Gente Que InovaRss - Aqui voce ve ideias de valorhttp://www.gentequeinova.com.br<![CDATA[Inovar na sustentabilidade]]>Quem examina a história do desenvolvimento com um olhar de longo prazo sabe que o aumento da produtividade, da renda e mesmo da esperança de vida é um fato muito recente.Muito do que se identifica como progresso está intimamente ligado à moderna sociedade industrial. O aumento sistemático da produtividade está no âmago dessa trajetória.

Hoje, contudo, somos muito mais céticos sobre as conquistas desta civilização material e estamos revendo muitos de nossos valores. Deixamos de tratar como sinônimos o progresso material e a melhoria da vida.Esse ceticismo é parte essencial da crise da sociedade humana nesse século. Estamos cada dia mais conscientes dos limites do consumo perdulário e da exploração de recursos naturais finitos.

Mas será que ainda há espaço para a esperança iluminista que alimentava o sonho de progresso e pleno desenvolvimento das capacidades da humanidade? Creio que há, e muito.

Contudo, um mundo sustentável depende, incondicionalmente, da capacidade humana de inovar na sociedade, nos governos, na academia e na indústria. E mais. As inovações de que necessitamos não são de qualquer natureza. Elas têm que ser concebidas dentro de princípios de sustentabilidade. Precisamos, portanto, de um novo paradigma, uma nova linguagem e um novo entendimento das coisas. Inovação é a manifestação prática da sustentabilidade. Sustentabilidade é a outra face do desenvolvimento.

Peter Drucker já dizia que todos os problemas do planeta devem ser vistos como oportunidades de negócio. Agora, mais do que nunca, essa é uma verdade incontestável. Por isso devemos desenvolver a habilidade de gerar inovações para criar valor de forma sustentável. É possível lucrar fazendo bem ao planeta.

Esses novos desafios exigem respostas criativas e ambientes propícios para que se possa mobilizar o que de melhor a humanidade possui. Sua condição humana, o conhecimento, suas capacitações.

Especialmente as empresas e as universidades têm muito o que fazer no campo da inovação. Mas para além da pesquisa, da difusão do conhecimento, há uma responsabilidade maior de ambas, que é incorporar em suas estratégias o tema da sustentabilidade.

É a determinação e o entendimento acerca da necessidade de assegurar formas sustentáveis de desenvolvimento das novas gerações que pode nos trazer esperança num futuro melhor.


Rodrigo da Rocha Loures é Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e Presidente do Conselho de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzM%3DFri, 06 Mar 2009 16:51:42 -0300
<![CDATA[Inovação no Brasil hoje]]>No Brasil, Ciência e Tecnologia ainda se confundem, sendo colocadas no mesmo pacote de políticas públicas sob a sigla C&T. Para alguns especialistas em inovação, trata-se de um equívoco. A razão é simples: enquanto a universidade atende às demandas do conhecimento, do saber, a empresa atende às demandas do mercado. Assim, nem toda descoberta científica se transforma em tecnologia, nem toda inovação tecnológica é resultado do conhecimento científico.

Outra contradição brasileira: ao mesmo tempo que em nossas universidades mentes brilham em algumas áreas, temos indústrias que ainda estão assimilando tecnologias ultrapassadas. Isso, porque ainda acreditamos que a Ciência se transforma, naturalmente, em Tecnologia, bastando integrar universidade e empresa.
Apesar disso, o conceito da inovação incremental baseada na indústria vem se disseminando e já faz parte, por exemplo, da cultura do BNDES, cujo apoio à inovação é prioridade estratégica.

A Finep – Financiadora de Estudos e Projetos, empresa vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia –, que já se firmou como instituição que apoia projetos inovadores de empresas, iniciou o ano de 2009 com um novo programa de incentivo à inovação nas empresas brasileiras. Trata-se do Inova Brasil, que substitui o Pró-Inovação, voltado para empresas de todos os portes.

A inovação incremental é feita em chão de fábrica, a partir do trabalho que já existe, poupando tempo e recursos escassos. Surge para resolver problemas práticos, como baratear ou acelerar um processo industrial, produzir com mais eficiência ou rentabilidade, ou adaptar um produto a novas necessidades e desejos do consumidor. Em resumo, competir melhor.

Um exemplo é a Embraer. Quando a empresa projetou o bem-sucedido avião ERJ-145, obteve uma economia de peso de 70 quilos por causa do redesenho de um rebite de alumínio. Isso representa um passageiro a mais ou consumo de combustível a menos, o que na aviação é crucial.

Faz parte da índole do ser humano a liberdade de criar vendo e fazendo, e quebrando a cabeça para realizar melhor aquilo que outros fizeram antes. Esse é o mais genuíno e talvez um dos mais potentes motores da produtividade e do desenvolvimento de um país. Nesse sentido, um bom exemplo é o Japão, famoso por ter reerguido sua economia após a Segunda Guerra Mundial com ênfase na imitação de produtos europeus e norte-americanos, ao desenvolver uma imbatível política de inovação baseada na miniaturização de aparelhos.

A Suíça é outro exemplo. País respeitado pela sofisticação tecnológica de sua indústria e hoje o maior beneficiário per capita de direitos de propriedade industrial, adiou, durante décadas, a adoção de um sistema de patentes, para copiar tecnologias alemãs e inglesas.

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzQ%3DFri, 06 Mar 2009 17:39:13 -0300
<![CDATA[E por falar em inovação...]]>Uma boa ideia é o ponto de partida para qualquer inovação. Apenas isso. No mundo corporativo, entretanto, ter apenas uma boa ideia não basta; requer, acima de tudo, resultados. É assim que pensam os especialistas no assunto.

Mas que tipo de resultados? O primeiro que vem à cabeça é o desenvolvimento de novos produtos, principalmente ligados a progressos tecnológicos. No entanto, também é possível inovar em processos, no relacionamento com clientes, na agregação de serviços, em sistema de crédito ou cobrança, no relacionamento com a comunidade, etc.

Nesse sentido, já em 1987, Peter Ferdinand Drucker dizia que “a inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o processo pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente”.
Nascido em 1909, em Viena, na Áustria, e falecido em 2005, nos Estados Unidos, Drucker foi filósofo e economista, sendo considerado, por muitos, o pai da gestão moderna. Reconhecido por seus estudos sobre os efeitos da globalização na economia, em geral, e nas organizações, em particular, Drucker dizia que gestão moderna é a ciência que trata das pessoas nas organizações.

Com o passar dos anos, novos termos foram criados no mundo da inovação. Um deles é ecoinovação, usado no campo do desenvolvimento de produtos e processos que contribuem para o desenvolvimento sustentável e reduzem custos ambientais. A ecoinovação também está ligada ao conceito de ecoeficiência e ecodesign, em cujo campo o ambiente ajuda a orientar a direção das decisões de design. Mas a ecoinovação também tem uma vertente social, com a criação novas atividades econômicas, sobretudo na prática da reciclagem e do tratamento de resíduos.
 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzU%3DFri, 06 Mar 2009 18:03:44 -0300
<![CDATA[Inovação em tempo de turbulências]]>A crise financeira que se iniciou nos países ricos se transformou em uma grave crise econômica que se espalha rapidamente pelos mercados de todo o planeta. Apesar de todos os esforços, tudo indica que não há soluções no curto prazo e que o mundo que emergirá será diferente do que é hoje, pelo menos em termos de negócios e trabalho.

Para pior ou para melhor? Só o tempo dirá. Muitas empresas e empregos desaparecerão, mas novas oportunidades surgirão, novos negócios e empregos serão criados.Vivemos um momento crucial, um ponto de ruptura que força empresas e indivíduos a fazerem uma escolha entre a inércia e a inovação. Os tempos de mudanças assustam mas, para aqueles que optam pela sobrevivência, a atitude passiva de esperar para ver o que acontece não é uma opção. Para estes é a hora de indagar: Como podemos usar a crise para inspirar a inovação?

É o momento das organizações fazerem o pleno uso da criatividade e engenhosidade de seu pessoal e focar seus esforços e recursos no desenvolvimento de ideias inovadoras para manter seus bons clientes, conquistar novos mercados e ser mais eficientes. Estas iniciativas inovadoras podem incluir: usar a queda temporária nas atividades para inovar os processos de trabalho e fazer mais com menos. São iniciativas importantes, mas nem sempre temos tempo para cuidar de melhorias nos métodos de trabalho quando os negócios estão a pleno vapor.


Ideias criativas para ajudar os clientes a economizar tempo e dinheiro ou ser mais eficientes. Eles também terão seus problemas e valorizarão todo tipo de ajuda.
Simplificação dos produtos e eliminação de funções supérfluas criadas em tempos de bonança. Os clientes estarão com pouco dinheiro e questionarão a relação custo-benefício de produtos e serviços sofisticados e funções não essenciais.

Ideias para conquistar novos mercados e clientes de competidores enfraquecidos pela crise. Haverá lacunas a serem preenchidas pelas organizações mais criativas e ágeis.
Tornar os relacionamentos dos clientes com a organização em oportunidades para agregar valor e criar lealdade. Em muitas situações, estas iniciativas não requerem investimentos, mas uma mudança de atitudes, de cortesia, respeito e empatia.
Ações afirmativas com relação à proteção do meio ambiente.

Há fortes indícios de que estamos finalmente entrando numa época de genuína preocupação dos governantes com o futuro de nosso planeta. Há ótimas oportunidades para as organizações agregarem valor aos seus negócios através de uma atuação responsável. São ações que não podem esperar, pois o único modo de ser mais competitivo hoje é inovar agora e não amanhã. Isto requer uma profunda reflexão sobre suposições, normas e diretrizes vigentes para remover práticas obsoletas e se tornar diferente dos competidores aos olhos dos clientes.

Jairo Siqueira, engenheiro e consultor empresarial.
 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzA%3DThu, 26 Feb 2009 16:41:42 -0300
<![CDATA[<p>Um canal reservado a ideias de valor</p>]]>A informação jornalística, em geral, é produto de primeira necessidade, sem o qual o homem moderno não consegue gerir sua vida produtiva, programar seu lazer, orientar-se no mundo e formular suas opiniões. É, ao mesmo tempo, uma forma de conhecimento e um serviço público essencial a que todos têm direito. Por isso, só se constrói uma sociedade cidadã com informação. Afinal, só é possível conhecer o que nos é comunicado.

Ultimamente, a mídia vem assumindo tamanha importância na formação de hábitos, costumes e comportamentos, a ponto de falarmos, hoje, na chamada sociedade midiática. Mas, a quantidade de informações e a velocidade com que são transmitidas, muitas vezes, impedem que sejam inteiramente apreendidas.

Não há dúvida de que a população brasileira, de forma geral, é bem informada a respeito de diversos assuntos. Mas, parte desse público ainda é escassamente informado sobre assuntos específicos, dentre eles, inovação, embora seja consenso em todos os setores da economia que inovar é a melhor estratégia para elevar a capacidade competitiva de uma empresa e para a geração de riquezas de um país. Nas publicações existentes, por serem especializadas, e mesmo no campo específico da mídia digital, à exceção de algumas iniciativas, as informações divulgadas não se direcionam para jovens estudantes, recém-formados e empreendedores que querem encontrar e partilhar ideias de valor.

Por acreditarmos na força da mídia como instrumento de conscientização, criamos o Gente que inova, uma fonte alternativa na internet para difundir e conectar ideias inovadoras e para revelar não só o que os inovadores fazem, mas também para − quem sabe − despertar vocações e gerar oportunidades empreendedoras.
Seja bem-vindo ao Gente que inova, um canal de quem faz e acontece

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=NjY%3DWed, 11 Mar 2009 17:42:55 -0300
<![CDATA[Os critérios de patenteabilidade e o projeto de lei n. 2511/07]]>O Projeto de Lei n. 2.511, de 2007, apenso ao Projeto de Lei n. 3.995, de 2008, propõe o acréscimo dos incisos X e XI ao artigo 10, da Lei n. 9.279, que regulam direitos e obrigações relativos à Propriedade Industrial. Os incisos acrescem a proibição da concessão de patentes para novos usos de produtos presentes no mercado – protegidos por patentes ou em domínio público – e para substâncias químicas que possuam diferentes formas cristalinas – produtos de composição química idêntica sob a proteção de patente ou em domínio público. Justificam-se as alterações em virtude de suposta falha na legislação vigente que permite a concessão de patentes para os casos acima mencionados, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI, o que causa prejuízo ao acesso a medicamentos.
A Lei da Propriedade Industrial tutela uma das espécies do Direito da Propriedade Intelectual, o qual possui fundamento na construção da ordem internacional, que foi absorvida pela ordem nacional, com destaque pela Constituição Federal. Dessa forma, a proteção que se oferece à Propriedade Industrial encontra-se harmonizada com a orientação e a legislação comparada dos países, dentre eles os vinculados aos acordos da Organização Mundial do Comércio.
No Brasil, a Constituição Federal protege a propriedade como direito fundamental, imediato e progressivo. Trata-se de uma proteção dupla, ou seja, a ser executada quando o interessado busca a tutela do Poder Judiciário e de modo preventivo, no sentido de que o Estado deve preservar e motivar a proteção dos direitos vinculados à propriedade. Esta sistemática, aplicada à propriedade industrial, coloca a propriedade como direito individual e, ao mesmo tempo, coletivo, eis que absolutamente necessária ao desenvolvimento econômico e social de modo sustentável.
Neste aspecto, é importante observar a complexa relação que há entre a esfera pública e a privada. Isto ocorre porque à esfera pública cabe a realização da finalidade pública, a exemplo do acesso a medicamentos como parte integrante do Direito à Saúde. Por sua vez, constata-se que é a iniciativa privada que mais desenvolve pesquisas e produtos fármacos; constata-se uma interdependência entre o público e o privado. Esta complexa relação se resolve, conforme determinação da Constituição Federal, ao estabelecer a limitação da propriedade à função social. Desta forma, a propriedade, em que pese sua relevância, é um direito vinculado ao conceito de ordem e necessidade pública para o provimento de outros direitos de igual importância.
Reconhece-se, então, que, quando a concessão de patente afronta a ordem ou necessidade pública, como no caso do acesso a medicamentos, a patente (propriedade) deve restabelecer-se para o atendimento da função social. É o caso da proibição de concessão de patentes e a decretação de licença compulsória. A opção por uma ou outra forma de equilíbrio deve se dar pela consideração não apenas da acessibilidade direta, mas, com maior precisão, do desenvolvimento sustentável, eis que este proporciona a acessibilidade e pela forma mais primorosa que é a da sustentabilidade/duradouro. Esta sistemática dá-se através do incentivo à iniciativa privada ao desenvolvimento de pesquisas e produtos, sabedores de que terão o resultado de seus trabalhos respeitados pela titularidade exclusiva, que lhes é fornecida pela concessão da patente.
Percebe-se, desta feita, que, afora as responsabilidades inerentes do Estado para com o conjunto das finalidades públicas estabelecidas pela Constituição Federal, tem-se a complementação necessária com as atividades da iniciativa privada. No caso fármaco, tem-se que a participação na acessibilidade de medicamentos é maior por parte da iniciativa privada, deste monte, deve ser ela respeitada não apenas por conta do título de propriedade, mas também porque contribui, sobremaneira, com a realização das funções estatais em matéria de Direito à Saúde.
É de se concluir, então, que a patente é um direito declaratório vinculado ao Direito da Propriedade, e como tal deve ser protegida. Segundo, esta proteção confere acessibilidade a medicamentos, uma vez que por meio da proteção incentiva-se a pesquisa, o desenvolvimento e a comercialização em território nacional. Terceiro, o argumento de que a proibição da concessão de patentes sobre segundos usos médicos e polifórmicos não reduziu a atuação da indústria de fármacos em outros países, ignora o fato de que o Brasil é mercado consumidor dessas indústrias diante de seu diferencial que é a concessão de patentes sobre tais situações, desde que atendidos os requisitos legais.

