua” um ou mais deles. Assim, sua oferta estará num “oceano azul”, livre da competição entre as que têm os mesmos atributos. No caso do Cirque du Soleil, exemplo do livro, eliminaram-se animais e artistas famosos, introduziram-se música, dança, temas, estética apurada; diminuiu-se o número de picadeiros e aumentou-se o conforto da plateia. Mas como é que nós (que não somos gênios, como os fundadores do Cirque) poderíamos ter concebido algo parecido? O problema era: criar um circo com menos custo e mais valor que os existentes.
Uma contradição. Inovar é resolver contradições. Quem resolveu a contradição “cortar custo e aumentar valor” fez como? A base de conhecimento diz que problemas análogos foram resolvidos usando como direcionador um princípio que a inovação sistemática chama de atmosfera enriquecida. Adicione elementos sensoriais que tornem o ambiente mais estimulante.  Pode ser cor, música, odores, mas tem de enriquecer a atmosfera. É um dos princípios usados pela Southwest Airlines para criar um clima agradável em seus voos, por meio de jogos com os passageiros. É o que está por trás da chamada experiência de compra e o que o varejo usa em modelos como os da Starbucks e Victoria’s Secret. Um circo, lojas de café e de lingeries e uma linha aérea. Base de conhecimento compartilhado, certo?

Fonte: www.clementenobrega.com.br
Clemente Nobrega é físico, escritor, consultor de empresas e autor do blog Ideias e Inovação. 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjMzThu, 18 Feb 2010 16:15:19 -0200
<![CDATA[As conquistas da Protec em oito anos ]]>Editorial

Em 20 de fevereiro de 2002, na Abimaq, em São Paulo, os representantes de 15 entidades industriais associaram-se numa Assembleia Geral para fundar a Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica, a Protec. O ato de fundação foi o coroamento do processo de conscientização e mobilização das lideranças do setor produtivo industrial iniciado pelo nosso artigo-manifesto que, por uma honrosa concessão da direção da Folha de São Paulo, ocupou todo o espaço da seção Opinião no dia 04 de junho de 2001 sob o título "Tração para o desenvolvimento sustentado".
Passados oito anos, avançamos visivelmente e a inovação tornou-se um tema constante da nossa agenda e foi criado um marco legal dirigido ao seu fomento. Cabem, então, duas perguntas óbvias: afinal, que papel exerceu a Protec para a formação do atual cenário da inovação? Quais as novas tarefas para que a inovação tecnológica se torne a ferramenta básica da estratégia de desenvolvimento?
Para responder à primeira pergunta devemos reconstituir o cenário de 2002, o último ano do governo anterior. Havia à época um conjunto de leis perversas para as indústrias, muitas das quais ainda vigentes, que nos motivaram à criação da Protec. A lei de incentivos fiscais, a 8.661/93, exigia um projeto (PDTI) em bases acadêmicas que era analisado por dois ou mais anos pela Finep para autorizar a utilização dos incentivos fiscais. Resultado: não havia demanda, pois a experiência de apenas 196 empresas havia sido desastrosa para quase todas.

Automatismo
A Protec atacou a questão em suas ações iniciais. O seu primeiro Enitec (Encontro Nacional da Inovação Tecnológica) fez o diagnóstico e preconizou a solução: a criação do automatismo, pelo qual a empresa desenvolve suas inovações e deduz os gastos do Imposto de Renda, sem solicitar autorização. Levamos quatro artigos como proposta ao secretário da receita federal, Everardo Maciel, que no diálogo aprovou o conceito do automatismo e os introduziu na MP 66, transformados nos artigos 39, 40, 42 e 43 da lei 10.637/2002 (Mini-Reforma Tributária).
O novo governo não regulamentou de imediato os quatro artigos e transformou-os no Capítulo III da lei 11.196/2005, conhecida como Lei do Bem, mantendo o automatismo com redução da alíquota básica de 100% para 60% e aplicando a lei à empresa que apura lucro real, incluída já na lei anterior. Apesar da restrição, esse incentivo é o que hoje melhor funciona. Teve 130 usuários em 2006, 300 em 2007, 440 em 2008 e espera-se que chegue a 600 em 2009. A renúncia fiscal em 2008 foi de R$ 1,5 bilhão, 10% do investimento em P&D estimado para o setor produtivo. Este é o fomento real de que a indústria dispõe hoje, mas vai crescer!