DOS CRITÉRIOS DE PATENTEABILIDADE
Independentemente de nomenclaturas como “segundo uso médico e formas polifórmicas”, são critérios de patenteabilidade a novidade, a criação humana e a utilidade industrial. Por novidade tem-se a atividade inventiva demonstrada com a inexistência do objeto no estado da natureza ou de alguma forma já divulgado. A criação humana é a demonstração de que a interferência do homem desenvolveu algo que era inexistente, diferenciando-se, desta forma, da descoberta. E utilidade industrial é a possibilidade de comercialização em razão do interesse de mercado. Alcançados todos estes requisitos, têm-se o permissivo legal para a concessão da patente.
Os países com a adoção do TRIPS possuem flexibilidade para legislarem a temática nos termos do interesse nacional, mesmo porque o TRIPS se apresenta apenas como patamar mínimo para a proteção dos direitos da propriedade intelectual. Todavia, o TRIPS veda exclusões legais de qualquer área da tecnologia do campo de proteção, com exceção do que ele próprio possibilita ser afastado do benefício, como normativa taxativa e não enumerativa: contrários à ordem pública ou a moralidade, método de diagnóstico, de tratamento e de cirurgia, animais que não sejam microorganismos, plantas que não sejam microorganismos (em que pese a proteção sobre as variedades) e processos essencialmente biológicos para produção de animais e de plantas, exceto processos não biológicos ou microbiológicos.
O enfoque para a exclusão, no presente caso do Projeto, é, então, os conceitos de ordem pública e moralidade. Estes conceitos dizem respeito ao que se tutela na ordem jurídica nacional, principalmente por meio da Constituição Federal. Neste momento necessário relembrar que a concessão de patente, a função social e o Direito à Saúde são protegidos pela Constituição, merecendo todos o mesmo nível de respeitabilidade. O porém é que a função social, dentro do conceito de ordem e moralidade pública, limita a concessão de patentes, mas não de um modo abusivo e sim conforme tutela constitucional.

DO SEGUNDO USO MÉDICO
Tem-se como relevante o apego aos critérios de patenteabilidade e não a prática denominada “segundo uso médico”. Para maior esclarecimento, este corresponde à proteção para uma nova aplicação médica de uma patente farmacêutica, a qual já é protegida pelos direitos da propriedade intelectual. Desta sistemática surge a controvérsia firmada, principalmente, entre o Instituto Nacional da Propriedade Industrial e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, acerca da constitucionalidade da patenteabilidade do segundo uso médico.
A controvérsia ocorre porque na prática o segundo uso médico permite que alterações em medicamentos registrados estendam a proteção aos mesmos, ou seja, em virtude de uma descoberta quanto à aplicação do medicamento ele adquire prolongamento do prazo para exploração exclusiva pelo seu titular. O prolongamento do prazo de exclusividade ao titular do medicamento referencial é um benefício, todavia, para os que necessitam da informação para aumento da concorrência ou para a fabricação de medicamento genérico o prolongamento corresponde a um distanciamento desses objetivos. São estes os argumentos preponderantes.
O INPI é o organismo responsável pela patenteabilidade de medicamentos, sem a qual não podem ser comercializados em território nacional. Este organismo concede a patenteabilidade de segundo uso médico. A justificativa do INPI é a de que toda e qualquer invenção, que atenda aos requisitos legais, dentre eles, o da aplicação comercial e da inovação, merecem a proteção. Não importa se a invenção seja sobre uma fórmula já registrada, mas sim que a invenção tenha nova aplicação. A visão jurídica do INPI é a de que a proteção salvaguarda o inovador e, desta forma, incentiva a atividade inventiva; indiretamente presta-se como motivação para a criação de medicamentos e mais indiretamente para a criação de soluções a doenças e para o desenvolvimento econômico e sustentável nacional.
É importante mencionar que desde a Lei da Propriedade Industrial de 1945 o Brasil adota o sistema chamado genérico de classificação, ou seja, tudo que não está expressamente mencionado na Lei como não patenteável é passível de proteção. Assim foi com a Lei n.º 7.903 de 27 de agosto de 1945, com a Lei n.º 5.772, de 21 de dezembro de 1971 (Código da Propriedade Industrial) e é assim com a Lei 9.279, de 14 de maio de 1996 (Lei da Propriedade Industrial LPI). No antigo Código de Propriedade Industrial de 1945, em seu art. 183, há uma menção à “aplicação nova”, na parte que se refere à Ação Penal e Diligências Preliminares. Isto significa que existia àquela época o conceito de patenteabilidade de aplicação ou uso novo, diante da existência de capítulo referente à Ação Penal destes usos.
Corresponde o segundo uso médico aos melhoramentos feitos sob a primeira concessão da patente farmacêutica. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal, já em 8 de julho de 1914, decidia que “(...) o que constitui característico do privilégio não é, por exemplo, o conjunto de materiais, drogas ou ingredientes empregados no preparo de certo produto, mas o meio ou processo especial de prepará-lo ou aplicá-lo a determinado fim, com resultado industrial”.
No Direito Comparado, há sob o mesmo assunto decisão do Enlagerd Board of Appeal do Escritório Europeu de patentes farmacêuticas n.º G05/83 que considerou válidas as reivindicações sobre o segundo uso médico sobre patentes farmacêuticas. A segurança jurídica dos titulares, dos investidores e da própria sociedade não deve ser afrontada com a promoção da redução de interesses da iniciativa privada, eis que esta tendência prejudica a acessibilidade, o que, diretamente, atinge o desenvolvimento sustentável.

DOS POLIMÓRFICOS
Preliminarmente, frise-se o mencionado quanto à importância dos critérios de patenteabilidade e quanto ao conteúdo da abordagem do que seja interesse público. Para adentrar-se ao esclarecimento dos polimorfos, é necessário que se compreenda, preliminarmente, o contexto do desenvolvimento de um fármaco. Inicialmente, tem-se que a ação sobre o consumidor depende da concentração plasmática ou de níveis adequados da substância nos tecidos, terapeuticamente efetivos, sem efeitos colaterais do tipo tóxicos, por um lapso temporal. Para tal, é necessário que o responsável pelo desenvolvimento do fármaco tenha conhecimento absoluto de sua racional formulação.
O desenvolvimento dessa formulação envolve o conhecimento das propriedades físicas e químicas da ou das moléculas a comporem a constituição do fármaco (pré-formulação). Observe-se, por exemplo, que a forma de exteriorização do produto pode afetar as características da molécula em matéria de solubilidade, estabilidade, higroscopicidade, dentre outras.
Na fase da pré-formulação o produto inovador utiliza-se de pequenas quantidades de amostras, composto novo ou desconhecido, inexistência de dados sobre a substância e esta poderá ou não passar para a etapa seguinte do desenvolvimento. Diferentemente ocorre com o produto genérico ou similar, eis que a amostra é em quantidade, a substância é conhecida ou já utilizada, os dados estão na literatura e é uma tarefa relacionada com o desenvolvimento de uma nova formulação, a qual deve produzir os mesmos efeitos, com a mesma dosagem e dentro de um critério temporal identificado. Estes experimentos fazem-se necessários para garantir a estabilidade, segurança e eficácia do produto, obtendo-se uma biodisponibilidade adequada do produto relacionada à finalidade médica.
A forma mais usual de exteriorização do medicamento é em meio sólido – ou por meio de amorfos (átomos e moléculas distribuídos aleatoriamente) ou cristalinos (átomos e moléculas que formam estruturas tridimensionais). Os sólidos amorfos são obtidos por precipitação ou liofilização; possuem nível de energia mais elevado, em virtude da solubilidade e da velocidade de dissolução; e, produzem formas mais estáveis.
Estas estruturas podem ser formadas naturalmente ou por incidência da atividade humana (purificação), neste caso pode-se tratar-se de uma invenção, diferentemente da primeira que é uma descoberta, já que ocorre apenas uma acomodação de várias moléculas de uma substância em uma estrutura tridimensional específica durante a formação dos sólidos. Esta possibilidade de participação humana dá-se pelo desenvolvimento de certas condições climáticas referentes ao meio de cultura.
Necessário é demonstrar que a forma polimórfica de uma determinada substância química difere da que existe no estado da técnica por meio de relatório descritivo completo das novas formas polimórficas, de acordo com as tecnologias inerentes a sua perfeita caracterização. Parece simples, mas é o suficiente, eis que não há conhecimento geral que torne possível a previsão das propriedades de um polimorfo; não há como prever, pelos conhecimentos comuns, quais são os novos efeitos técnicos obtidos, pois isto somente será conhecido quando as formas polimórficas forem identificadas, caracterizadas e testadas para os efeitos desejados. Uma forma polimórfica nova e provida de atividade inventiva, em princípio, não garante atividade inventiva à composição que a contenha, necessária à interferência do desenvolvimento humano.
Para melhor exemplificar o referido processo de obtenção do polimorfo, é necessário que se indique a concentração das diferentes soluções utilizadas que sejam críticas para o processo; os solventes; a taxa de resfriamento; o tempo; a temperatura dos diferentes estágios do processo; e, torque ou adição de sementes da forma cristalina desejada. Percebe-se que a expressão “forma polimórfica” também não pode ser o foco das discussões, mas sim se o produto final alcança os critérios para a concessão da patente.

CONCLUSÃO
Opina-se pela permanência da concessão de patentes sobre o segundo uso médico e sobre as formas polimórficas quando estas alcançarem os requisitos para a referida concessão. Desta forma, está o Brasil a acompanhar a construção internacional e nacional dos direitos da Propriedade Intelectual. Bem como apresentar-se como mercado consumidor aos interessados na proteção de produtos decorrentes de segundo uso médico ou formas polimórficas. A acessibilidade de medicamentos não é impedida por nenhum daqueles produtos, mas sim pela ausência de políticas públicas, de parcerias entre Estado e empresas e pela execução das flexibilidades internacionais, tais como o licenciamento compulsório e o medicamento genérico.
 

 

Patrícia Luciana de Carvalho é assessora jurídica da Agência USP de Inovação da Universidade de São Paulo e professora de Direito Internacional e de Propriedade Intelectual.

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MTM1Mon, 29 Jun 2009 17:26:29 -0300
<![CDATA[A internet é inovadora?]]>Todos os dias, recebo dezenas de newsletters sobre a internet (comportamento, tecnologia, mercado financeiro...). Percebi que o número de sites na Web é extremamente grande – e novos são criados a cada dia. Sites de vídeos, mecanismos de busca, mapas, redes sociais... Iniciativas feitas por usuários simples ou por empresas (grandes e pequenas).
A variedade de serviços prestados é altíssima. O site Glassdoor, por exemplo, reúne avaliações de empregadores e salários pagos, tudo informado pelo próprio usuário (que fica protegido pelo anonimato). Já o Hotpads faz uma lista de residências para vender ou alugar – o site organiza tudo em mapas ou listas (o serviço só está disponível nos EUA).
Posso citar uma lista colossal de sites, como Strands, de recomendação; Twiddict, que publica posts no Twitter; Totspot, uma rede social para crianças; Branddoozie, que cria marcas e logos; ou Tipjoy, onde se dá gorjetas a determinado domínio. Usei apenas sites de língua inglesa, já que a produção nacional nem se compara às iniciativas dos estrangeiros. No entanto, isso não quer dizer que ela não exista: temos o Sonico, uma rede social latina; Wikicrimes, mapeamento de crimes no Brasil; Vcvai, guia de sugestões.
O local de origem não é importante; importante é perceber o caráter democrático da Web. Com as novas tecnologias de informação e comunicação, tornou-se fácil pôr em prática ideias antes complexas de produzir. Todos podem criar.
Mas até que ponto são realmente criações? Inovações? Será que precisamos desses serviços? O que define o sucesso de um sobre o outro?
Sites que disponibilizam vídeos existem aos milhares: Veoh, Hulu, NewTeeVee, My WeShow, Current TV, e por aí vai... E muitas vezes os vídeos disponíveis em um site são links para outro (My WeShow usa vídeos do Youtube). Redes sociais são criadas constantemente: Hi5, Orkut, MySpace, Facebook, LinkedIn, Plaxo. O número de blogs cadastrados no Technorati ultrapassa os 100 milhões!
Quem usa tudo isso?
A causa (e consequência?) dessa inundação de projetos de inovação é a segmentação do conteúdo – serviços cada vez mais específicos são criados com o objetivo de atingir um público diferente. O Facebook, como rede social, faz bem o seu trabalho, entretanto atingir um nicho mais específico é vantajoso (não posso afirmar que seja estratégico economicamente, porque muitas iniciativas ainda não encontraram um modelo com retorno financeiro decente – o Youtube é um exemplo). Para atingir um público mais segmentado, temos o LinkedIn, uma rede social voltada para o campo profissional.
(Cabe aqui uma observação sobre a criação de novas redes sociais. O uso das comunidades dentro dos sites de relacionamento é um demonstrativo do sucesso da segmentação. Há comunidades com mais de 40.000 membros no Orkut, por exemplo. Percebendo esse comportamento, o que antes seria uma comunidade passa a ser um site exclusivo, como o Footbo, sobre futebol, ou o Greenopolis, sobre amigos do meio ambiente.)
É estratégico especificar mais a fim de atingir as pessoas certas para o seu negócio (sim, a internet é um imenso negócio ou um negócio em potencial). O macete é atacar os 80% dos usuários marginalizados pela lei de Pareto (que, aplicada, afirma que 80% do lucro vêm de 20% dos produtos), ou as minorias da Cauda Longa.
Infelizmente, os desenvolvedores de site decidiram aderir à individualização adaptando algo já existente. Para que inventarmos a roda se podemos apenas moldá-la ao terreno?
É mais fácil criar um modelo sobre outro que já funcionou. Não quero dizer que na internet não há nada original; no entanto, boa parte do que surge hoje em dia é mera cópia cheia de glamour.
O que é o Twitter senão um blog com limite de caracteres? Eles chamam de microblogging. A proposta inicial é saber o que se está fazendo (obviamente, as pessoas encontraram uma utilidade melhor para essa “ideia”), mas isso já conseguimos fazer através de redes sociais, MSN, blogs... Por que criar um Twitter? Não será surpresa se alguém, no futuro, criar um nanoblogging, com limite de uma palavra (de preferência um gerúndio) e slogan: “O que você está fazendo agora, nesse exato minuto, nem um segundo depois?”
Outro exemplo clássico são os sites de busca. O Viewzi busca os resultados no Youtube, Veoh, Blinkx, Yahoo, Google, Flickr, Wikipedia, MSN, Ask, Ebay, Amazon... O diferencial é a forma como o resultado será exibido. Neste caso, o usuário opta por texto simples, vídeo, foto 3D, foto 2D, web screenshot etc.
O Viewzi, como inúmeros outros aplicativos da Web, não é inovação. Não merece ser chamado de ideia original, pois sua funcionalidade depende de outros mecanismos – além de ser mais um na sua área. A ânsia por uma fatia da internet faz com que, todos os dias, surjam novos blogs, redes sociais, microblogs, mashups e uma infinidade de serviços idênticos (para não dizer completamente inúteis).
As pessoas apostam nos seus aplicativos como um próximo Google ou My Space e torcem que caiam nas graças de uma megacorporação que criará uma forte campanha de marketing e todo o contexto especulativo sobre seu real valor. O risco de banalização dos aplicativos só cresce com isso – afinal, criar um “UsTube”, por exemplo, serve para quê? Suprir a necessidade do usuário ou do desenvolvedor que quer um espaço?
Não diminuo a importância da iniciativa, ataco somente o excesso com objetivos mercadológicos. A inovação não está em produzir, e sim em formular algo inédito com real funcionalidade.
Por enquanto, a Web 2.0 renova mais do que inova.
 

Gustavo Audi é especialista em mídias digitais e servidor da Fundação Oswaldo Cruz

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MTM0Fri, 19 Jun 2009 12:48:23 -0300
<![CDATA[Crise, patentes e inovação]]>A crise da economia global envolveu o Brasil mais do que se esperava. Via o crédito e as exportações, principalmente com a queda das cotações de commodities e do movimento do comércio internacional, está se estendendo a toda a economia. A indústria teve forte retração no último trimestre do ano passado e, embora mostre alguma recuperação relativa no primeiro trimestre deste ano, é certo que teremos uma nova queda da participação do setor manufatureiro no PIB. Dos 27 setores industriais, apenas dois escaparam dessa contração e registraram expansão: o de celulose e papel (0,4%) e o de aeronaves (6,7%), este último considerando compras efetuadas antes da crise. Não por acaso, setores em que o Brasil detém o domínio da tecnologia.
Mas a crise ainda é maior nas economias desenvolvidas e nos países emergentes mais dinâmicos como a China, que amarga uma queda das exportações pelo quinto mês consecutivo. A retração ocorrida nos países mais ativos no comércio mundial abre-nos uma oportunidade de ganhar espaços internos e externos para nossas manufaturas, desde que a nossa indústria desenvolva e agregue inovações atendendo a demandas de consumidores.
Essa agregação pode ser avaliada pelos indicadores de desenvolvimento tecnológico nos anos recentes. Um deles é o comércio exterior. Enquanto os manufaturados correspondem a apenas 35% de nossas exportações, na China essa parcela é de 90% e na Índia é de 70%. Ou seja, exportamos principalmente commodities, cujos preços não dependem do desempenho do agronegócio nem das empresas de mineração brasileiras.
Mas o mais grave é que as importações que pesam na nossa balança comercial são de produtos com alto conteúdo tecnológico, como os eletroeletrônicos, cujo déficit, em 2008, chegou a US$ 22 bilhões, crescendo 35%. O dos produtos químicos subiu para US$ 23 bilhões, em 2008, com alta de 76%. O de máquinas e equipamentos elevou-se 127% para US$ 11 bilhões. Ou seja, nos três principais setores, acumulamos um déficit de US$ 56 bilhões, com crescimento total de 70% em apenas um ano.
E como foi o comportamento das patentes,  principal indicador de inovação tecnológica? Como essas só valem no país da outorga, considera-se o maior mercado, ou seja, os EUA. Em 2008, foram concedidas apenas 101 patentes para o Brasil pelo USPTO (sigla em inglês do escritório de patentes norte-americano), contra 1.546 para a China, 636 para a Índia e 152 para a Malásia.
Na soma do quatriênio 2005-2008, que compensa os efeitos das oscilações anuais, verifica-se que tivemos 389 patentes concedidas, contra 511 para a Malásia, 2.046 para a Índia e 4.321 para a China. A comparação com o quatriênio anterior (2001-2004) mostra que a Índia cresceu 81%, a China 93% e a Malásia 128%, enquanto o Brasil caiu 12%, mantendo a tendência de queda de 13% no triênio terminado em 2007 e de 10% no triênio terminado em 2006. Não aumentando as patentes, licenciamos as dos outros, o que gerou um déficit de mais de US$ 5 bilhões no balanço de pagamentos.
Os déficits e o não crescimento de patentes significam declínio da tecnologia própria, mesmo após uma década de vigência das leis de fomento. Não se atribua à falta de recursos, pois os recolhimentos carimbados para ciência e tecnologia cresceram, pelo menos, três vezes na década, retirando hoje do setor produtivo cerca de R$ 3 bilhões através da Cide sobre pagamentos de tecnologias e royalties sobre concessões.
As leis destinaram esses recursos a fundos setoriais há cerca de uma década e, nos últimos quatro anos, também a editais de subvenção econômica para “desenvolvimento de produtos e processos inovadores em empresas nacionais” (artigo 19 da Lei de Inovação). Entretanto, apenas 15% dos recursos são repassados às indústrias e de modo altamente discricionário e ineficiente para o desenvolvimento tecnológico do País.
Para aproveitar a oportunidade da crise e reverter essa tendência, precisamos inovar em todo o tecido industrial, e para tanto há que aplicar com eficácia, e de maneira universal, os recursos disponíveis, com procedimentos corajosos e ousados de efetivo compartilhamento Estado-empresa produtora do risco tecnológico, para mobilizar toda a indústria brasileira em direção ao desenvolvimento de inovações que lhe dêem a competitividade necessária.

Roberto Nicolsky é físico e diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec)

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MTQ2Mon, 13 Jul 2009 10:37:42 -0300
<![CDATA[Hora de plantar e colher inovações]]>A última vez que o mundo foi desenhado, fato que ocorreu durante a revolução industrial, mudamos praticamente tudo, a maneira como trabalhamos, moramos, comemos, o nosso lazer, transporte, como educamos nossos filhos, etc. Tudo isso foi feito, mas esquecemos de um pequeno detalhe: o meio ambiente. Agora, com a evolução da tecnologia e do modelo de produção, estamos redesenhando tudo novamente. Desta vez, mais atentos ao meio ambiente, pois estamos aprendendo que os recursos são finitos e precisam ser cuidados.
Estamos vivenciando a maior revolução pela qual a humanidade já passou. A mudança de um mundo em que a riqueza é baseada no fazer coisas, para um mundo em que a geração de riquezas está baseada no pensar, servir e aprender. O escritor Alvin Toffler já abordava o assunto na década de 70.
Inúmeros sinais dessa mudança já estão presentes na nossa sociedade. Até pouco tempo atrás, quando consumidores usavam um produto ou serviço que não funcionava bem, achavam que o problema estavam neles, que não eram inteligentes o suficiente para operar um aparelho ou entender um serviço. Hoje, os consumidores não pensam mais assim. Agora, acham que a culpa é do produto ou serviço, que o problema está na empresa. Parece uma simples transferência de culpa, mas o impacto dessa mudança é fundamental. A sociedade tem mais acesso a informações e está cada vez mais conectada. Nossa tecnologia é cada vez mais mutável e produz novidades em uma velocidade nunca antes vista.
A única certeza é de que a regra do jogo mudou. As velhas fórmulas não funcionam neste novo contexto. O sistema está se auto-alimentando e exigindo monitoramento e respostas quase que instantâneas. Organizações e pessoas estão sem saber como agir.
Em meio a essa extrema competição, quem não for capaz de se reinventar, de mudar tão rápido quanto o contexto, de encontrar novas fontes de lucro antes de as existentes acabarem, ficará obsoleto. Empresas realmente não têm escolha, precisam inovar. Inovação é o que cria diferenciação, que é a mesma coisa que se distancia da concorrência. Inovar está ligado à criação de algo novo que se torna amplamente adotado. A linha que demarca o que é inovador ou não é, sem dúvida, a aceitação dos consumidores.
Apenas falar sobre inovação não faz com que inovação aconteça. Inovação é o fruto de um processo que requer todo um complexo ecossistema. Uma boa analogia é o plantar. Inovar requer sementes, que seriam as mentes das pessoas onde todas as conexões acontecem. Requer uma liderança atenta em criar condições certas, o solo fértil, a cultura certa, para que as inovações brotem. Assim, como em agricultura não conseguimos garantir que iremos ter safra, em inovação não existem garantias, há dias de sol e dias de chuva. Não existem fórmulas. Em meio a tudo isso, é preciso pensar a oferta e a demanda de inovação. Qualquer agricultor sabe que precisa plantar a próxima safra.
Cada vez mais é preciso que os processos de inovação funcionem a todo vapor. Quem tiver uma boa ideia hoje e não a implementar logo, corre o risco de ser passado para trás pela concorrência, que agora é global. Porém, muitas organizações enfrentam problemas, não porque os competidores foram melhores, mas porque elas erradamente acreditam em mitos. Coisas do tipo, inovação é apenas para quem trabalha com alta tecnologia ou inovação é apenas para empresas de grande porte. E assim, não plantam e, por isso, não colhem.
Inovar é pensar e criar o futuro. Requer mudanças, provocar mudanças e gostar de mudanças. A novidade é saber navegar nessa complexidade sem se perder. Há várias opções para as organizações que desejam se preparar para inovar sistematicamente. Algumas empresas brasileiras estão fazendo exatamente isso, montando laboratórios de inovação, investindo em novas metodologias e ouvindo opiniões externas. Mesmo em tempos difíceis, alguns sabem que precisam investir nas questões “para quem fazer”, “o que fazer” e “por que fazer” e não apenas com a questão “como fazer”. Frente a esse cenário, uma única coisa é certa, apenas as organizações que estão plantando e preparando o terreno hoje, vão colher inovações amanhã.

Charles Bezerra é diretor-executivo do Gad'Innovation com PhD em design pelo Illinois Institute of Technology 

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MTcwFri, 09 Oct 2009 10:57:29 -0300
<![CDATA[A gestão inovadora dos jovens empreendedores]]>Quando eu era garoto, costumava ouvir meus pais perguntar: "O que você vai ser quando crescer?", ora a resposta era imediata: "Jogador de futebol". Devo confessar que, apesar de amar o velho esporte bretão, nunca tive habilidade para trilhar tal caminho. Ou seja, não teve jeito, tive que estudar...

Brincadeiras à parte, eu sempre soube que iria empreender, tive diversos negócios desde a época da faculdade. Estou falando de mais de 20 anos atrás, faz tempo, uma época de muitas dificuldades para ser empreendedor. Mantenho contato constante com empresários da área de tecnologia, sejam eles nascentes ou mais maduras, através das instituições em que contribuo com minha experiência: o Altex (www.altex.org.br), a Riosoft (www.riosoft.softex.br) e o Seprorj (www.seprorj.org.br). Essa participação institucional me permite estar antenado e ligado neste mundo e posso afirmar que muitos problemas de outrora continuam perseguindo os jovens empreendedores ainda hoje.

É fato que, de forma geral, os empreendedores atuais estão mais bem preparados do que na minha época (pelo menos melhores do que eu eles são). Vejo hoje uma turma nova com objetivos, planejamento, estratégias, tudo muito claro e definido. A questão da tecnologia passou a ser simplesmente mais um dos itens da cesta de assuntos a serem tratados no novo empreendimento. Não é que estejamos vivendo um cenário super favorável, não, ao contrário, ainda é difícil o acesso a crédito, a burocracia estatal consome recursos e paciência de qualquer um, a carga de impostos é cada vez mais agressiva, a falta de política pública que preserve as PMEs continua flagrante. Mas, como já citei, os empreendedores sabem o que querem e criam planos muito criativos para vencer as adversidades.

E é justamente aí que, eu acredito, está a diferença que determina o sucesso ou fracasso de um empreendimento - a criatividade, a inovação ligada à gestão das empresas. Toda empresa de tecnologia tem uma sacada tecnológica genial, tem sempre um responsável por uma inovação tecnológica e é isso, em conjunto com uma capacidade de gerar uma inovação de negócios atrelada à tecnologia, que impulsiona o empreendedor.

Que as PMEs jovens têm escassez de recurso já sabemos, porém tem muito gestor que é capaz de inovar na gestão empresarial, afinal como ter um plano de marketing e executá-lo sem ter recursos para isso, como ter uma política comercial agressiva e uma visibilidade com pouco investimento, esse é o segredo. Quem consegue desvendar isso cresce e prospera.

O que eu acho mais bacana disso tudo é que esta geração que está empreendendo hoje não tem vergonha de perguntar e absorver experiência das empresas mais maduras (sejam estas de sucesso e fracasso), e não tem vergonha de mostrar e citar o que deu certo e o que deu errado. Essa troca, esse conhecimento compartilhado muito agrega às empresas.A internacionalização, que era um tabu anos atrás, hoje é tratada com enorme naturalidade, basta esta questão para observar como estamos evoluindo.

Alguns empresários pensam que minha experiência ajuda muito as empresas, mas é justo o contrário, o contato com esse pessoal só me enriquece o conhecimento.  

Alberto Blois é o sócio da ASJB Consultoria, Conselheiro da Riosoft, Diretor do Seprorj, Diretor do Altex/Seprorj e presidente da ConfraRio.

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=NDQzFri, 13 May 2011 16:29:41 -0300
<![CDATA[O olhar inovador]]>Acho que todos nós já ouvimos, mais de uma vez, a história de uma entrevista feita com um artista, na qual o entrevistador teria perguntado algo mais ou menos assim: – Como foi que o senhor fez esse cavalo, essa escultura, essa obra? O artista teria respondido: – Eu não fiz. Apenas tirei do mármore, da pedra, da madeira o que não era cavalo, pessoa, objeto.
Não importa se a entrevista existiu, quem era o entrevistado ou o entrevistador, na minha percepção, a história traz uma dica importante sobre a inovação.
O artista viu a obra no bloco bruto de madeira, pedra, mármore. Ele então não fez a obra, ele viu a obra que a natureza já havia feito.
Há um artista plástico no estado do Espírito Santo que recolhe galhos de árvore e pedaços de madeira no mato e, apenas os dispondo de certo jeito, faz com que vejamos figuras de animais e objetos.
Ele vê essas figuras ou a possibilidade delas, quando os galhos e os pedaços de madeira ainda estão no mato, misturados à folhagem.
Inovar então é ver. É enxergar possibilidades novas a partir de arranjos, disposições e combinações inusitadas.
É possível aprender a ter esse olhar. É possível treinar essa forma de pensar. É possível aprender sobre os modelos mentais e utilizar esse conhecimento para produzir inovação.
Uma forma fácil de nos aproximar desse aprendizado é reparar nos poetas. Eles usam analogia, linguagem metafórica para fazer referências a suas histórias e a histórias de amor, ligando fatos que não estavam logicamente relacionados.
Tenho duas amigas e parceiras de trabalho – Bia Machado e Olga Modesto –. Elas criaram um método chamado caleidoscópio e ensinam grupos a conhecer e a trabalhar com os modelos mentais, exercitando as habilidades que eles conferem e aprendendo a lidar com possibilidades inovadoras.
Lembro de um trecho de uma canção popular na qual o autor deseja ter “o sentimento do Caboclinho Querido(*) que vê um mundo de sonhos onde eu só vejo um vestido.”
 

Mário Castelar é publicitário, consultor em comunicação e marketing e autor do livro “Marketing da Nova Geração – como competir num mundo globalizado e interconectado” e do blog www.pontoparagrapho.com.br.


(*) Caboclinho querido: apelido do cantor e compositor Silvio Caldas.