Subvenção
As leis perversas a que nos referimos acima são as diversas leis que criaram fundos setoriais e especialmente a que criou a Cide sobre pagamentos de tecnologia e o fundo verde-amarelo. Ou não é um real desincentivo tirar recursos do setor produtivo, via royalties e Cide, e alocá-los no FNDCT só para universidades e institutos de pesquisa? Isso foi exposto em artigo anterior, publicado há dez anos. Os fatos nos deram razão, pois hoje temos menos patentes e déficits comerciais maiores em alta tecnologia.
Sendo difícil mudar essas leis perversas, aproveitamos a revisão promovida pelo novo governo na chamada Lei de Inovação que, na versão do governo anterior, tinha tudo menos inovação. Propusemos ao então secretário Francelino Grando a criação do mecanismo do subsídio tal como no artigo 8º do acordo que criou a OMC, na chamada rodada do Uruguai, em 1994.
A ideia era destinar os recursos do FNDCT ao desenvolvimento tecnológico das empresas sem reembolso, já que esses recursos são originários das empresas. A sugestão foi aceita e criou-se o artigo 19 na lei 10.943/2004, a Lei de Inovação. Na Câmara, defendemos o espírito do artigo 19 ainda que com redação alterada, assim como propusemos o inciso IV do artigo 27 para tentar criar uma política de compras públicas como promotoras de inovações.
A sua execução, porém, ainda deixa muito a desejar. Os recursos destinados à subvenção são limitados a 20% do FNDCT por decreto, e a Finep acata como sendo do setor produtivo uma empresas formada na véspera do edital por pesquisadores acadêmicos. Assim, o recolhimento do FNDCT, R$ 3 bilhões em 2008, só é devolvido em algo como 10% ao setor produtivo. O balanço do fomento, então, continua perverso (em R$ bilhão): +1,5 - 90% de 3,0 = - 1,2. Ou seja, o setor industrial paga R$ 1,2 bilhão para as agências alardearem que apoiam inovação! Por fim, a meta atual da Protec e associados é batalhar pela reversão desse quadro absurdo!
BNDES
Ainda em 2003, fomos convidados pelo departamento de química/farmacêutica do BNDES para opinar sobre o programa Profarma que estava sendo construído. Tivemos, então, a oportunidade de propor um segmento para o fomento à inovação, que foi denominado de Profarma P,D&I e lançado em 2004. Entretanto, a nossa proposta fora de fomentar um programa de inovações na empresa no compartilhamento do risco, ou seja, sendo remunerado pelo sucesso. O formato lançado era o de empréstimo (risco da empresa). De qualquer forma, esse programa marcou a entrada do BNDES no apoio à inovação e, em 2006, foi generalizado para todos os setores. Em 2008, porém, o BNDES criou um novo programa de "Participação no Resultado do Projeto", limitado aos insumos estratégicos do SUS/MS. E agora estamos trabalhando para generalizar o conceito para todos os setores e para programas, ao invés de projetos. Há boas perspectivas de se alcançar esse objetivo em diálogos com os técnicos do banco.

Dia da Inovação
Ainda em seu ano de fundação, a Protec propôs ao presidente da República, em audiência no dia 17/10/2002, a criação do "Dia da Inovação" no dia 19 de outubro, dia em que Alberto Santos Dumont venceu o Prêmio Deutsch contornando a Torre Eiffel com o balão dirigível Brasil n.6 , no ano de 1901. O projeto tornou-se lei em 15 de janeiro de 2010 e já foi celebrado pela Protec no VIII Enitec, em 2009. A partir de 2010 será comemorado com um jantar para a entrega pública do Prêmio Inovar para Crescer.
Os fatos acima permitirão que cada um conclua o papel exercido pela Protec na formação do atual marco legal. Mas na nossa visão, a tarefa não está concluída, pois há ainda muito para melhorar na execução e aplicação das atuais leis de fomento. Mas, acima de tudo, há ainda por construir uma nova cultura dos fazedores de políticas públicas para tornar a geração de uma tecnologia nacional a alavanca fundamental do desenvolvimento econômico e social sustentado do nosso País. E a Protec espera poder contribuir para essa meta.
 

 Roberto Nicolsky é presidente do Instituto de Pro-Inovação Tecnológica (Protec).

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjM1Wed, 24 Feb 2010 12:13:19 -0300
<![CDATA[Cidades inteligentes - Inovação tecnológica no meio urbano ]]>Este artigo analisa como o desenvolvimento dos polos de inovação tecnológica pode ser incorporado nos processos de gestão urbana, especialmente em projetos de recuperação de áreas urbanas.

Os polos tecnológicos são comumente analisados pela inserção de processos produtivos inovadores, pela articulação de atores científicos, empresariais, financeiros e políticos e pelos arranjos econômicos locais.

Grande parte desses polos é implantada em meios urbanos que, por despreparo ou desarticulação dos organismos públicos locais, da iniciativa privada e dos centros de pesquisa, perdem oportunidades de torná-los catalisadores de requalificação de áreas urbanas.
Destacam-se, nesta análise, os aspectos dos processos de inovação que trazem consequências para a gestão urbana, procurando saber como é possível otimizar valores de um contexto urbano central de modo a atrair a implantação de um polo de inovação tecnológica e torná-lo, ao mesmo tempo, catalisador de requalificação urbana.
Como estudo de caso, tomou-se a Cidade Multimídia, desenvolvida a partir de 1998 em região central degradada de Montreal. Para isso, analisaram-se seus planos de implementação tecnológica, econômica, política e urbana; foram realizadas visitas técnicas à região; entrevistaram-se responsáveis por órgãos públicos, empresas e institutos de pesquisa envolvidos e estudou-se material científico e jornalístico, em que especialistas debateram o assunto.
O foco de todos os esforços se manteve nas estratégias urbanas adotadas para a implantação do polo e nos instrumentos decisórios e de gestão envolvendo as empresas, a universidade e a cidade, resultando em uma análise dos impactos sociais, culturais e urbanos consequentes do processo de planejamento e implantação adotado.
Demonstra-se que a articulação de políticas nacionais e provinciais com objetivos claros de desenvolvimento socioeconômico ligado a um ramo tecnológico inovador, o diagnóstico de oportunidades de mercado e o envolvimento da escala municipal na atração de determinado tipo de empresa para uma região específica da cidade e na articulação com outros atores, como investidores imobiliários e universidades, podem fazer com que, mais do que apenas um receptáculo, a cidade torne-se a catalisadora do desenvolvimento de um polo tecnológico inovador - tanto pela economia tecnológica quanto pela recuperação de um contexto urbano.


Leia a integra do artigo em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-88392005000100011&script=sci_arttext

Fabio Duarte é professor de pós-graduação em Gestão Urbana, da Pontifícia da Universidade Católica do Paraná.