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjA3Thu, 17 Dec 2009 17:44:50 -0200
<![CDATA[LANCE: gestão inovadora para acesso a medicamentos mais baratos]]>Lançado em novembro deste ano, o Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LANCE), vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atua em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), o Ministério da Saúde, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Este laboratório público funciona também como centro de pesquisa e conta com o apoio de vinte e seis pesquisadores, os quais voltam suas atividades para a produção em grande escala de células-tronco embrionárias, as quais serão, em parte, fornecidas gratuitamente a laboratórios previamente credenciados, bem como para aplicação terapêutica, a exemplo contra a doença de Parkinson.
Na prática as universidades produzem e multiplicam as células-tronco embrionárias; enquanto que as demais entidades financiam e estabelecem diretrizes a serem alcançadas pelo empreendimento. Tudo em conformidade com a Lei de Biossegurança n.º 11.105, de 24 de março de 2005, que autoriza o uso de células-tronco de embriões humanos para pesquisas e que em 29 de maio de 2008 foi declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido de que esta prática não viola a vida e nem a dignidade humana, desde que os embriões, quando viáveis, não sejam destruídos para a retirada das células-tronco. Sobre este aspecto, depreende-se da decisão da Suprema Corte que o material de onde se extrai as células-tronco não tem vida, não se enquadra na condição de nascituro, já que são inviáveis à constituição de vida humana e destinam-se ao descarte. Portanto, melhor que sejam aproveitadas em pesquisa.
Mas porque tamanho interesse pelas células-tronco? Em conformidade com os ensinamentos da médica geneticista e pró-reitora da USP, doutora Mayana Zatz, os materiais correspondem a células com capacidade de gerar cópias de si mesma e com potencial de diferenciação em vários tecidos. Dentre as espécies a mais importante é a célula-tronco pluripotente, que se diferencia em quase todos os 216 tecidos humanos, excetuando-se apenas a placenta e os anexos embrionários. A dúvida é: como conseguem essas células no embrião humano se determinarem como de um específico tecido (sangue, osso, fígado e nos demais)?. Em laboratório, a exemplo do LANCE, consegue-se colocar substâncias diferenciadoras em “cultura” de células-tronco in vitro, as quais proporcionam o resultado esperado, ou seja, a formação de um determinado tecido. Por sua vez, quanto à natureza importam as células-tronco embrionárias, já que estas possuem a maior capacidade de diferenciação, que não são adultas e possuem o maior número de células pluripotentes. Destacam-se, assim, as células-troncos embrionárias, pela capacidade de reprodução e de diferenciação.
Essas células podem ser obtidas através do corpo humano, da clonagem terapêutica e de embriões descartados. A de menor importância é a que advem do corpo humano, já que é obtida a célula-tronco do tipo adulta, a qual, por não ser embrionária, possui limitação no processo de multiplicação e diferenciação. Não se ignora a importância, já que a multiplicação e a diferenciação são os elementos primordiais para a celeridade e eficiência da pesquisa e da aplicação em terapias. A decorrente da clonagem terapêutica é fruto de manipulação genética voltada à produção de embriões. Nessa manipulação, se obtém primeiro células do tipo totipotentes, e apenas na segunda fase da manipulação é que se obtém as do tipo pluripotentes, aquelas que possuem alta capacidade de diferenciação nos 214 dos 216 tecidos humanos. Ou seja, necessário que primeiro produza-se os embriões, para somente depois aproveitar-se da capacidade destes de se multiplicarem e diferenciarem. Situação que por certo absorve maior tempo e investimento. Por sua vez, a obtenção através dos embriões descartados –, que são aqueles inviáveis à constituição da vida humana – , corresponde à economia de tempo e de dinheiro, eis que alcança diretamente das células embrionárias o material propício à multiplicação e diferenciação.
Através das células-tronco embrionárias, que são células primárias ou originárias, o objetivo do LANCE é promover o desenvolvimento de tecidos/órgãos, para que esses se prestem à terapia de doenças, no sentido de regenerarem o tecido adoecido. Tudo isto aproveitando da capacidade dessas células de se multiplicarem e de se diferenciarem, além do fato de estarem disponíveis, descartáveis.
A médica Alexandra Vieira, pesquisadora do Instituto do Coração, em São Paulo, indica como vantagens dessa aplicação no caso de doenças do coração, a reposição do tecido isquêmico com células cardiácas saudáveis; osteoporose, repopular o osso com células novas e fortes; Parkinson, reposição das células cerebrais produtoras de dopamina; diabetes, infundir o pâncreas com novas células produtoras de insulina; cegueira, reposição das células da retina; medula espinhal, reposição das células neurais; esclerose, geração de novo tecido neural ao longo da medula; distrofia muscular, reposição do tecido muscular; e, osteoartritre, desenvolver nova cartilagem.
Essa empreitada que une entidades federais e estadual, de modo imediato determina o know-how nacional em pesquisa de células-tronco, colocando o Brasil entre os poucos no mundo com específica capacidade e entre aqueles que permitem o aproveitamento dessas células para pesquisa e terapia, a formação de pessoal altamente especializado, o acesso não apenas do LANCE, mas de outros laboratórios, de modo gratuito, a estas células e a disseminação do conhecimento, propiciando, desta forma, o desenvolvimento e a acessibilidade de modo difuso. Indiretamente o LANCE coloca o Brasil diante de um “mundo novo”, eis que inicialmente volta-se com maior destaque ao tratamento da doença de Parkinson, mas diante do natural desenvolvimento tem-se a possibilidade terapêutica para outras enfermidades. Traduzindo-se em meio pelo qual o Brasil promoverá o acesso à vida, à saúde e à dignidade. Por outro lado, promoverá também o desenvolvimento econômico, de modo sustentável, em um setor de alta tecnologia e extremamente valorizado pela biotecnologia. Para tal, é necessário que o conhecimento produzido seja protegido de modo exclusivo pelo LANCE e pelos parceiros em pesquisa e desenvolvimento.
Os direitos de propriedade intelectual serão devidamente protegidos, afastando a usurpação do conhecimento gerado por terceiros de má-fé, principalmente no âmbito de um empreendimento que funciona como uma “rede” no fornecimento de células. Representa também uma forma de joint venture, que reúne entidades que complementam suas competências para a consecução de um fim comum, obtendo ganho de tempo, de pessoal especializado e de investimento. Nessa proposta de atuação, sugere-se que no médio prazo essa parceria alcance a iniciativa privada, para que de uma forma acelere a produção de novas técnicas e medicamentos menos onerosos para a sociedade.

Patrícia Luciane de Carvalho é consultora jurídica em Propriedade Intelectual e autora de Patentes Farmacêuticas e Acesso a Medicamentos.
 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjExMon, 04 Jan 2010 16:32:56 -0200
<![CDATA[Crescimento insustentável]]>Felizmente o Brasil já superou os principais reflexos da recente crise econômica mundial. Mas mesmo assim a economia brasileira, que entre 2006 e 2008 cresceu a uma taxa média de cerca de 5% ao ano, em 2009 não repetirá esse desempenho e deverá até encolher um pouco, conforme as estatísticas irão mostrar. A questão a se discutir, portanto, é se o modo de crescer que o governo vem praticando é sustentável.
O crescimento brasileiro tem sido puxado, principalmente, pelos produtos agropecuários, extrativos e primários. São as chamadas commodities, de muito pouco valor por unidade física. Crescemos também produzindo para o mercado interno mediante a expansão do crédito, o que levou famílias a consumir mais, mas também a aumentar muito o seu endividamento. O inconveniente desse tipo de crescimento é que ele se sustenta no crescimento, bem mais acelerado, de outros países como a China. Os preços de commodities são definidos pela demanda do mercado mundial, e se nos últimos anos têm estado elevados é porque a China compra muito. São fatores que fogem ao nosso controle e qualquer mudança pode paralisar o nosso crescimento, como aconteceu este ano.
Esses fatores, em conjunto com a apreciação do real frente ao dólar, geram uma forte pressão de substituição da produção interna por produtos importados, principalmente aqueles de maior intensidade tecnológica e maior valor agregado. Ou seja, exportamos cinco toneladas de soja ou quatro de minério de ferro pelo preço de um laptop, cuja produção gerou muito mais empregos e renda. A indústria brasileira de transformação, que agrega tecnologia e deixa o produto pronto para o consumidor final, está crescendo bem menos do que o PIB. A nossa economia é cada vez mais produtora de commodities agropecuárias e minerais, de produtos básicos e de serviços simples, como o comércio.
A indústria instalada no país, seja eletrônica, farmacêutica, de máquinas e equipamentos etc, importa mais e mais componentes com os quais finaliza ou monta os produtos, sem que o governo aja na defesa da renda e dos empregos industriais. Já tivemos a quinta indústria de bens de capital do mundo e hoje temos apenas a décima quarta, com muito menos conteúdo tecnológico próprio. Isto é a desindustrialização! Entre 2006 e 2008, o déficit do comércio exterior em produtos de maior valor agregado e alta intensidade tecnológica quadruplicou, alcançando 51 bilhões de dólares, enquanto exportávamos cada vez mais commodities.
A conseqüência desse arremedo de política industrial é que o crescimento da indústria de transformação tem sido inferior ao do PIB. Só em 2008, enquanto a produção interna bruta total cresceu 5,08%, a indústria de transformação registrou um acréscimo de apenas 0,85%, perdendo quatro pontos percentuais de participação no PIB, o que significa menor oferta de empregos de qualidade nos centro urbanos e menor massa salarial na economia.
Mas é possível crescer mais do vimos crescendo? Claro que sim, pois esse é o desempenho de países como China e Índia, que têm crescimento entre 9% e 11% por ano puxado pelas suas manufaturas. Durante a crise que acarretou a redução do nosso PIB no primeiro semestre deste ano, a China cresceu 8,9% e a Índia 6,5% ao ano.
Como seria possível termos um desempenho semelhante? Colocando o nosso foco no desenvolvimento rápido da indústria de transformação mediante investimentos na acelerada agregação de inovações tecnológicas com preservação ambiental e sem reduzir as atividades agropecuárias e de mineração. Ou seja, ao invés de apenas esburacarmos cada vez mais a nossa terra e desmatarmos as nossas florestas para fazer pastos ou plantar soja, devemos usar a nossa criatividade para desenvolver e agregar as inovações que o mercado mundial quer em nossos produtos, de uma maneira compatível com a sustentabilidade – as chamadas tecnologias verdes – tornando-nos altamente competitivos e disputando esse mercado até com produtores asiáticos, que ainda não têm uma ação ambiental consistente.
Este é o caminho para o país crescer de modo sustentável: investir pesadamente no desenvolvimento de tecnologia nacional e na incorporação de inovações em nossos produtos para que eles atendam o mercado global, gerando empregos qualificados e renda bem distribuída, sem prejudicar o meio ambiente. Fala-se que podemos crescer mais de 5% em 2010. É possível, se o rápido crescimento da China deixar, pois, como visto, esse modelo é para nós um crescimento insustentável.

*Roberto Nicolsky é físico e diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec)

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjEzWed, 06 Jan 2010 15:05:51 -0200
<![CDATA[Tendências da gestão dos processos produtivos]]>Há 20 anos, uma pessoa que quisesse abrir uma empresa para produzir peças para a indústria automotiva, ia ao bairro do Brás, (em São Paulo), comprava um torno ou uma fresadora de segunda mão, instalava o equipamento no quintal e iniciava uma carreira de empresário. Não é preciso muito esforço para imaginar a qualidade desse processo.

 

Desde a abertura dos mercados brasileiros, no início dos anos 1990, os padrões de produção, bem como os conhecimentos sobre gestão dos empreendedores, se aprimoraram e passaram a considerar o tipo de negócio, o lugar mais adequado para abri-lo, os equipamentos a comprar e a estrutura necessária.

Essa comparação simples é tão verdadeira quanto afirmar que abrir um negócio ficou mais caro. Na realidade, falamos de outro padrão de qualidade, não simplesmente do produto em si, mas da gestão como um todo.

Chamamos de gestão do processo produtivo, a coordenação de atividades integradas que buscam os resultados do negócio como um todo. Não se pode chamar de modismos ferramentas como just in time, kanban, downsizing e six sigma. Existem aspectos importantíssimos que deveriam ser considerados, antes de se considerar os instrumentos disponíveis: a maturidade da empresa ou seu modelo de gestão; a cultura organizacional; e se a metodologia está alinhada com as necessidades.

São muitos os mitos criados nos últimos 20 anos para justificar alguns resultados frustrantes das ferramentas/métodos/metodologias de gestão. Essa é uma resposta simplória para justificar o insucesso. Faz-se necessária uma análise criteriosa, alinhada às estratégias da empresa, antes de se tomar a decisão de implementar qualquer coisa.

Ao ter como base a visão holística, sabemos que todas as partes devem ser consideradas e estudadas para uma boa saúde organizacional e que o processo produtivo não é um fim em si mesmo. É um meio e deve estar alinhado às estratégias da organização.

O filósofo Burrhus F. Skinner, em 1969, chamou a atenção, em seu artigo Manufacturing – missing link in corporate strategy, para o importante papel de operações (manufatura à época) para a estratégia das organizações. Passado todo esse tempo, parece que as empresas não fizeram a lição de casa, uma vez que muito se desenvolveu em termos de estratégias, porém sem a efetiva integração com os processos industriais.

No mundo contemporâneo, a internet traz facilidades aos processos de produção de forma que é possível, em tempo real, iniciar a entrega de um produto, desde a compra de matéria-prima, passando pela produção, até a introdução de questões, como atendimento ao cliente, assistência técnica e manutenção. Um exemplo de sucesso é o caso da Dell, que a partir do pedido do cliente via internet, deflagra um conjunto de processos e atividades, que culmina na entrega do equipamento customizado em dia e horário combinados, assim como a materialização da satisfação do cliente, por meio de pesquisa realizada algumas semanas após a entrega.

A sustentabilidade também toma força e passa a ser tema de busca permanente das organizações, bem como a inovação. Cabe destacar que a inovação, já há alguns anos, não se restringe somente à área de Pesquisa & Desenvolvimento. O conceito, atualmente, é o da organização inovadora, que deve olhar a seu redor e criar possibilidades de diálogo social e competitivo, seja por meio de ações sustentáveis, seja por querer estar à frente da concorrência.

Hoje, a gestão dos processos produtivos não pode deixar de se preocupar com as questões relacionadas ao meio ambiente. E, como forma de identificar e avaliar a eficácia das organizações, há modelos para referência – modelos sustentáveis de gestão organizacional ou modelos sustentáveis para uma gestão inovadora – que permitirão a comparação da situação desejada com as informações coletadas. Dessa forma, melhorias incrementais ou de rupturas podem também ser consideradas nos processos ou nas atividades organizacionais.


* Antonio Tadeu Pagliuso é consultor em Gestão Organizacional, sócio-diretor da Holus Gestão Empresarial e Educacional.

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjE0Fri, 08 Jan 2010 13:49:07 -0200
<![CDATA[Rio: o desafio da inovação]]>O futuro de um país depende da educação de seu povo,de sua capacidade de inovar e manter-se competitivo. As nações que mais inovam são aquelas que investiram no desenvolvimento da pesquisa em ciência e tecnologia,na transposição desses avanços à produtividade e à eficiência de suas economias.
Trata-se de uma decisão política que começa no compromisso com a excelência das instituições acadêmicas como meio para promover a capacitação e o bem-estar do conjunto da sociedade.
Em posição criticamente baixa nos índices globais de inovação e competitividade,o Brasil vem ampliando o esforço nacional para reverter esse quadro.
Pela qualidade de suas instituições de pesquisa,o Rio de Janeiro poderá desempenhar importante papel como polo de alta tecnologia e ajudar o Brasil a fortalecer sua posição de cérebro do sistema produtivo nacional e da sua inserção no mercado global. Em alguma medida,essa evolução poderia ser reconhecida no êxito da política nacional de biocombustíveis,da produção de petróleo em alto-mar,na fabricação de aviões de médio porte,no processamento de dados nas operações bancárias,no sistema de voto eletrônico,entre outros. Mas cabe estendê-la a setores que terão efeito multiplicador e modernizador na economia.
Além de segundo maior PIB do país,posição que se fortalecerá com a expansão dos investimentos em energia,construção naval e transportes,o Rio de Janeiro concentra instituições e recursos humanos que permitiriam o estabelecimento de um eixo Rio-Petrópolis de pesquisa e desenvolvimento de alta tecnologia. O objetivo desse projeto seria a implantação de uma política para inovar processos produtivos e promover capacitação científica e tecnológica em benefício de indústrias e prestadores de serviços. Seriam criados novos nichos de conhecimento para atender às demandas tecnológicas regionais em setores de informação,eletrônica,semicondutores,química fina,biotecnologia,nanotecnologia,fármacos,bioenergia e outros considerados prioritários.
O projeto contribuiria para a geração de novo paradigma de desenvolvimento regional baseado em áreas de ponta.
Como resultado da inovação tecnológica,essa evolução agregaria valor à produção e fortaleceria segmentos industriais e de serviços,tornando-os mais competitivos. Ao mesmo tempo,a difusão do conhecimento favoreceria a diversificação das atividades,evitando concentração excessiva da economia em uns poucos setores. No longo prazo,a economia regional teria assegurada sua sustentabilidade graças à inovação,independentemente da existência desse ou daquele recurso natural.
Instituições como Funpat,Impa,Inpi,INT,Coppe,Fiocruz e Inmetro constituem a base para o êxito do projeto. A estas se somam entidades representativas das classes produtoras,como a Firjan,com interesse em apoiar ou arregimentar apoio empresarial à iniciativa.
O BNDES e a Finep poderiam ajudar no financiamento. Grupo de trabalho sob a liderança municipal e estadual seria constituído para discutir e apresentar,em período razoável,uma política integrada para o lançamento do eixo tecnológico Rio-Petrópolis,com a definição de metas,prazos e fontes de financiamento. As prioridades seriam definidas a partir das carências tecnológicas regionais e nacionais e o impacto do projeto sobre insumos importados e com peso na balança comercial e em serviços que geram desequilíbrio nas contas correntes.
Por basear-se na educação,o projeto terá impacto social e ambiental,dada sua contribuição para o desenvolvimento de tecnologias limpas,repercutindo de forma positiva no exterior.
Atrairá o interesse de empresas nacionais e estrangeiras. O Rio de Janeiro será pioneiro num projeto que dará a medida do compromisso do Brasil de se tornar potência tecnológica.
O Rio de Janeiro possui as instituições e as cabeças necessárias. Constitui uma das maiores concentrações de PHDs do país. Falta,no entanto,articulação desses fatores por meio de políticas públicas,de âmbito municipal e estadual,que viabilizem a ideia do eixo de alta tecnologia na região.
Em apenas uma década,Coreia do Sul e Israel lograram estabelecer projetos semelhantes. O mesmo se verifica nos países nórdicos,como a Noruega,que também se posicionam entre os de mais alto índice de inovação e competitividade no mundo.
 