 Foto: Olívia Teixeira

Fonte: São Paulo em Perspectiva, Print Verson ISSN 0102-8839

 

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjcxFri, 07 May 2010 14:00:09 -0300
<![CDATA[Educar e inovar na sustentabiliade]]>Rodrigo Costa da Rocha Loures, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) lançou o livro Educar e inovar na sustentabiliade, no qual chama a atenção para a natureza essencial da inovação para a sustentabilidade. Dentre suas considerações, destaca que empresas e universidades têm muito a fazer no campo da inovação, mas também muito a se beneficiar dessa interação e da troca de experiências. Atenta ainda que, para além da pesquisa, da inovação, da difusão do conhecimento, ambas têm responsabilidade de incorporar a sustentabilidade em suas estratégias. Defende que essas instituições devem capacitar novas gerações para a gestão e a prática da inovação. "As empresas são o motor da economia. Aqui se decide o que e como produzir. As universidades têm um outro papel – tão ou mais importante – ali se formam as novas gerações. É a determinação e o entendimento acerca da necessidade de assegurar formas sustentáveis de desenvolvimento dessas novas gerações que podem nos trazer esperança num futuro melhor  da humanidade", diz Loures em seu livro.

Paranaense, nascido em Curitiba , Loures tem uma história de mais de 40 anos como empresário e mais de três décadas de atuação na representação institucional do setor alimentício. Foi eleito presidente da Fiep pela primeira vez em 2003 (para o mandato 2003-2007) e reeleito em 2007 (para o mandato 2007-2011). É formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Foi professor na Faculdade de Administração da Universidade Federal do Paraná e na Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Iniciou a vida empresarial em Londrina, na agropecuária. Em 1968, fundou a Nutrimental, empreendimento nascido das pesquisas em tecnologias de alimentos da UFPR, umas das pioneiras experiências de cooperação entre universidade e empresa do País. Hoje, a Nutrimental tem fábricas no Paraná e em Minas Gerais e emprega cerca de 1 mil funcionários. A empresa é líder no mercado nacional de barras de cereais e vice-líder em cereais infantis.
Na área de representação institucional, Loures foi vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA) e presidente da Associação Brasileira da Indústria da Nutrição (ABIN). É vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e integra dois conselhos da Presidência da República – o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT).
 

Disponível no site da Fiep, o livro de 194 páginas pode ser lido em PDF. Acesse: http://www.fiepr.org.br/bibliotecadigital/uploadAddress/FIEP_Sustentabilidade%5B56211%5D.pdf

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjgwTue, 01 Jun 2010 11:50:22 -0300
<![CDATA[O empreendedor brasileiro, a inovação e o mercado ]]>Quando o empreendedor brasileiro enxerga uma oportunidade no mercado e quer iniciar um negócio, o setor de serviços orientados ao consumidor tem a preferência de 70% dos casos. Porém, essa não é uma tendência só do empreendedor brasileiro, de acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2009, nos 54 países participantes do GEM, a maioria dos empreendedores também busca atender o consumidor. O que nos chama a atenção é que o empreendedor brasileiro não é inovador.
Há várias abordagens sobre inovação, mas para a pesquisa GEM são focadas duas medidas: a novidade do produto para o mercado e o nível de competição a ser enfrentado. Esse enfoque é para empreendedores em estágio inicial, aqueles que iniciaram um negócio mas ainda não completaram três anos e meio de rendimentos com o empreendimento.
Na pesquisa realizada pelo GEM no mundo é perguntado ao empreendedor se o produto ou serviço que ele oferece ao mercado é novo, ou já é conhecido pelos consumidores, e se ele enfrenta forte concorrência ou não.
No Brasil apenas 5,5% dos empreendedores oferecem um produto novo, 11% dizem que seu produto ou serviço é novo para uma parte do mercado, e 83,5% (mesma proporção do ano anterior) não consideram seus empreendimentos nem seus produtos ou serviços baseados em inovação. Com relação à competitividade dos negócios, para 67,5% dos empreendedores a concorrência é alta, 26,5% enfrentam uma concorrência razoável, e apenas 6% são pioneiros, atuando em segmentos ainda inexplorados.
Ao analisar essas duas variáveis, combinando a novidade do produto e o tamanho da concorrência, dentre os 54 países pesquisados o Brasil é o que possui empreendimentos com menor conteúdo inovador. Essa constatação mostra que a dinâmica do mercado brasileiro ainda é doméstica. Dados do GEM Brasil também revelam que a maioria (89,5%) dos nossos empreendedores não busca consumidores fora do país. O empreendedor brasileiro “nasce” para atender o mercado interno com produtos e serviços já existentes, sinalizando que ainda há espaço para o crescimento dentro das próprias fronteiras. Por outro lado, a pesquisa demonstra que o empreendedor brasileiro precisa amadurecer, não só para conquistar o mercado externo, como também para buscar a inovação. De qualquer forma, somos um povo empreendedor, e quando os brasileiros empreenderem e inovarem, estaremos alinhados rumo ao crescimento econômico sustentável, melhorando as condições de vida da população.

Romeu Friedlaender Junior é economista do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade  (http://www.ibqp.org.br) e da equipe Global Entrepreneurship Monitor Brasil (GEM).

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=Mjg0Mon, 14 Jun 2010 11:18:38 -0300
<![CDATA[Lições para o Brasil]]>A pesquisa de experiências internacionais comparadas executada pelo Observatório da Inovação da Universidade de São Paulo, patrocinada e recém publicada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), é uma rica fonte de inspiração, pois identifica os pontos essenciais das políticas de inovação praticadas pelos EUA, Canadá, França, Irlanda, Japão, Reino Unido e Finlândia.

As análises mostram que as empresas desses países estão no centro das atenções dos governos; há um forte debate sobre o papel das universidades para o desenvolvimento; existem novas formas de cooperação e diálogo entre os setores público e privado; o Estado desempenha papel relevante na elaboração e implementação de políticas de inovação; e há um forte investimento em educação básica, combinada à educação superior e pesquisa científica.

Essa divulgação chega num momento adequado, pois as propostas destinadas ao Brasil devem ser aproveitadas pelo novo governo que assumirá em 2011.

Os principais obstáculos à inovação no Brasil identificados são: a falta de coordenação entre ministérios e agências na implementação das políticas e dos instrumentos; baixo aproveitamento do poder de compra governamental; burocracia e lentidão na liberação de recursos; incerteza jurídica; desinformação; deficiência de gestão nas empresas e carência de empreendedores; e frágil relação das universidades com as empresas.

Entre as propostas para o Brasil merece atenção a recomendação de envolver cada vez mais as nossas lideranças empresariais nesse processo.

O estudo também propõe formar agentes de inovação; diferenciar a carga tributária para empresas inovadoras e aproximar as universidades das empresas.

No meu entendimento, no entanto, um destaque especial deve ser dado a três propostas. A primeira é a necessidade de montarmos um sistema de apoio às empresas na fase de pré-projeto, de modo a auxiliar as empresas a precisar seus diagnósticos e a formular projetos de maior qualidade.

A segunda é trabalharmos pela ampliação e pelo fortalecimento do mercado de venture capital em todas as suas formas e fases, criando inclusive um fundo nacional robusto para estimular o surgimento de novas empresas. E a terceira é usar o poder das compras governamentais como fonte para o avanço tecnológico e da inovação.

A relevância desse instrumento pode ser avaliada a partir das estimativas do valor das compras governamentais deste ano, que deve chegar a R$ 57 bilhões.

Os resultados do Observatório merecem ser divulgados no meio empresarial e junto a formadores de opinião.

Na próxima etapa, serão apresentados os modelos da China e da Índia, dois países com estratégias de desenvolvimento inovadoras e com os quais temos muito a aprender.

Por todas essas razões, esses pesquisadores devem continuar a "bem observar" o mundo para manter o nosso aprendizado atualizado.

Rodrigo da Rocha Loures é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República
 

Este artigo foi publicado no jornal Brasil Econômico, 30/07/2010.

Para ler a publicação da ADBI, acesse:http://www.abdi.com.br/?q=system/files/mobit.pdf

Fonte: FIEP. Foto: Gílson Abreu
 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzA4Fri, 30 Jul 2010 12:20:06 -0300
<![CDATA[Hora de Inovar]]>Prever os acontecimentos dos próximos anos é um exercício estratégico necessário se desejamos avançar mais rapidamente para atingir o status de nação desenvolvida. E não é preciso ter bola de cristal para ver que o País está diante da maior oportunidade da sua história para se transformar em um protagonista importante da economia mundial.

O Brasil está maduro para trilhar o caminho das grandes potências. Iniciou recentemente uma trajetória de desenvolvimento mais sustentável e duradouro, sobretudo pelo fortalecimento de seu mercado interno. Conseguiu com grande esforço a estabilidade econômica, com inflação controlada, moeda forte, produção crescente e um parque industrial invejável.

Mas ainda há muito que fazer para não desperdiçar a oportunidade para avançar. Temos diante de nós uma extensa lista de prioridades. E uma delas é ajudar as pequenas e médias empresas a se estruturarem em arranjos produtivos locais, em clusters e distritos industriais, a fim de que elas progridam com competitividade.

Nos países desenvolvidos esta é a nova maneira para competir na economia global e para acompanhar as rápidas mudanças no sistema de produção, que busca absorver a constante evolução tecnológica.

De fato. Venho de uma viagem à Espanha, França e Alemanha, onde pude ver a configuração de alguns arranjos produtivos – clusters – que hoje são considerados motores da Europa.

Esses arranjos e clusters nada mais são do que uma fórmula bem-sucedida adotada em vários países para organizar o processo de produção e a cooperação entre empresas, com mais conhecimento, tecnologia e inovação. O cluster é uma concentração de empresas com características semelhantes e que atuam numa mesma região ou localidade.

Os clusters contam com o apoio de políticas públicas de governo, que mobilizam as universidades e centros de desenvolvimento tecnológicos para que as empresas tenham capacidade coletiva para se especializarem e se tornarem mais competitivas.

Organizadas em clusters as pequenas empresas podem crescer porque atuam de forma coletiva, superando, assim, um grande problema que não é o seu tamanho, mas sim a sua solidão, o seu isolamento.

Está comprovado que atuando de forma individual as pequenas empresas são mais vulneráveis, pois se encontram numa posição fragilizada para enfrentar a concorrência. Afinal, não contam com mecanismos e recursos necessários para se tornarem mais competitivas de forma perene.

E é fato também que hoje as empresas precisam ser cada vez mais competitivas. E para isso dependem de estratégias sofisticadas, de muita tecnologia e inovação. Por isso, é fundamental apoiar as cadeias produtivas especializadas, fortalecendo-as em clusters, para que compartilhem vantagens que são desfrutadas por empresas apenas de maneira individual.

O segredo dessa estratégia é aceitar que dentro do cluster embora as empresas compitam entre si elas se complementam e se reforçam mutuamente, pois elevam a competitividade para padrões que as deixam menos vulneráveis.

Ao atuarem de forma isolada as pequenas empresas não conseguem muitas das vezes pagar pelos serviços, informações e tecnologias necessárias para se especializarem e crescerem.

O Sebrae e o governo têm papel fundamental a desempenhar para a disseminação dos clusters no Brasil. O Sebrae precisa retomar com toda força a política de incentivo à implantação de clusters em todo o País, especializando-se na metodologia de gestão desses arranjos. E o governo deve adotar políticas públicas direcionadas a esses pólos de desenvolvimento, mobilizando as universidades e centros de tecnologia de sorte a assegurar aos clusters o acesso a recursos que os fortaleçam, da produção até o mercado final.