Sergio E. Moreira Lima é embaixador do Brasil na Noruega.

Fonte: Opinião, de O Globo, 23/01/2010
 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjIySun, 24 Jan 2010 14:37:43 -0200
<![CDATA[O novo que surge do velho]]>Descobrir regras para fazer rearranjos de coisas já existentes é a tarefa que a disciplina da inovação sistemática se propõe

Inovação depende de acesso a uma base de conhecimento acumulado. Uma ideia abre caminho para outra, para outra e outra. Esse processo gera mudança em grande escala na ciência, na economia e na cultura e é o tema de um livro que está repercutindo nos meios empresariais: The Nature of Technology – What It Is and How It Evolves, de Brian Arthur, especialista em inovação. Implicação disso (não tratada explicitamente no livro): se o novo vem sempre do conhecido, poderíamos “fabricar” inovação se houvesse um método para recombinar as ideias existentes na base de conhecimento. Isso está acontecendo. Descobrir regras para fazer rearranjos criativos de forma consciente e deliberada é a tarefa que a nascente disciplina da inovação sistemática se propõe realizar. Olha só: há 10 mil anos, o PIB do mundo era zero. Então, uma tecnologia – a agricultura – habilitou o processo de geração de riqueza. A agricultura veio de elementos que já existiam na paisagem dos humanos da época (terra, plantas, animais) e possibilitou uma explosão de novos arranjos. O PIB passou de zero ao que é hoje graças ao rearranjo de coisas existentes. O microchip é feito de sílica – areia da praia. O microchip é areia rearranjada. A matéria-prima desses “rearranjos” não são novos materiais, nem pessoas especiais, nem novos processos fabris. São processos mentais: ideias canalizadas na direção certa.

Como recriar um circo com menos custos e mais valor para o público? O Cirque du Soleil chegou a uma fórmula inovadora.

Entendendo as operações mentais que produziram soluções inovadoras no passado, podemos criar inovação. Exemplo: o best-seller A Estratégia do Oceano Azul diz o seguinte: quer inovar? Pegue os atributos das ofertas existentes e “tire, ponha, aumente, diminua” um ou mais deles. Assim, sua oferta estará num “oceano azul”, livre da competição entre as que têm os mesmos atributos. No caso do Cirque du Soleil, exemplo do livro, eliminaram-se animais e artistas famosos, introduziram-se música, dança, temas, estética apurada; diminuiu-se o número de picadeiros e aumentou-se o conforto da plateia. Mas como é que nós (que não somos gênios, como os fundadores do Cirque) poderíamos ter concebido algo parecido? O problema era: criar um circo com menos custo e mais valor que os existentes.
Uma contradição. Inovar é resolver contradições. Quem resolveu a contradição “cortar custo e aumentar valor” fez como? A base de conhecimento diz que problemas análogos foram resolvidos usando como direcionador um princípio que a inovação sistemática chama de atmosfera enriquecida. Adicione elementos sensoriais que tornem o ambiente mais estimulante.  Pode ser cor, música, odores, mas tem de enriquecer a atmosfera. É um dos princípios usados pela Southwest Airlines para criar um clima agradável em seus voos, por meio de jogos com os passageiros. É o que está por trás da chamada experiência de compra e o que o varejo usa em modelos como os da Starbucks e Victoria’s Secret. Um circo, lojas de café e de lingeries e uma linha aérea. Base de conhecimento compartilhado, certo?

Fonte: www.clementenobrega.com.br
Clemente Nobrega é físico, escritor, consultor de empresas e autor do blog Ideias e Inovação. 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjMzThu, 18 Feb 2010 16:15:19 -0200
<![CDATA[As conquistas da Protec em oito anos ]]>Editorial

Em 20 de fevereiro de 2002, na Abimaq, em São Paulo, os representantes de 15 entidades industriais associaram-se numa Assembleia Geral para fundar a Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica, a Protec. O ato de fundação foi o coroamento do processo de conscientização e mobilização das lideranças do setor produtivo industrial iniciado pelo nosso artigo-manifesto que, por uma honrosa concessão da direção da Folha de São Paulo, ocupou todo o espaço da seção Opinião no dia 04 de junho de 2001 sob o título "Tração para o desenvolvimento sustentado".
Passados oito anos, avançamos visivelmente e a inovação tornou-se um tema constante da nossa agenda e foi criado um marco legal dirigido ao seu fomento. Cabem, então, duas perguntas óbvias: afinal, que papel exerceu a Protec para a formação do atual cenário da inovação? Quais as novas tarefas para que a inovação tecnológica se torne a ferramenta básica da estratégia de desenvolvimento?
Para responder à primeira pergunta devemos reconstituir o cenário de 2002, o último ano do governo anterior. Havia à época um conjunto de leis perversas para as indústrias, muitas das quais ainda vigentes, que nos motivaram à criação da Protec. A lei de incentivos fiscais, a 8.661/93, exigia um projeto (PDTI) em bases acadêmicas que era analisado por dois ou mais anos pela Finep para autorizar a utilização dos incentivos fiscais. Resultado: não havia demanda, pois a experiência de apenas 196 empresas havia sido desastrosa para quase todas.

Automatismo
A Protec atacou a questão em suas ações iniciais. O seu primeiro Enitec (Encontro Nacional da Inovação Tecnológica) fez o diagnóstico e preconizou a solução: a criação do automatismo, pelo qual a empresa desenvolve suas inovações e deduz os gastos do Imposto de Renda, sem solicitar autorização. Levamos quatro artigos como proposta ao secretário da receita federal, Everardo Maciel, que no diálogo aprovou o conceito do automatismo e os introduziu na MP 66, transformados nos artigos 39, 40, 42 e 43 da lei 10.637/2002 (Mini-Reforma Tributária).
O novo governo não regulamentou de imediato os quatro artigos e transformou-os no Capítulo III da lei 11.196/2005, conhecida como Lei do Bem, mantendo o automatismo com redução da alíquota básica de 100% para 60% e aplicando a lei à empresa que apura lucro real, incluída já na lei anterior. Apesar da restrição, esse incentivo é o que hoje melhor funciona. Teve 130 usuários em 2006, 300 em 2007, 440 em 2008 e espera-se que chegue a 600 em 2009. A renúncia fiscal em 2008 foi de R$ 1,5 bilhão, 10% do investimento em P&D estimado para o setor produtivo. Este é o fomento real de que a indústria dispõe hoje, mas vai crescer!

Subvenção
As leis perversas a que nos referimos acima são as diversas leis que criaram fundos setoriais e especialmente a que criou a Cide sobre pagamentos de tecnologia e o fundo verde-amarelo. Ou não é um real desincentivo tirar recursos do setor produtivo, via royalties e Cide, e alocá-los no FNDCT só para universidades e institutos de pesquisa? Isso foi exposto em artigo anterior, publicado há dez anos. Os fatos nos deram razão, pois hoje temos menos patentes e déficits comerciais maiores em alta tecnologia.
Sendo difícil mudar essas leis perversas, aproveitamos a revisão promovida pelo novo governo na chamada Lei de Inovação que, na versão do governo anterior, tinha tudo menos inovação. Propusemos ao então secretário Francelino Grando a criação do mecanismo do subsídio tal como no artigo 8º do acordo que criou a OMC, na chamada rodada do Uruguai, em 1994.
A ideia era destinar os recursos do FNDCT ao desenvolvimento tecnológico das empresas sem reembolso, já que esses recursos são originários das empresas. A sugestão foi aceita e criou-se o artigo 19 na lei 10.943/2004, a Lei de Inovação. Na Câmara, defendemos o espírito do artigo 19 ainda que com redação alterada, assim como propusemos o inciso IV do artigo 27 para tentar criar uma política de compras públicas como promotoras de inovações.
A sua execução, porém, ainda deixa muito a desejar. Os recursos destinados à subvenção são limitados a 20% do FNDCT por decreto, e a Finep acata como sendo do setor produtivo uma empresas formada na véspera do edital por pesquisadores acadêmicos. Assim, o recolhimento do FNDCT, R$ 3 bilhões em 2008, só é devolvido em algo como 10% ao setor produtivo. O balanço do fomento, então, continua perverso (em R$ bilhão): +1,5 - 90% de 3,0 = - 1,2. Ou seja, o setor industrial paga R$ 1,2 bilhão para as agências alardearem que apoiam inovação! Por fim, a meta atual da Protec e associados é batalhar pela reversão desse quadro absurdo!
BNDES
Ainda em 2003, fomos convidados pelo departamento de química/farmacêutica do BNDES para opinar sobre o programa Profarma que estava sendo construído. Tivemos, então, a oportunidade de propor um segmento para o fomento à inovação, que foi denominado de Profarma P,D&I e lançado em 2004. Entretanto, a nossa proposta fora de fomentar um programa de inovações na empresa no compartilhamento do risco, ou seja, sendo remunerado pelo sucesso. O formato lançado era o de empréstimo (risco da empresa). De qualquer forma, esse programa marcou a entrada do BNDES no apoio à inovação e, em 2006, foi generalizado para todos os setores. Em 2008, porém, o BNDES criou um novo programa de "Participação no Resultado do Projeto", limitado aos insumos estratégicos do SUS/MS. E agora estamos trabalhando para generalizar o conceito para todos os setores e para programas, ao invés de projetos. Há boas perspectivas de se alcançar esse objetivo em diálogos com os técnicos do banco.

Dia da Inovação
Ainda em seu ano de fundação, a Protec propôs ao presidente da República, em audiência no dia 17/10/2002, a criação do "Dia da Inovação" no dia 19 de outubro, dia em que Alberto Santos Dumont venceu o Prêmio Deutsch contornando a Torre Eiffel com o balão dirigível Brasil n.6 , no ano de 1901. O projeto tornou-se lei em 15 de janeiro de 2010 e já foi celebrado pela Protec no VIII Enitec, em 2009. A partir de 2010 será comemorado com um jantar para a entrega pública do Prêmio Inovar para Crescer.
Os fatos acima permitirão que cada um conclua o papel exercido pela Protec na formação do atual marco legal. Mas na nossa visão, a tarefa não está concluída, pois há ainda muito para melhorar na execução e aplicação das atuais leis de fomento. Mas, acima de tudo, há ainda por construir uma nova cultura dos fazedores de políticas públicas para tornar a geração de uma tecnologia nacional a alavanca fundamental do desenvolvimento econômico e social sustentado do nosso País. E a Protec espera poder contribuir para essa meta.
 

 Roberto Nicolsky é presidente do Instituto de Pro-Inovação Tecnológica (Protec).

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjM1Wed, 24 Feb 2010 12:13:19 -0300
<![CDATA[<p>A corrida mundial da inovação</p>]]> 

A inovação tecnológica tem sido apresentada como o principal eixo da nova política industrial brasileira, com o objetivo manifesto de recuperar a competitividade da indústria nacional frente ao que foi classificado como o “novo paradigma de produção asiático”. Dessa forma o Brasil demonstra ter finalmente percebido algo que todos os países desenvolvidos e os emergentes de ponta já entenderam, e vêm praticando ao longo da última década: que a inovação tecnológica é fator estratégico para a sustentabilidade das economias no mercado global.

A maioria dos países tem desenvolvido planos nacionais de desenvolvimento calcados no fomento à inovação. Os Estados Unidos, desde 2003, com a publicação do relatório da Federal Trade Comission, intitulado To Promote Innovation, sublinhou a importância de um mercado competitivo para impulsionar a inovação e apontou os riscos gerados por seu sistema de patentes excessivamente permissivo, que favorece a concessão de patentes de baixa inventividade, na contramão da inovação e do desenvolvimento tecnológico.

A Academia Nacional de Ciências norte-americana também abordou o tema em seu relatório A Patent System for the 21st Century, e uma de suas recomendações é exatamente elevar o padrão de inventividade na análise e concessão de patentes. Nos vários estudos sobre inovação, desenvolvimento e liderança tecnológica produzidos nos EUA, o marco regulatório foi sempre mencionado como um dos instrumentos, mas nunca como o principal motor da inovação.

Recentemente, o Presidente Obama lançou sua Innovation Strategy, um ambicioso programa destinado a fortalecer a liderança tecnológica dos EUA no mundo. Os pilares desse programa são os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, especialmente na infraestrutura e capacitação de pessoal, a promoção de mercados competitivos e a concentração do esforço inventivo nas prioridades nacionais, como energia. Em todos esses pilares é destacada a atuação do governo como promotor e articulador do processo.

Também na Europa a promoção da inovação para aumentar a competitividade e favorecer o desenvolvimento ganhou destaque no espaço político, com o lançamento de um programa para a Europa 2020, o Innovation Union. As principais diretrizes do programa são o aumento dos investimentos em educação, pesquisa e desenvolvimento; melhoria na coordenação dos agentes; criação de uma Área Européia de Pesquisa; criação de um fundo europeu para financiar a inovação; promoção do uso estratégico das compras governamentais; incentivo à inovação com fins sociais; marco regulatório mais inteligente e ambicioso e, finalmente, redução do custo de acesso à tecnologia proprietária.

Japão, Índia e muitos outros países têm dedicado atenção a esse tema e estabelecido programas de desenvolvimento com foco no estímulo à inovação. O programa da China, Indigenous Innovation Policy, lançado em 2006, merece atenção por enfatizar a questão da propriedade do conhecimento. O programa tem como diretriz estratégica apoiar o desenvolvimento local de tecnologia através de financiamento aos investimentos, estabelecimento de lista de produtos ou tecnologias prioritários e, principalmente, utilização do poder de compra do Estado chinês. O governo se obriga a comprar produtos protegidos por patentes cuja tecnologia foi gerada na China e produtos com marca depositada originalmente na China. A exemplo de outros países com economias fortemente baseadas na exportação, a China percebeu a importância da proteção patentária para ganhar e manter espaços no mercado internacional e evitar que seu mercado interno seja dominado por produtos cujas patentes pertençam a estrangeiros. Recentemente, complementou sua política de inovação com o lançamento da National Patent Development Strategy, um programa destinado a ampliar o leque de tecnologias sob controle chinês.

As visões sobre inovação e suas condicionantes variam de país a país e os resultados dos diferentes programas de incentivo também. Muitos esforços têm sido feitos para estabelecer um sistema de avaliação do processo de inovação. Um dos mais recentes trouxe resultados instigantes: Islândia, Suécia e Hong-Kong ocuparam as três primeiras posições como países mais inovadores, o que sugere que em países menores é mais fácil articular os esforços e manter o foco em objetivos adequados, factíveis e essenciais. Os EUA ocuparam a 11ª posição, o Reino Unido a 14ª e a Alemanha a 16ª. A inovação é um fenômeno social complexo, mas do que se conhece dele até aqui é possível afirmar que seu mais potente indutor é o mercado, e sua condicionante essencial de sucesso é a coordenação da atuação dos agentes.

No caso brasileiro, o sucesso da política de desenvolvimento calcada na inovação passa, em primeiro lugar, por uma substancial melhoria na articulação intra-governamental, não só entre diferentes ministérios como também entre diferentes instâncias do mesmo ministério. Nesse contexto, as agências que cuidam do marco regulatório – Anvisa, CADE, INPI, Inmetro - não podem ter agendas próprias de atuação, mas sim colocar seus objetivos e metas a serviço da política nacional de inovação. É bem sabido que os países hoje ditos desenvolvidos alcançaram esse estágio num ambiente regulatório bem menos rígido do que aquele em que operam hoje. Países ainda em desenvolvimento não devem importar, indiscriminadamente, regulações incompatíveis com seu grau atual de desenvolvimento, sob pena de frear o processo.

Nelson Brasil de Oliveira é vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina (Abifina)


 

 

 

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=NTExMon, 16 Jan 2012 15:56:22 -0200
<![CDATA[Cidades inteligentes - Inovação tecnológica no meio urbano ]]>Este artigo analisa como o desenvolvimento dos polos de inovação tecnológica pode ser incorporado nos processos de gestão urbana, especialmente em projetos de recuperação de áreas urbanas.

Os polos tecnológicos são comumente analisados pela inserção de processos produtivos inovadores, pela articulação de atores científicos, empresariais, financeiros e políticos e pelos arranjos econômicos locais.

Grande parte desses polos é implantada em meios urbanos que, por despreparo ou desarticulação dos organismos públicos locais, da iniciativa privada e dos centros de pesquisa, perdem oportunidades de torná-los catalisadores de requalificação de áreas urbanas.
Destacam-se, nesta análise, os aspectos dos processos de inovação que trazem consequências para a gestão urbana, procurando saber como é possível otimizar valores de um contexto urbano central de modo a atrair a implantação de um polo de inovação tecnológica e torná-lo, ao mesmo tempo, catalisador de requalificação urbana.
Como estudo de caso, tomou-se a Cidade Multimídia, desenvolvida a partir de 1998 em região central degradada de Montreal. Para isso, analisaram-se seus planos de implementação tecnológica, econômica, política e urbana; foram realizadas visitas técnicas à região; entrevistaram-se responsáveis por órgãos públicos, empresas e institutos de pesquisa envolvidos e estudou-se material científico e jornalístico, em que especialistas debateram o assunto.
O foco de todos os esforços se manteve nas estratégias urbanas adotadas para a implantação do polo e nos instrumentos decisórios e de gestão envolvendo as empresas, a universidade e a cidade, resultando em uma análise dos impactos sociais, culturais e urbanos consequentes do processo de planejamento e implantação adotado.
Demonstra-se que a articulação de políticas nacionais e provinciais com objetivos claros de desenvolvimento socioeconômico ligado a um ramo tecnológico inovador, o diagnóstico de oportunidades de mercado e o envolvimento da escala municipal na atração de determinado tipo de empresa para uma região específica da cidade e na articulação com outros atores, como investidores imobiliários e universidades, podem fazer com que, mais do que apenas um receptáculo, a cidade torne-se a catalisadora do desenvolvimento de um polo tecnológico inovador - tanto pela economia tecnológica quanto pela recuperação de um contexto urbano.


Leia a integra do artigo em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-88392005000100011&script=sci_arttext

Fabio Duarte é professor de pós-graduação em Gestão Urbana, da Pontifícia da Universidade Católica do Paraná.

 Foto: Olívia Teixeira

Fonte: São Paulo em Perspectiva, Print Verson ISSN 0102-8839

 

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjcxFri, 07 May 2010 14:00:09 -0300
<![CDATA[Educar e inovar na sustentabiliade]]>Rodrigo Costa da Rocha Loures, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) lançou o livro Educar e inovar na sustentabiliade, no qual chama a atenção para a natureza essencial da inovação para a sustentabilidade. Dentre suas considerações, destaca que empresas e universidades têm muito a fazer no campo da inovação, mas também muito a se beneficiar dessa interação e da troca de experiências. Atenta ainda que, para além da pesquisa, da inovação, da difusão do conhecimento, ambas têm responsabilidade de incorporar a sustentabilidade em suas estratégias. Defende que essas instituições devem capacitar novas gerações para a gestão e a prática da inovação. "As empresas são o motor da economia. Aqui se decide o que e como produzir. As universidades têm um outro papel – tão ou mais importante – ali se formam as novas gerações. É a determinação e o entendimento acerca da necessidade de assegurar formas sustentáveis de desenvolvimento dessas novas gerações que podem nos trazer esperança num futuro melhor  da humanidade", diz Loures em seu livro.

Paranaense, nascido em Curitiba , Loures tem uma história de mais de 40 anos como empresário e mais de três décadas de atuação na representação institucional do setor alimentício. Foi eleito presidente da Fiep pela primeira vez em 2003 (para o mandato 2003-2007) e reeleito em 2007 (para o mandato 2007-2011). É formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Foi professor na Faculdade de Administração da Universidade Federal do Paraná e na Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Iniciou a vida empresarial em Londrina, na agropecuária. Em 1968, fundou a Nutrimental, empreendimento nascido das pesquisas em tecnologias de alimentos da UFPR, umas das pioneiras experiências de cooperação entre universidade e empresa do País. Hoje, a Nutrimental tem fábricas no Paraná e em Minas Gerais e emprega cerca de 1 mil funcionários. A empresa é líder no mercado nacional de barras de cereais e vice-líder em cereais infantis.
Na área de representação institucional, Loures foi vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA) e presidente da Associação Brasileira da Indústria da Nutrição (ABIN). É vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e integra dois conselhos da Presidência da República – o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT).
 

Disponível no site da Fiep, o livro de 194 páginas pode ser lido em PDF. Acesse: http://www.fiepr.org.br/bibliotecadigital/uploadAddress/FIEP_Sustentabilidade%5B56211%5D.pdf

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MjgwTue, 01 Jun 2010 11:50:22 -0300
<![CDATA[O empreendedor brasileiro, a inovação e o mercado ]]>Quando o empreendedor brasileiro enxerga uma oportunidade no mercado e quer iniciar um negócio, o setor de serviços orientados ao consumidor tem a preferência de 70% dos casos. Porém, essa não é uma tendência só do empreendedor brasileiro, de acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2009, nos 54 países participantes do GEM, a maioria dos empreendedores também busca atender o consumidor. O que nos chama a atenção é que o empreendedor brasileiro não é inovador.
Há várias abordagens sobre inovação, mas para a pesquisa GEM são focadas duas medidas: a novidade do produto para o mercado e o nível de competição a ser enfrentado. Esse enfoque é para empreendedores em estágio inicial, aqueles que iniciaram um negócio mas ainda não completaram três anos e meio de rendimentos com o empreendimento.
Na pesquisa realizada pelo GEM no mundo é perguntado ao empreendedor se o produto ou serviço que ele oferece ao mercado é novo, ou já é conhecido pelos consumidores, e se ele enfrenta forte concorrência ou não.
No Brasil apenas 5,5% dos empreendedores oferecem um produto novo, 11% dizem que seu produto ou serviço é novo para uma parte do mercado, e 83,5% (mesma proporção do ano anterior) não consideram seus empreendimentos nem seus produtos ou serviços baseados em inovação. Com relação à competitividade dos negócios, para 67,5% dos empreendedores a concorrência é alta, 26,5% enfrentam uma concorrência razoável, e apenas 6% são pioneiros, atuando em segmentos ainda inexplorados.
Ao analisar essas duas variáveis, combinando a novidade do produto e o tamanho da concorrência, dentre os 54 países pesquisados o Brasil é o que possui empreendimentos com menor conteúdo inovador. Essa constatação mostra que a dinâmica do mercado brasileiro ainda é doméstica. Dados do GEM Brasil também revelam que a maioria (89,5%) dos nossos empreendedores não busca consumidores fora do país. O empreendedor brasileiro “nasce” para atender o mercado interno com produtos e serviços já existentes, sinalizando que ainda há espaço para o crescimento dentro das próprias fronteiras. Por outro lado, a pesquisa demonstra que o empreendedor brasileiro precisa amadurecer, não só para conquistar o mercado externo, como também para buscar a inovação. De qualquer forma, somos um povo empreendedor, e quando os brasileiros empreenderem e inovarem, estaremos alinhados rumo ao crescimento econômico sustentável, melhorando as condições de vida da população.

Romeu Friedlaender Junior é economista do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade  (http://www.ibqp.org.br) e da equipe Global Entrepreneurship Monitor Brasil (GEM).

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=Mjg0Mon, 14 Jun 2010 11:18:38 -0300
<![CDATA[Lições para o Brasil]]>A pesquisa de experiências internacionais comparadas executada pelo Observatório da Inovação da Universidade de São Paulo, patrocinada e recém publicada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), é uma rica fonte de inspiração, pois identifica os pontos essenciais das políticas de inovação praticadas pelos EUA, Canadá, França, Irlanda, Japão, Reino Unido e Finlândia.

As análises mostram que as empresas desses países estão no centro das atenções dos governos; há um forte debate sobre o papel das universidades para o desenvolvimento; existem novas formas de cooperação e diálogo entre os setores público e privado; o Estado desempenha papel relevante na elaboração e implementação de políticas de inovação; e há um forte investimento em educação básica, combinada à educação superior e pesquisa científica.

Essa divulgação chega num momento adequado, pois as propostas destinadas ao Brasil devem ser aproveitadas pelo novo governo que assumirá em 2011.

Os principais obstáculos à inovação no Brasil identificados são: a falta de coordenação entre ministérios e agências na implementação das políticas e dos instrumentos; baixo aproveitamento do poder de compra governamental; burocracia e lentidão na liberação de recursos; incerteza jurídica; desinformação; deficiência de gestão nas empresas e carência de empreendedores; e frágil relação das universidades com as empresas.

Entre as propostas para o Brasil merece atenção a recomendação de envolver cada vez mais as nossas lideranças empresariais nesse processo.

O estudo também propõe formar agentes de inovação; diferenciar a carga tributária para empresas inovadoras e aproximar as universidades das empresas.

No meu entendimento, no entanto, um destaque especial deve ser dado a três propostas. A primeira é a necessidade de montarmos um sistema de apoio às empresas na fase de pré-projeto, de modo a auxiliar as empresas a precisar seus diagnósticos e a formular projetos de maior qualidade.

A segunda é trabalharmos pela ampliação e pelo fortalecimento do mercado de venture capital em todas as suas formas e fases, criando inclusive um fundo nacional robusto para estimular o surgimento de novas empresas. E a terceira é usar o poder das compras governamentais como fonte para o avanço tecnológico e da inovação.

A relevância desse instrumento pode ser avaliada a partir das estimativas do valor das compras governamentais deste ano, que deve chegar a R$ 57 bilhões.

Os resultados do Observatório merecem ser divulgados no meio empresarial e junto a formadores de opinião.

Na próxima etapa, serão apresentados os modelos da China e da Índia, dois países com estratégias de desenvolvimento inovadoras e com os quais temos muito a aprender.

Por todas essas razões, esses pesquisadores devem continuar a "bem observar" o mundo para manter o nosso aprendizado atualizado.

Rodrigo da Rocha Loures é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República
 

Este artigo foi publicado no jornal Brasil Econômico, 30/07/2010.

Para ler a publicação da ADBI, acesse:http://www.abdi.com.br/?q=system/files/mobit.pdf

Fonte: FIEP. Foto: Gílson Abreu
 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzA4Fri, 30 Jul 2010 12:20:06 -0300
<![CDATA[Hora de Inovar]]>Prever os acontecimentos dos próximos anos é um exercício estratégico necessário se desejamos avançar mais rapidamente para atingir o status de nação desenvolvida. E não é preciso ter bola de cristal para ver que o País está diante da maior oportunidade da sua história para se transformar em um protagonista importante da economia mundial.

O Brasil está maduro para trilhar o caminho das grandes potências. Iniciou recentemente uma trajetória de desenvolvimento mais sustentável e duradouro, sobretudo pelo fortalecimento de seu mercado interno. Conseguiu com grande esforço a estabilidade econômica, com inflação controlada, moeda forte, produção crescente e um parque industrial invejável.

Mas ainda há muito que fazer para não desperdiçar a oportunidade para avançar. Temos diante de nós uma extensa lista de prioridades. E uma delas é ajudar as pequenas e médias empresas a se estruturarem em arranjos produtivos locais, em clusters e distritos industriais, a fim de que elas progridam com competitividade.

Nos países desenvolvidos esta é a nova maneira para competir na economia global e para acompanhar as rápidas mudanças no sistema de produção, que busca absorver a constante evolução tecnológica.

De fato. Venho de uma viagem à Espanha, França e Alemanha, onde pude ver a configuração de alguns arranjos produtivos – clusters – que hoje são considerados motores da Europa.

Esses arranjos e clusters nada mais são do que uma fórmula bem-sucedida adotada em vários países para organizar o processo de produção e a cooperação entre empresas, com mais conhecimento, tecnologia e inovação. O cluster é uma concentração de empresas com características semelhantes e que atuam numa mesma região ou localidade.

Os clusters contam com o apoio de políticas públicas de governo, que mobilizam as universidades e centros de desenvolvimento tecnológicos para que as empresas tenham capacidade coletiva para se especializarem e se tornarem mais competitivas.

Organizadas em clusters as pequenas empresas podem crescer porque atuam de forma coletiva, superando, assim, um grande problema que não é o seu tamanho, mas sim a sua solidão, o seu isolamento.

Está comprovado que atuando de forma individual as pequenas empresas são mais vulneráveis, pois se encontram numa posição fragilizada para enfrentar a concorrência. Afinal, não contam com mecanismos e recursos necessários para se tornarem mais competitivas de forma perene.

E é fato também que hoje as empresas precisam ser cada vez mais competitivas. E para isso dependem de estratégias sofisticadas, de muita tecnologia e inovação. Por isso, é fundamental apoiar as cadeias produtivas especializadas, fortalecendo-as em clusters, para que compartilhem vantagens que são desfrutadas por empresas apenas de maneira individual.

O segredo dessa estratégia é aceitar que dentro do cluster embora as empresas compitam entre si elas se complementam e se reforçam mutuamente, pois elevam a competitividade para padrões que as deixam menos vulneráveis.

Ao atuarem de forma isolada as pequenas empresas não conseguem muitas das vezes pagar pelos serviços, informações e tecnologias necessárias para se especializarem e crescerem.

O Sebrae e o governo têm papel fundamental a desempenhar para a disseminação dos clusters no Brasil. O Sebrae precisa retomar com toda força a política de incentivo à implantação de clusters em todo o País, especializando-se na metodologia de gestão desses arranjos. E o governo deve adotar políticas públicas direcionadas a esses pólos de desenvolvimento, mobilizando as universidades e centros de tecnologia de sorte a assegurar aos clusters o acesso a recursos que os fortaleçam, da produção até o mercado final.

Esta é a minha maneira de ver o progresso para as pequenas empresas, uma visão estratégica necessária para que se possa alcançar um futuro mais promissor para a economia brasileira.

Roberto Simões é presidente do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae( em exercício agosto 2010) e da Federação de Agricultura de Minas Gerais (Faemg).

Fonte: Sebrae 

Foto: Gláucia Rodrigues

 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzE0Thu, 26 Aug 2010 11:21:31 -0300
<![CDATA[A busca da originalidade atrapalha ]]>A inovação tecnológica acontece quando desenvolvemos um produto novo, certo? Errado. De um lado temos a invenção radical: o novo, o original, o inédito. De outro, a inovação, que é a introdução do novo em algo que já existe. Temos um produto inovado, portanto, quando aperfeiçoamos um modelo, introduzindo melhorias em um produto já existente. Se o assunto é inovação, a busca da originalidade só atrapalha.

Ser criativo é muito bom e alimenta nossa vaidade. O problema é que não temos ideias geniais todos os dias. Os prêmios e editais que privilegiam a originalidade dos projetos de inovação prestam um desserviço ao reforçar este modelo da criatividade e da inventividade, inviável como base para políticas públicas de inovação tecnológica. Mais do que perseguir a grande idéia, rara e imprevisível, é importante buscar o crescimento da taxa de incorporação de pequenas inovações nos produtos, em um processo contínuo e diário, começando pela agregação das inovações introduzidas nos produtos concorrentes. 

Um exemplo é a evolução do telefone celular, que teve início na década de 1960, na Suécia. O aparelho pesava 40 quilos e era instalado em porta-malas de carros. A partir daí, houve uma agregação contínua de pequenas melhorias até o celular se transformar no que é hoje. Os de última geração envolvem cinco mil patentes, e nenhum dos atuais grandes players desse segmento participou da criação do sistema. O desenvolvimento de inovações se reflete no crescimento do PIB do país e no aumento da exportação de produtos com maior valor agregado. Para que isso aconteça no Brasil, temos que privilegiar o aperfeiçoamento de processos e produtos, e não a originalidade.