Esta é a minha maneira de ver o progresso para as pequenas empresas, uma visão estratégica necessária para que se possa alcançar um futuro mais promissor para a economia brasileira.

Roberto Simões é presidente do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae( em exercício agosto 2010) e da Federação de Agricultura de Minas Gerais (Faemg).

Fonte: Sebrae 

Foto: Gláucia Rodrigues

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzE0Thu, 26 Aug 2010 11:21:31 -0300
<![CDATA[Bebidas saudáveis da Innocent: uma história de sucesso]]>Tudo começou quando três amigos de faculdade, Adam, Jon e Richard, resolveram montar um negócio. O ponto de partida era criar algo que tornasse a vida um pouco mais fácil e um pouco melhor. Depois de muito confabular, surgiu a primeira idéia: uma banheira elétrica, com temperatura e nível da água predeterminados eletronicamente. Em pouco tempo, perceberam que água e eletricidade não combinam muito bem e que poderiam acabar tornando a vida de seus consumidores um tanto quanto mais curta.

Logo depois receberam um conselho que eles fazem questão de passar adiante. Se você está tentando abrir um negócio procure saber exatamente quem é o seu público alvo e entender a fundo o que esse público está querendo. Naquele momento, o único público que conheciam era eles mesmos e se perguntaram, então, o que estava faltando no dia-a-dia deles. Perceberam que havia espaço para algo natural, fresco, saudável e que fosse prático para tornar a vida melhor. Afinal, viviam em áreas urbanas, faziam noitadas, trabalhavam o dia todo, não frequentavam academias e tudo que encontravam para comer tarde da noite eram os tradicionais sanduíches gordurosos. Não seria interessante, concluíram, produzir algo natural e que pudesse ajudar as pessoas a fazer alguma coisa boa para elas?

Foi assim que nasceu a idéia da Innocent, uma marca de sucos e vitaminas naturais, 100% de frutas e sem nenhum aditivo químico, que acabou revolucionando o mercado britânico de bebidas. O primeiro passo dos futuros empresários foi investir 500 libras (cerca de R$ 1.500) em frutas e montar uma barraca de sucos num festival de música na Inglaterra. No alto da barraca penduraram uma faixa com a pergunta: “Você acha que nós devemos deixar os nossos empregos para produzir esses sucos?” Ao lado, colocaram duas latas de lixo, uma com a resposta “sim” e a outra “não”, e pediram para que as pessoas votassem com seus copos vazios. No final do festival, o retorno foi extremamente positivo. No dia seguinte, os três pediram demissão de seus empregos e passaram meses correndo atrás do capital de risco. Em 1999, a empresa finalmente entrou no mercado e eles venderam 24 sucos no primeiro dia.

Dez anos depois, a Innocent tornou-se a empresa de maior crescimento no setor de bebidas e alimentação da Grã-Bretanha, conquistou prêmios e credibilidade e hoje vende dois milhões de sucos de frutas por semana. Recentemente, a empresa negociou quase 20% de suas ações para a Coca-Cola em troca de um investimento de 30 milhões de libras (cerca de R$ 90 milhões) para expandir os negócios na Europa. O faturamento da Innocent para 2009 está estimado em 105 milhões de libras (cerca de R$330 milhões).

De acordo com Richard Reed, um dos fundadores da Innocent, a missão da empresa é “deixar as coisas um pouco melhor do que as encontramos”. A meta, entretanto, é obter lucro e a estratégia para alcançá-la está baseada em cinco princípios: 1) produtos naturalmente nutritivos e totalmente saudáveis produzidos somente com frutas; 2) ingredientes produzidos com o melhor padrão ético e ambiental; 3) embalagens recicláveis e biodegradáveis para reduzir o impacto ambiental; 4) baixo consumo de eletricidade e utilização de energia “verde”; 5) distribuição de lucros – 10% do lucro anual da empresa são utilizados para desenvolver projetos em áreas rurais de países produtores de frutas.

Para Richard Reed, um dos segredos do sucesso da inovação da Innocent está na equipe de profissionais que ele conseguiu formar. “A melhor maneira de tornar sua empresa inovadora é empregar pessoas talentosas, criativas e brilhantes, que consequentemente terão grandes ideias. Em seguida, certifique-se de que sua empresa proporcione aberturas, que todo mundo tenha oportunidade de apresentar suas ideias e que todos sejam ouvidos. Certifique-se, também, de que sua empresa esteja receptiva para aqueles com quem você trabalha, sejam eles consumidores ou fornecedores”.

Um exemplo disso está no site da Innocent. Qualquer usuário pode dar sua opinião sobre qual deve ser o próximo passo da empresa. Basta, para isso, preencher um formulário on-line. De acordo com Richard, milhares de pessoas enviam suas sugestões. “Nós lemos e pensamos: ‘essa é uma ideia interessante, as pessoas querem um produto com gengibre’, ou, então, ‘nós nunca pensamos em fazer uma embalagem maior para crianças’ e por aí vai”.

Para comemorar os primeiros dez anos da empresa, acaba de ser lançado em Londres o livro Innocent - our story and some things we've learned. Segundo o site da Innocent, é um livro para qualquer um que deseja começar o seu próprio negócio, renovar o pensamento do seu atual empreendimento ou que tenha ouvido de alguém que sua ideia não dará certo. “Innocent é um negócio que quase não aconteceu (nosso plano inicial foi recusado por inúmeros bancos e investidores) e nós esperamos que ao contar nossa história possamos encorajar outras pessoas a tentarem colocar em prática suas próprias ideias”.

Fonte: www.innocentdrinks.co.uk

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http://www.gentequeinova.com.br/colunas/coluna.php?cln=MTE1Fri, 15 May 2009 10:34:55 -0300
<![CDATA[Moto para combater mosquito da dengue]]>A empresa Ativa Tecnologia, incubada no Instituto Gênesis, da Puc-Rio, desenvolveu uma nova arma de combate à dengue. A invenção, denominada Motofog, baseia-se em uma motocicleta adaptada para pulverizar inseticida em área de risco e de difícil acesso.
O veículo é uma alternativa às tradicionais caminhonetes e apresenta, entre outras vantagens, a redução do custo operacional em até 10 vezes. A inovação deverá ser vendido por R$ 8 mil, enquanto o utilizado em picape custa, em média, R$ 40 mil.
O sistema da Motofog usa energia do motor para gerar o fumacê. A fumaça inseticida sai pelo escapamento junto com os gases da combustão do motor. Segundo André Souza, sócio da Ativa, a tecnologia pode ser usada também para o controle de pragas em lavouras.
 

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http://www.gentequeinova.com.br/colunas/coluna.php?cln=NTI%3DMon, 09 Mar 2009 17:38:38 -0300
<![CDATA[EsalqTec tem primeira empresa incubada]]>A EsalqTec, Incubadora Tecnológica da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP), graduou este ano a sua primeira empresa incubada, a AgroSafety Monitoramento Agrícola.
A EsalqTec opera há 3 anos no campus da USP, em Piracicaba, dando suporte a projetos de inovação tecnológica no agronegócio e abriga, atualmente, 12 empresas. Segundo a Esalq, a graduação da AgroSafety, que atua em análises e monitoramento de pesticidas, simboliza o momento em que a empresa deixa a estrutura da incubadora e se insere definitivamente no mercado, tornando-se uma competidora real em seu segmento de negócios.
A EsalqTec funciona por meio de uma parceria entre Esalq, a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base em moldes do Centro de Incubadoras de Empresas do Estado de São Paulo (Cietec).
A cerimônia de entrega de certificado e homenagens à AgroSafety foi em Piracicaba (SP), ocasião em que foi entregue o Prêmio EmpreendeTec 2009, que condecora profissionais, instituições ou empresas de destaque em inovação tecnológica. 

José Roberto Postali Parra, diretor da Esalq entre 2003 e 2006, recebeu o prêmio na categoria profissional. Já na categoria instituição o premiado foi o Cietec, uma das maiores incubadoras tecnológicas da América Latina.


Fonte: Agência FAPESP
 

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http://www.gentequeinova.com.br/colunas/coluna.php?cln=NTM%3DMon, 09 Mar 2009 17:48:41 -0300
<![CDATA[ONG desenvolve aquecedor de água de piscina com energia solar]]>O crescente aumento do consumo de energia no Brasil gera a necessidade de soluções alternativas para o problema. Segundo a EPE, Empresa de Pesquisa Energética, esse crescimento chegou a 3,8% em relação a 2007.

Diante desse quadro, a ONG Sociedade do Sol, instalada no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) desenvolveu um aquecedor Solar Simplificado de Piscinas, o ASSP.

Aplicável em residências, por meio de materiais de fácil acesso e de custo reduzido, a tecnologia de aquecimento consiste em revestir a superfície da piscina com um plástico transparente, polietileno ou PVC, fixando-o adequadamente nas bordas. O sistema elimina a principal causa do resfriamento da água que é a sua evaporação. Se a superfície não for protegida, uma camada de vapor se forma e refrigera toda a piscina com a brisa. Segundo Augustin Woelz, diretor da ONG, esse sistema de pré-aquecimento solar elimina totalmente o consumo de energia elétrica, gás, bombas térmicas e aquecedores solares. Esse método ‘quebra o gelo’ da piscina, aquecendo-a entre 5ºC e 7ºC”, declara Woelz.

Outra vantagem proporcionada pela técnica é o fato de a piscina coberta acumular menos poeira e folhas, havendo, inclusive, redução na quantidade de produtos químicos aplicados, como o cloro, e economia da energia consumida pela bomba.
Com o objetivo de reunir interessados nessa simples metodologia, acelerando seu desenvolvimento em todo o país, a ONG Sociedade do Sol disponibilizou no site www.sociedadedosol.org.br um manual de utilização que descreve, detalhadamente, os procedimentos para a instalação de um aquecedor Solar de piscinas.

 

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http://www.gentequeinova.com.br/colunas/coluna.php?cln=NjA%3DTue, 10 Mar 2009 15:47:27 -0300
<![CDATA[Petrobras usa artesanato de carnaúba para proteger dutos]]>Artesãos e costureiros do Projeto Carnaúba Viva, com sede em Açu, a 215 quilômetros de Natal, capital do Rio Grande do Norte, estão produzindo mantas em palha de carnaúba para proteger dutos da Petrobras. Elas substituem as lâminas de alumínio até então utilizadas e que, muitas vezes, eram alvo de furtos na zona rural onde os dutos estão instalados.

Quem descobriu o revestimento alternativo, que representa uma economia de 30% em relação ao alumínio, foi o técnico da Petrobras, João Batista Dantas. Foi ele também que inventou as cintas de carnaúba usadas para segurar as mantas em substituição aos grampos metálicos que oxidavam e se rompiam.

Mas, o maior impacto dessa inovação foi social, porque o novo material garante ocupação e renda aos artesãos de Açu, Itajá, Upanema, São Rafael, Pendências, Macau, Afonso Bezerra, Apodi e Mossoró, no Rio Grande do Norte, e para um grupo de Aracati, no Ceará, que também fornece as mantas para complementar a produção norte-rio-grandense.