A inovação deve ser incorporada sem demora para se traduzir em vantagem competitiva. O produto gerado a partir da invenção original, que exige investimentos de longo prazo, é ultrapassado rapidamente pelo concorrente que inova. A busca pela ideia inédita, estimulada por quase todos os editais de inovação publicados pelas entidades de fomento, deveria ser substituída pelo critério da rápida inserção no mercado. Ao contrário do que diz o senso comum, inovação não tem a ver com a criatividade do inventor, e sim com a capacidade da empresa de atender antes da concorrência as demandas do mercado. É uma questão de competência e gestão tecnológica.

O desenvolvimento de uma cultura da inovação depende, basicamente, da compreensão de que o aumento da taxa de inserção de produtos aperfeiçoados no mercado é critério mais relevante do que a originalidade; e também de se promover a criação de linhas de produção contínua de inovações nas empresas. Enquanto a primeira inovação é lançada no mercado, a segunda é incorporada à produção e uma terceira já pode estar em pesquisa e desenvolvimento, em um processo incessante e rápido. Porém, para que este modelo prevaleça é necessário modificar profundamente as atuais políticas públicas de apoio à inovação. Se o objetivo do governo é aumentar a competitividade e acelerar o crescimento econômico, terá que elaborar programas de apoio à inovação em conjunto com o setor produtivo e eleger instituições mais próximas dele para dialogar com as empresas.

Roberto Nicolsky é diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (PROTEC)


Fonte:
Artigo reproduzido na íntegra de: http://www.protec.org.br/noticias.asp?cod=6833
 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzI2Tue, 21 Sep 2010 15:25:46 -0300
<![CDATA[A experiência da compra]]>Um dos mais fascinantes desafios do varejo é entender o comportamento do consumidor e as sensações que ele tem quando está comprando. Estamos, sem dúvida, vivendo excelente momento para o setor da construção com as políticas de desoneração, os programas habitacionais e o acesso ao crédito. Para varejistas da construção ou não, seguem algumas sugestões para aumentar as vendas e aproveitar ao máximo o potencial do mercado.

Para movimentar o seu negócio, é preciso ser inovador, saber manter-se à frente num meio cada vez mais dinâmico, inspirar tendências e ter uma percepção inovadora. Um caminho para isso é melhorar a experiência de quem está comprando, ou seja, fazer com que sua ida até a loja seja encantadora, um momento prazeroso e de lazer.

Segundo pesquisas recentes, os meios de comunicação de massa não são mais suficientes para motivar o consumidor, que está cada vez mais resistente. Por isso, estimular o comprador dentro do seu próprio estabelecimento pode ser excelente saída, já que 75% de todas as decisões de compra são tomadas dentro do próprio estabelecimento.

APELO AOS SENTIDOS
Em um mundo marcado pela interatividade, não é mais tão simples transformar um comprador em potencial em um comprador efetivo. Uma das chaves para conseguir ser bem sucedido está em propiciar, dentro da loja, uma experiência diferenciada ao consumidor, por meio do apelo aos sentidos.

Materiais, detalhes e a própria tecnologia interativa estão mudando o suporte e ajudando nas vendas. Os cientistas explicam que estímulos relacionados ao design "ligam" as regiões do cérebro responsáveis pela compra. Por isso, ele se tornou uma chave estratégica, garantindo vantagens competitivas.

O consumidor não quer apenas ver o que está comprando, mas tocar, cheirar, provar, ouvir. Assim, detalhes como a iluminação, cores, sabores, cheiros e som passam a ter importância na montagem de um ambiente diferenciado para alavancar as vendas.

Quando escolhemos algo para comprar, cerca de 70% da nossa preferência está relacionada à visão. Por isso, sugiro aos varejistas cuidados com a escolha das cores, da iluminação, da disposição das prateleiras e dos displays, pois a primeira avaliação da loja é feita pelo olhar.

No entanto, o ser humano possui quatro outros sentidos, que até pouco tempo, estavam à margem dos planos de venda. A fragrância pode ser uma estratégia de marketing interessante, pois desperta valores subjetivos, que, no caso do comércio, estão associados à qualidade e ao requinte. O som ambiente, através do uso de rádios internas ou programação previamente gravada, é mais eficaz que a panfletagem, pois o estímulo sonoro age no momento exato em que o consumidor recebe a mensagem. O paladar e o tato também podem ser explorados no momento da compra, pois os estímulos químicos gerados por eles estão também ligados ao ato da compra.

LIMPEZA E ORGANIZAÇÃO
Manter sua loja sempre bonita e higienizada também faz toda a diferença para seu consumidor, independentemente de sua classe social. Mostrar capricho e cuidado inspira as pessoas, faz com que elas sintam mais segurança quanto ao que você está oferecendo. Quando se entra num ambiente limpo e agradável, é muito mais fácil que o consumidor se sinta tentado ao ato da compra.

Organizar os produtos de forma clara, com identificações e subdivisões visíveis também facilita que seu cliente encontre o que quer, de maneira rápida e eficaz. Dispor produtos que estejam relacionados uns próximos dos outros também pode ajudar. Tente entender o que seu cliente procura e como ele compra.

AMBIENTE ACONCHEGANTE
Trate bem seu cliente. Um bom atendimento aumenta as chances de efetuar a venda. Treine bem seus vendedores, para que ele possa esclarecer as dúvidas do consumidor da maneira mais clara possível. Ser simpático, atencioso e gentil, sem pressionar as pessoas é muito importante. Coloque-se sempre no lugar de quem está comprando.

Invista em comodidade e segurança. Faça com que seu cliente se sinta confortável, à vontade, em casa. Ter um espaço para um café pode melhorar essa relação e aproximá-lo emocionalmente de sua loja.

É interessante fazer uso dos benefícios destas estratégias para ampliar as vendas. Diversas ideias simples podem fazer a diferença e, com um pouco de vontade, muitas ações desenvolvidas em setores que parecem distantes do nosso podem ser aplicadas com sucesso em nossos negócios. Quem sair na frente terá todas as vantagens.

Claudio Conz é presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).

Artigo publicado no Diário do Grande ABC.

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzQwWed, 27 Oct 2010 15:01:52 -0200
<![CDATA[A medida do tempo ]]>Desde que empresas existem um só tema permanece no topo o tempo todo: como aumentar a produtividade. No início, achava-se que a solução era trabalhar mais e mais duramente, até que uma nova disciplina – a gestão – provou que não era. Nas palavras de Peter Drucker, gestão é a maior inovação do século XX. Não se trata de trabalhar mais, mas com mais inteligência.

A mãe de todas as inovações é o conhecimento que leva a isso, não um produto. Esse conhecimento é que permite que a energia nuclear, o microchip, a internet, antibióticos e novelas de TV fiquem, cada vez mais, ao alcance de mais pessoas.

A essência de tudo é obter mais com menos. Inovação e gestão tratam desta mesma ideia, mas inovação está embutida na gestão, não o contrário. Gestão é fazer o que tem de ser feito para se chegar a um resultado da forma mais eficiente. Inovação é uma das maneiras de conseguir isso.

Aplicar conhecimento a recursos disponíveis é o centro da coisa toda.O McDonald’s fez isso treinando pessoas simples para produzir mais hambúrgueres por minuto. Henry Ford fizera o mesmo com carros, mas a GM desbancou sua companhia aplicando conhecimento novo à organização em si, não a carros.

Os americanos transformaram multidões despreparadas em trabalhadores produtivos para o esforço da Segunda Guerra. Sem método para aplicar conhecimento à força bruta, a história do mundo teria sido outra. Líderes em inovação são sempre, sem exceção, líderes em produtividade. A Amazon reduziu o giro do estoque de livros de 168 para 17 dias. Já o famosíssimo Palo Alto Research Center, da Xerox, criava produtos geniais, mas não sabia comercializá-los. Era criativo, mas não produtivo. Faltava lhe conhecimento disso que chamam marketing (que, aliás, na Apple sobra). Inovação é o apelido de “gestão” quando se esgotam possibilidades convencionais para se obter mais com menos.

O que diferencia gestão “normal” de inovação é mudança em duas perspectivas: tempo e risco. Inovação envolve mais tempo e riscos mais severos – preço a pagar para incorporar conhecimento novo. Empresas como as farmacêuticas, ao abrirem seus processos de P&D (para ganhar produtividade, claro), têm de aprender a se relacionar com agentes estranhos ao seu DNA corporativo (empresas de biotecnologia, laboratórios independentes) e dominar nuances novas de temas como propriedade intelectual. Porisso, o normal é,antes de inovar, tentar resgatar outras variantes para se tornar mais produtivo (comprando outras empresas,expandindo-separa outros mercados). Mas,eis o risco:se esperar de mais para inovar pode não dar tempo. Tempo é a métrica essencial.

Empresas que se dão melhor são as que aprendem mais depressa a fazer o que é preciso para gerar mais com menos. São,portanto,as que incorporam mais rápido o conhecimento para fazer mais clientes pagarem por seus produtos o que elas precisam que se já pago.O melhor inovador será sempre o mais produtivo – pois este chegará mais rápido ao “mais com menos”. O mais produtivo será sempre o melhor em gestão.

Clemente Nobrega é físico, escritor, consultor de empresas e autor do blog ideias e inovação: www.epocanegocios.com.br/clemente

Fonte: www.clementenobrega.com.br


 

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzY3Wed, 24 Nov 2010 11:17:07 -0200
<![CDATA[Inovação: dos obstáculos às competências]]>Mais da metade do crescimento da produtividade das principais economias mundiais se explica hoje pela maior eficiência de suas instituições e pelas inovações introduzidas todos os anos pelas empresas. Nesses países, é o setor privado que lidera o esforço de inovação e também a pesquisa e desenvolvimento em novas tecnologias. Isso é estimulado ao máximo pelos governos, com políticas que vão do suporte a pequenas inovações incrementais, incluem o uso de poder de compra dos Estados e se valem de uma intensa cooperação com entidades de pesquisas.
O Brasil precisa e vai trilhar esse mesmo caminho. Precisamos de aumentos sistemáticos da produtividade para sustentar ganhos reais dos salários e melhorar a distribuição de renda. Precisamos alavancar a capacidade de competir das empresas e gerar melhores empregos. Para isso, vamos ter de dar prioridade à agenda da inovação.
Nossa competitividade sofre com o acúmulo de velhos obstáculos. Temos carga tributária extremamente elevada, nossa infraestrutura é muito deficiente, há baixíssima escolaridade, excessiva burocracia e uma institucionalidade ainda precária. Avançamos em alguns desses aspectos, mas, no geral, numa velocidade que deixa muito a desejar.
Essa é a agenda do passado, que ainda temos de enfrentar e solucionar e que coexiste com os desafios da criação de competências que nos conduzam ao futuro. Devemos reforçar as capacitações técnicas de nossas empresas, melhorar a qualidade do ensino e a escolaridade técnica e superior, dar mais ênfase à formação de engenheiros e cientistas, ampliar o número de instituições de prestação de serviço e de suporte ao desenvolvimento tecnológico das empresas e multiplicar as instituições de excelência.
Mas, em especial, precisamos entender o papel central que cabe às empresas na agenda da inovação. São essas empresas as responsáveis pelo lançamento de produtos que, cotidianamente, buscam melhorias em seus processos, que vão à busca de novos modelos de negócios para atender melhor os consumidores ou criar mercados. Esse protagonismo implica responsabilidades, mas exige, de outro lado, instrumentos desenhados de acordo com as necessidades e imperativos dos negócios.
Trata-se de uma realidade complexa, porque a inovação tem dimensões distintas para cada tipo de empresa: de pequenas melhorias incrementais até sofisticadas redes de gestão de conhecimento; de novos modelos de negócios até esforços sistemáticos de desenvolvimento tecnológico. O que dita a estratégia é o próprio mercado. O que condiciona o sucesso é o empenho da empresa e o ambiente que a cerca, as instituições de apoio e as políticas que lhe dão suporte. Temos inúmeros casos de sucesso e temos tido avanços nas políticas públicas.
Precisamos agora dar um salto. Foi isso que a Confederação Nacional da Indústria propôs no Congresso de Inovação, realizado em agosto de 2010. Queremos ser protagonistas de uma efetiva Iniciativa Nacional pela Inovação (INI), que congregue empresas e governo em torno de metas acordadas de inovação para cada setor da indústria; que amplie de forma significativa a capacidade de gestão da inovação nas empresas e que multiplique a mobilização iniciada com esse encontro.
Hoje, cerca de 6 mil empresas brasileiras fazem pesquisa e cerca de 30 mil declaram inovar em produtos e processos. A nossa meta é duplicar o número de empresas inovadoras nos próximos quatro anos.
A plataforma da CNI e do Fórum Nacional da Indústria, lançada no Congresso de Inovovação com o apoio de lideranças industriais, tornará factível essa meta. Mobilizaremos nossos melhores recursos para cumpri-la. Vamos disseminar a cultura da inovação, impregná-la na indústria, mostrar que o futuro depende de nossa capacidade de inovar. Essa nova plataforma se materializará na criação de núcleos de inovações nas federações de indústria; na generalização das ações de suporte à inovação já em curso nas associações setoriais; na maior ênfase nos serviços técnicos e tecnológicos do Senai na parceria com o Sebrae para a difusão de metodologias perante as pequenas empresas; na articulação dos diversos setores para estabelecer de comum acordo metas de inovação com o setor público. E, com o apoio dos empresários, criaremos uma governança capaz de estimular e cobrar resultados. Vamos dar um salto na produtividade, para que seja sustentáculo das aspirações de todos os brasileiros por uma nação mais justa.

Armando Monteiro Neto é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=MzgyTue, 04 Jan 2011 13:48:06 -0200
<![CDATA[Cidades inovadoras]]> 

O conceito de "cidade inovadora", desenvolvido e adotado pelo Programa Cidades Inovadoras da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), é centrado nas pessoas. A essência das cidades são as pessoas. A diferença entre uma "cidade" e uma "cidade inovadora" está nas pessoas que habitam e constroem esses ambientes.

As nossas experiências em projetos de prospectiva e de desenvolvimento social e tecnológico nos asseguram que cidades inovadoras são "habitats" de pessoas inovadoras. São locais onde pessoas inovadoras querem ficar, onde sentem que podem e conseguem manifestar seu potencial humano e fazer a diferença, onde encontram condições favoráveis para o desenvolvimento de seus projetos, negócios e sonhos. Assim, as cidades inovadoras são aquelas capazes de criar e manter ambientes que atraiam, retenham e desenvolvam pessoas empreendedoras e, consequentemente, empreendimentos inovadores e sustentáveis.

Como diz Michael Porter, "numa economia globalizada, a combinação das vantagens locais é fator ainda mais crucial". Tal como Porter, também estamos convencidos de que o desenvolvimento local deve ser buscado dentro da própria comunidade num movimento endógeno. E o tripé que vai garantir o desenvolvimento sustentável das cidades é composto pela qualidade de vida das pessoas, do empreendedorismo e da inovação.

Nesse contexto endógeno, a sinergia e cooperação entre pessoas, instituições e empresas são indispensáveis para gerar o capital social que dá sustentação aos projetos estruturantes das cidades inovadoras.

Alguns desses projetos estruturantes conhecidos são, por exemplo: banda larga e acesso gratuito à internet, educação digital para todos, incubadoras de empresas, parques tecnológicos, ensino de empreendedorismo nas escolas, estímulos a inventores, bibliotecas, fundos locais de capital de risco, acessibilidade nos transportes, novas metodologias de ensino-aprendizagem, indicadores sociais de primeiro mundo, inclusão econômica de todos os cidadãos e sustentabilidade ambiental.

No entanto, cada cidade vai definir coletivamente quais são suas prioridades e projetos estratégicos e o melhor modelo de governança para implementá-los. O fundamental é que a comunidade participe ativamente desse processo. Não há mais lugar para planejar o futuro da cidade sem o envolvimento das pessoas que vivem a cidade.