Para garantir a qualidade dos produtos oferecidos à Petrobras, os artesãos do Projeto Carnaúba Viva foram capacitados com apoio do Sebrae, no Rio Grande do Norte. O trabalho com as mantas de palha de carnaúba deu à ONG Carnaúba Viva o primeiro lugar na categoria inovação social da Região Nordeste, do Prêmio Finep de Inovação Tecnológica.

A carnaúba, planta endêmica do Nordeste brasileiro, é encontrada nas várzeas dos rios, protege os espelhos d’água e os lençóis freáticos, auxiliando no controle da salinidade e barrando vendavais. Suas raízes têm efeito diurético, seus frutos são ricos em nutrientes para ração animal, seu tronco serve de material para construção e as palhas, de onde é extraída a cera – insumo para fabricação de cosméticos, remédios, componentes eletrônicos, produtos alimentícios, ceras polidoras e revestimentos – é matéria-prima para o artesanato nordestino, como a esteira, de origem indígena, e que virou manta protetora dos dutos da Petrobras.
 

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http://www.gentequeinova.com.br/colunas/coluna.php?cln=NTk%3DTue, 10 Mar 2009 15:13:02 -0300
<![CDATA[Novos mercados para o junco]]>O junco, tradicionalmente utilizado na confecção de sandálias e esteiras de praia, vem conquistando novos mercados. Em Registro, no interior de São Paulo, onde descendentes de japoneses cultivam a fibra, uma empresa desenvolveu, com a ajuda de um designer, uma nova linha de produtos, como tapetes e baús, o que aumentou o seu lucro em 50%.

A explicação é simples: sandálias e esteiras de praia são vendidas no verão, enquanto peças de decoração têm mercado o ano inteiro. Como os tapetes e baús são produtos mais elaborados, a empresa teve de investir não só na modernização de seu parque, como também no treinamento e na capacitação dos funcionários.

Para implantar o projeto junco e novos produtos na região, o Sebrae e a Associação Comercial de Registro se uniram há dois anos e, agora, seis empresas participam da empreitada, trocando informações e buscando soluções para problemas comuns.
Uma das razões que levaram os produtores de junco a desenvolver novos produtos foi a concorrência, nas exportações, dos chinelos chineses, vendidos na França, por exemplo, por 38 centavos de euro.

No Brasil, essa quantia não paga nem a sola. O junco é uma gramínea típica do Japão, trazida para o Brasil em 1933 por um imigrante. Durante sete décadas, esse cultivo sustentou os descendentes dos japoneses que se instalaram na região de Registro.

Agora, o desafio dos empresários é usar a fibra natural em outros produtos, como almofadas, pufes, jogos americanos e baús. Tecnologia não é mais problema, pois o Sebrae possibilitou o acesso a equipamentos por meio do programa Empreender.
Depois da união de esforços, que transformou concorrentes em parceiros, o Sebrae produziu um catálogo em busca de novos mercados para o junco, que já deixou de ser exclusivo da praia para entrar em lojas de decoração.
 

Fonte: Sebrae – SP
 

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http://www.gentequeinova.com.br/colunas/coluna.php?cln=NjE%3DTue, 10 Mar 2009 15:58:31 -0300
<![CDATA[Empresa carioca desenvolve central de segurança integrada ]]>Para garantir a segurança na realização de eventos que reúnem um grande número de pessoas – tais como shows ao ar livre, réveillon e blocos carnavalescos –, é necessária a atuação de diversos agentes, como Polícia Militar, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e responsáveis pela engenharia do trânsito. Entretanto, cada uma das equipes é coordenada por seus próprios centros de operações, o que dificulta a troca de informações e a tomada de decisões.

Em busca de uma solução tecnológica para resolver esses problemas e garantir o bem-estar do público nos grandes acontecimentos, a empresa carioca Tecnologia em Sistemas de Comando e Controle  (TecC2), em parceria com o Instituto Militar de Engenharia (IME), desenvolveu o Centro Integrado de Monitoramento e Coordenação Móvel (CIMov). O projeto conta com recursos financeiros do edital Apoio à Inovação Tecnológica no Estado do Rio de Janeiro – 2007, da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

O CIMov é uma central de comando instalada em um micro-ônibus, que recebe informações em tempo real por meio de potentes câmeras e antenas. “No veículo, com ar condicionado, há uma central de monitoramento das imagens recebidas das câmeras e uma central de comando e controle, que recebe as informações sobre ocorrências e na qual os comandantes dos bombeiros, policiais, defesa civil, etc., tomam as decisões, utilizando computadores portáteis e um software que permite a transmissão das informações de vigilância”, explica o engenheiro de computação Ulf Bergmann, professor do Instituto Militar de Engenharia (IME), diretor da TecC2 e coordenador do projeto. O micro-ônibus ainda possui uma potente antena, equipada com câmeras, que recebe sinais via rádio.

Ulf Bergmann explicou que, além do micro-ônibus, existem duas unidades de vigilância móveis (UVM) equipadas com câmeras, aparatos semelhantes a um pequeno reboque que pode ser acoplado em qualquer veículo e, depois, colocado em local próximo, para apoio ao micro-ônibus. “Tanto o CIMov como as UVM não necessitam de fios; toda a sua comunicação se dá por uma rede do tipo MESH, por rádio”, explica Ulf. “Além disso, a energia elétrica necessária para o funcionamento dos sistemas disponibilizados nos três veículos se dá por meio de baterias capazes de funcionar, ininterruptamente, por até cinco dias. Já no caso das câmeras de vigilância, elas alcançam 300 metros de distância em alta resolução e ainda possuem um zoom ótico de 35 vezes”, acrescenta.

Essa proposta de integração das diferentes forças de apoio à realização de eventos numa só central de comando móvel e com vigilância eletrônica é inédita em todo o mundo. O pedido de patente já foi depositado, inclusive, no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI).