Curitiba 2030

A nossa primeira experiência de aplicação do conceito de cidade inovadora é o projeto Curitiba 2030, iniciado em 2010. Seu objetivo é indicar caminhos para criação de um ambiente urbano propício à inovação, ao desenvolvimento das potencialidades humanas, e ao surgimento de novos negócios, em uma dinâmica de sinergia socioambiental.

Para tanto, e dentro de uma abordagem participativa, o projeto se propõe a construir uma visão de futuro para Curitiba em coerência com as tendências internacionais de futuro; priorizar áreas de grande impacto no futuro da cidade; elaborar visões, objetivos e ações para as áreas priorizadas, de acordo com um pensamento estratégico de futuro e com as potencialidades que Curitiba oferece; identificar os eixos estruturantes e os vetores de transformação fundamentais para alcançar a visão de futuro; mobilizar especialistas e cidadãos e comprometê-los com o futuro de sua cidade; situar Curitiba dentro do seleto grupo de cidades que fizeram estudos prospectivos para balizar o seu desenvolvimento.

As etapas do Projeto Curitiba 2030 se sustentaram nos seguintes pilares: estudos preparatórios; mobilização de atores chaves; consulta pública; métodos interativos e participativos de sistematização; e construção de conteúdo.

Foram consolidados diagnósticos sobre a situação atual de Curitiba e realizadas pesquisas sobre cidades que já elaboraram estudos prospectivos. E também identificados e analisados tendências e fatores de mudança que moldarão o futuro das cidades nos próximos 15 a 20 anos. Essas informações compuseram a base de análise da situação de Curitiba em relação a outras cidades e às tendências de futuro, bem como do processo de transformação em uma cidade inovadora, que tem um projeto em comum de longo prazo.

Isso também serviu de base para a realização de encontros presenciais com pessoas de diferentes segmentos sociais que trataram de temas considerados prioritários para a cidade em 2030, a saber: Governança; Cidade em Rede; Cidade do Conhecimento; Transporte e Mobilidade; Meio Ambiente e Biodiversidade; Saúde e Bem Estar; e Coexistência em uma Cidade Global. Cada um desses temas conta com uma visão, objetivos associados à visão e ações específicas para alcançar os objetivos pactuados.

A visão da governança sustenta-se na capacitação dos servidores públicos e na participação dos cidadãos, utilizando tecnologias da informação e acompanhando tendências de flexibilização e descentralização da administração pública.

Conectividade e interação são palavras de ordem da cidade em rede. Curitiba visa ser referência internacional no uso de redes para sustentar o desenvolvimento dos cidadãos e das organizações.

Curitiba deseja ser reconhecida como uma cidade do conhecimento, onde os cidadãos tenham alto grau de formação e qualificação, contribuindo para a produção do conhecimento. O cidadão entenderá a educação como chave do processo de sucesso individual e coletivo, tomando para si a tarefa de dar um novo significado ao que seja viver com ética e responsabilidade - fundamentos do respeito, da solidariedade e da qualidade de vida.

Para alcançar essa visão é necessário mobilizar a sociedade para comprometer-se com o sistema educacional, envolvendo mais a família, empresas e redes sociais com a escola. A nova escola, dotada de tecnologias e metodologias adequadas, será multifuncional, proporcionando diversos eventos culturais, sociais etc, acompanhando as tendências sociais, econômicas e ambientais de desenvolvimento sustentável.

A cidade deverá criar mecanismos de retenção de "talentos", começando pela valorização da carreira docente: com incentivos à formação continuada de qualidade e abordagem multidimensional - acesso a programas socioculturais, formação internacional e instituição de prêmios que incentivem os professores a compartilhar conhecimentos com a sociedade, em sintonia com as suas expectativas e com a realidade.

O professor passará de "detentor do conhecimento" a "mediador do processo de aprendizagem", pois o cidadão-educador será também produtor de conhecimento e pesquisador das diversas áreas do saber. Desta forma, as políticas para a educação deverão contemplar não somente o perfil da educação convencional para um mundo globalizado, mas também a formação de pessoas com valores cívicos.

Com acesso universal à internet de banda larga, a construção do conhecimento não será somente na escola, mas nos domicílios, locais de trabalho e de lazer. Esta facilidade permitirá uma educação personalizada, com ferramentas como e-teaching, e-learning e educação just-in-time, que prioriza o uso de simuladores. Deverão ser criados Hubs transetoriais que desenvolvam diferentes tecnologias facilitadoras e, com isso, obtenham reconhecimento internacional e marca própria (robótica, mecatrônica, mecânica de precisão, dentre outros).

Será essencial articular a criação de observatórios que promovam estudos de tendências e de oportunidades para setores econômicos relevantes para a cidade. Um deles, sobre perfis profissionais do futuro, cujas tarefas serão identificar e difundir competências profissionais requeridas pelo mercado. Outro observatório, voltado à educação, buscará metodologias e tecnologias educacionais inovadoras e definirá programas de capacitação alinhados com tendências internacionais e com as necessidades da comunidade.

A visão de futuro de Curitiba, quanto ao transporte e à mobilidade é tornar-se referência em políticas públicas que permitam alcançar os parâmetros máximos de sustentabilidade, por meio de um transporte de qualidade em toda a área metropolitana, com integração multimodal e estruturação das cidades que constituem a Região Metropolitana de Curitiba. O transporte público tornar-se-á atrativo pela segurança, qualidade, respeito aos horários e maior agilidade de locomoção.

Curitiba pretende ser uma cidade sustentável que respeita a biodiversidade e integra as pessoas com o ambiente, tornando-se uma referência internacional. O desenvolvimento urbano sustentável demanda tarefas complexas, integrando aspectos ambientais, econômicos, sociais e espaciais. Consequentemente deve orientar o uso dos ecossistemas e seus recursos e da ocupação do solo, conforme potenciais e limite; garantir a expansão da economia e adequar-se às mudanças demográficas, garantindo qualidade de vida à população.

A cidade almeja ser uma referência internacional em qualidade de vida com foco na saúde, na acessibilidade e na segurança.

A visão de Curitiba é ser uma cidade capaz de contribuir para a alegria, o sucesso e a satisfação da população. A abertura à diversidade cultural, às tecnologias, aos processos e às ideologias será seu ponto de partida para a convivência harmoniosa. A solidariedade e a justiça serão fundamentais para a contínua mitigação dos impactos das diferenças econômicas e sociais entre a população. A integração da sociedade, nos diversos processos políticos, econômicos, educacionais e ao sistema global, será sua bandeira.

Outras cidades do Paraná, tal como Londrina, já se inicia na construção da sua estratégia de se transformar numa cidade inovadora.

CICI2010 e 2011

Outro desafio no contexto do nosso programa de cidades inovadoras é consolidar de forma coletiva esse novo conceito, bem como disseminar rapidamente essa nova abordagem no Brasil e no planeta.

Para isso organizamos, em março de 2010, a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2010) cujo objetivo foi congregar experiências de sucesso em planejamento urbano, sustentabilidade, mobilidade, gestão e políticas públicas, entre outras, que transformaram cidades em ambientes propícios ao desenvolvimento econômico, social e ambiental. O evento contou com a presença de 3.500 participantes, de 35 países. No total, 75 cidades estiveram oficialmente representadas na CICI2010. Ao longo de quatro dias, 105 conferencistas apresentaram suas propostas e experiências inovadoras para o desenvolvimento de conglomerados urbanos.

Os bons resultados da CICI2010 nos levaram a promover a CICI2011, de 17 e 20 de maio, em Curitiba. O debate contará com palestrantes de renome internacional e será ampliado por dez eventos integrados, que criarão um verdadeiro mosaico de temáticas, complementando e expandindo ainda mais as reflexões- de assuntos como educação, tecnologia, justiça social, cidadãos ativos, progresso humano, urbanização, política e ação social.

Rodrigo da Rocha Loures é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná.

Fonte: Fiep

Foto: Rogério Theodorovy

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=NDI0Sun, 01 May 2011 22:19:00 -0300
<![CDATA[<p>Brasil Maior: inovar para competir e para crescer</p>]]>A presidente Dilma Rousseff lançou, dia 3 de agosto, o Plano Brasil Maior, a nova política industrial, tecnológica e de comércio exterior do governo federal. Mais do que um slogan de lançamento, inovar para competir, competir para crescer, este é um desafio colossal. As experiências bem-sucedidas de nações que alcançaram um estágio superior de desenvolvimento evidenciam dois importantes ensinamentos, que o Brasil deve ter atenção.

O primeiro é que a história de cada país é formada pelas próprias mãos de seu povo. Não existe, portanto, um modelo de desenvolvimento ideal a ser seguido, como propõe o liberalismo econômico e suas variadas matizes contemporâneas, nas quais se supõe que o caminho do desenvolvimento se dá por um conjunto normativo de conduta racional dos agentes econômicos objetivando o bom funcionamento do mercado e a superação de suas falhas. A crença cega no sistema de preços como mecanismo de autorregulação do mercado tem sido o pomo da discórdia das teorias econômicas, desde o século XIX. Como amplamente evidenciado na historiografia de formação dos mercados nas nações ainda hoje hegemônicas (vide Marx, Polanyi e Braudel), a introdução da moeda, a criação do sistema de preços e o desenvolvimento da economia monetária são construções sociais, surgidas de conflitos antagônicos em geral superados pelo uso da violência e outras formas não canônicas de conduta dos agentes econômicos.

Nesse sentido, o mercado foi construído pela capacidade dos Estados Nacionais instituírem a ordem econômica, começando pela imposição do curso legal da moeda. Ao contrário do imaginário corrente, as trajetórias bem sucedidas de industrialização não foram o resultado natural do funcionamento da mão invisível e sim produto dos esforços dos povos na construção de modernos estados nacionais, com poder de comando sobre o território.

O esforço da inovação será alavanca decisiva na estratégia do salto da nossa indústria rumo ao futuro.

O segundo importante ensinamento da história contemporânea das nações é o papel central do conhecimento científico e tecnológico. O que já se sabia sobre o poder social e econômico do conhecimento nas antigas civilizações (orientais e ocidentais) foi imensamente amplificado com o surgimento da indústria fabril como motor da produção material. A entrada no novo milênio significou o terceiro século da civilização sob o domínio do sistema fabril de produção. As quatro revoluções tecnológicas que se sucederam trouxeram em escala crescente o conhecimento para o comando operacional do sistema fabril. Os chamados sistemas embarcados são a expressão maior desse processo, no qual o computador é completamente encapsulado ou dedicado ao dispositivo ou sistema que ele controla. Pela engenharia mecatrônica pode-se otimizar o projeto reduzindo tamanho, recursos computacionais e custo do produto. A próxima revolução será a difusão da impressora em três dimensões diretamente no processo de produção, trazendo a possibilidade de ganhos de produtividade pela produção flexível, o que mudará definitivamente os parâmetros de retornos crescentes pela lei secular da escala e escopo.

Essas inovações radicais no sistema fabril poderão, paradoxalmente, ser aceleradas pela profundidade e extensão da atual crise econômica mundial. A busca de um novo ciclo de ganhos sustentáveis de produtividade, agora sob a pressão ambiental, pode mais uma vez ser o caminho de inflexão da crise e de retomada da expansão econômica. Como em outras crises sistêmicas da economia monetária mundial, a destruição criadora revigora uns e aniquila outros. Na última crise dessa natureza, a grande depressão de 1929, o Brasil saiu melhor do que entrou. Como nos ensinou Celso Furtado em sua Formação Econômica do Brasil, a ação deliberada do Estado foi então decisiva para que o país conseguisse se integrar ao ciclo de industrialização e expansão econômica mundial que se seguiu.

O atual contexto histórico impõe a urgência das medidas que serão adotadas. O grande desafio do Brasil é se preparar para um novo salto da produtividade do trabalho via inovação tecnológica, de tal forma a mudar nossa posição competitiva num mundo em profunda transformação. De um lado, as economias capitalistas mais avançadas mergulhadas na crise, e de outro um grupo de países emergentes, liderados pelo extraordinário crescimento chinês.

O Plano Brasil Maior é uma resposta contemporânea de política de desenvolvimento produtivo a este grande desafio do salto de produtividade. Com um parque manufatureiro e uma rede de serviços avançados, e um sistema de ciência e tecnologia com escala e densidade significativas, a arma principal do país contra o acirramento da competição e apreciação cambial de nossa moeda é explorar as forças conquistadas no período recente, a estabilidade e a retomada do investimento e do crescimento. Mercado grande e em expansão, poder de compras públicas, extensa fronteira de recursos energéticos, força de trabalho jovem e capacidade empresarial constituem ativos institucionais, físicos e sociais formidáveis. Para colocar tais forças em movimento na velocidade exigida, o esforço da inovação será alavanca decisiva na estratégia do salto da nossa indústria, rumo ao futuro.

Fernando Pimentel é ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=NDY5Tue, 09 Aug 2011 13:09:13 -0300
<![CDATA[<p>Esvaziamento tecnológico e emprego</p>]]>O desenvolvimento tecnológico de uma economia propõe-se a torná-la mais competitiva e, portanto, capaz de ampliar o seu desempenho no comércio exterior. Para a nação isso representa geração de renda e ampliação da quantidade e da qualidade dos empregos oferecidos pela indústria. Portanto, um balanço comercial dos diversos produtos que compõe a nossa pauta de comércio exterior, quando classificados por sua intensidade tecnológica, dará a medida do nosso domínio da tecnologia. Por sua vez, a tendência de crescimento do seu saldo ou do déficit informará se estamos desenvolvendo a nossa competência tecnológica ou não. Uma avaliação completa é certamente complexa, porém é possível um retrato de alguns segmentos do nosso setor produtivo, notadamente, os que têm grande relevância na questão emprego e renda.

Recentemente, o setor automotivo divulgou dados preocupantes. Segundo a ANFAVEA, a participação dos veículos importados no mercado nacional passou de 5% em 2005 para 23% este ano e, enquanto a produção nacional teve alta de 45% no mesmo período, o número de carros importados cresceu 115%. Se em 2010 as empresas instaladas no Brasil importaram 660 mil veículos, este ano, devem vir 850 mil unidades de fora. Segundo o sindicato setorial do ABC isso representaria uma perda de 100 empregos.

A gravidade desses dados alertou até os trabalhadores em relação ao esvaziamento tecnológico da cadeia produtiva do setor, e o consequente risco de desindustrialização, levando-os a uma grande manifestação na região do ABC, em São Paulo, em defesa do emprego e da indústria nacional.

Assusta o fato de que outros setores tradicionais, como os calçados e o têxtil, já estão se tornando “meros importadores”, estágio a que já chegaram os produtos eletrônicos de consumo. Tanto do lado dos industriais quanto dos trabalhadores, portanto, a intenção é a mesma: buscar soluções para evitar que a concorrência de produtos e componentes estrangeiros provoque o esvaziamento tecnológico do parque industrial brasileiro - mesmo em tempos de cenário macroeconômico adverso com juros altos, câmbio apreciado e carta fiscal asfixiante.

Para reverter essa tendência, é indispensável uma política pública corajosa, ousada até, de apoio ao desenvolvimento de inovações tecnológicas através do compartilhamento de risco entre Estado e indústria. Essa é a única resposta que o Brasil pode dar a seus competidores. Quando a produção nacional começa a ser substituída por produtos e componentes importados, o País desaprende a fabricar aquela tecnologia, os trabalhadores perdem capacitação para operar aqueles processos (além de perderem seus empregos) e a indústria perde sua competitividade, até no mercado interno. E reativar um parque industrial paralisado é um esforço gigantesco, quase como começar do zero.

Em um ambiente de estímulo à inovação tecnológica, ao contrário, as indústrias levam vantagem sobre seus competidores, a qualidade dos empregos melhora, a importação de tecnologia diminui, o crescimento econômico se torna mais robusto e sustentável e o Estado pode distribuir melhor a renda. É o que mostram países emergentes como Coreia.

 

Roberto Nicolsky é doutor em física e diretor geral da Sociedade Brasileira Pró Inovação Tecnológica – Protec

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http://www.gentequeinova.com.br/artigos/artigo.php?cln=NDcyFri, 12 Aug 2011 16:52:41 -0300