O CIMov foi testado com enorme sucesso em fevereiro de 2009, durante o desfile do Galo da Madrugada, tradicional evento do carnaval pernambucano e considerado o maior bloco de rua do mundo, com mais de 1,5 milhão de foliões. Durante o percurso do bloco, foram utilizados o CIMov e as duas UVM, ligadas a 10 câmeras de vigilância eletrônica. “O poder público e os órgãos de segurança do local ficaram tão satisfeitos com o resultado do teste que iniciaram negociações para contratar nossos serviços o ano inteiro. A novidade servirá para outras grandes festas ao ar livre, como os tradicionais festejos de São João, na cidade de Caruaru, festas religiosas e carnaval fora de época”, afirma o engenheiro.

O projeto inicial do CIMov, desenvolvido com o apoio da Faperj, tem até o final deste ano para estar totalmente pronto mas, segundo o engenheiro Ulf Bergmann, deverá estar finalizado seis meses antes, neste mês de julho.

Fonte: Faperj
 

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http://www.gentequeinova.com.br/colunas/coluna.php?cln=NjI%3DTue, 10 Mar 2009 16:05:29 -0300
<![CDATA[Thomas Edison, o gênio]]>Thomas Edison é considerado por muitos o maior inventor de todos os tempos e precurssor da revolução tecnológica do século XX. Afinal, a lâmpada elétrica incandescente, lançada por ele, em 1879, e o aperfeiçoamento do telefone, do fonógrafo e muitas outras invenções de sua autoria, como o gramofone, o cinescópio ou cinetoscópio, o ditafone e o microfone de gânulos de carvão para o telefone, mudaram os hábitos de vida em todo o mundo.Um outro dado importante na vida de Thomas Edison: ele foi um dos primeiros inventores a produzir em larga escala as suas invenções. Seu QI, estimado em cerca de 240, o coloca no patamar de gênio.

Nascido em 11 de fevereiro de 1847, em Milan, Ohio, nos Estados Unidos, Thomas Edison foi com a família para Port Huron, no Michigan, quando tinha seis anos. Entrou para a única escola da cidade, onde foi considerado mau aluno. Três meses depois, saiu da escola e nunca mais voltou a frequentar os bancos escolares. Sua mãe, uma ex-professora, assumiu sua educação e o menino passou a estudar o que lhe interessava: ciências. No sótão de sua casa, montou um laboratório.

Em 1869, mudou-se para Nova Iorque, para se estabelecer como inventor independente. Chegou lá sem dinheiro. Dois anos mais tarde, inventou um indicador automático de cotações da bolsa de valores. Vendeu-o por 40 mil dólares e ainda assinou um contrato com a Western Union, situação que lhe permitiu estabelecer-se por conta própria em Newark, subúrbio de Nova York.

Foi em 1878, então aos 31 anos de idade, que Thomas Edison se impôs o desfio de obter luz a partir da energia elétrica. Outros pesquisadores, como os químicos e físicos Walter Nernst, da Alemanhã, e Sir Joseph Wilson Swan, da Inglaterra, já haviam tentado construir lâmpadas elétricas com algum resultado, mas seus dispositivos tinham vida curta.

Inicialmente, Edison tentou utilizar filamentos metálicos. Mas só depois de fazer enormes investimentos e milhares de tentativas ele descobriu o filamento ideal: um fio de algodão parcialmente carbonizado. Instalado num bulbo de vidro com vácuo, aquecia-se com a passagem da corrente elétrica até ficar incandescente, sem porém derreter, sublimar ou queimar. Em 1879, uma lâmpada assim construída brilhou por 48 horas contínuas e, nas comemorações do final de ano, uma rua inteira, próxima ao laboratório, foi iluminada para demonstração pública. Sua empresa, a Edison Eletric Light Company passou, então, a dominar a eletricidade nos Estados Unidos.

Thomas Alva Edison morreu em 18 de outubro de 1931, legando ao mundo a Edison General Eletric, fundada em 1888 e que se tornou um dos maiores conglomerados industriais do planeta.

 

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http://www.gentequeinova.com.br/colunas/coluna.php?cln=NDM%3DMon, 09 Mar 2009 16:01:52 -0300
<![CDATA[O click que eternizou a imagem]]>Não raro uma invenção é reivindicada por vários inventores. Assim foi com a fotografia, por exemplo. Em 1822, o físico francês Nicéphore Niepce conseguiu captar a primeira imagem da realidade em uma chapa de metal. Em 1839, o francês Louis Daguerre e o britânico William Henry Talbot anunciaram, separadamente, que haviam criado equipamentos que tiravam fotografias de pessoas, paisagens e cenas. Já em 1830, outro francês, Hercule Romuald Florence, radicado no Brasil, inventara seu próprio meio de impressão, a Polygrafie, já que não dispunha de um prelo. Dois anos mais tarde, Florence descobriu um processo de gravação através da luz que ele batizou de Photografie.

Quem garante a veracidade dessa versão é o fotógrafo, professor e historiador Boris Kossoy, em seu livro 1833: a descoberta isolada da fotografia no Brasil (editora Duas Cidades, 1980). Durante quatro anos (1972 a 1976) ele pesquisou e reconstituiu, nos laboratórios do Rochester Institute of Technology, métodos, técnicas e processos utilizados por Florence. Graças a essas pesquisas, Florece figura hoje na galeria da história das técnicas e inovações. Seu trabalho também é responsável pelo reconhecimento internacional do pesquisador franco-brasileiro. Até a França admite que a fotografia tem múltiplas paternidades.
 

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http://www.gentequeinova.com.br/colunas/coluna.php?cln=Mzk%3DMon, 09 Mar 2009 15:13:34 -0300